“Casei com um Comunista” – de Philip Roth

caseicomcomunista.jpgO livro conta-nos a história de Iron Rinn, um comunista à americana, que veio do meio operário dos subúrbios de Nova Iorque, subiu ao estrelato e acabou no anonimato, em parte devido às suas convicções e à caça às bruxas, levada a cabo pelo senador McCarthy, em parte porque acabou por ceder à burguesia que ele tanto odiava.

Rinn era um calmeirão, cheio de energia e de ideias progressistas. Devido à sua semelhança física com Lincoln, começou por personificá-lo em festas das colectividades operárias e acabou por interpretar o seu papel num famoso teatro radiofónico, muito em voga na América, na altura em que a televisão ainda não tinha assumido o seu papel omnipresente nos lares de toda a gente.

Apesar de comunista convicto, Rinn acabou por se apaixonar por Eva Frame, uma estrela do cinema mudo, que era tudo o que ele desprezava: burguesa, rica, sofisticada, vaidosa, superficial. O casamento com Eva transformou a vida de Rinn num inferno, sobretudo por causa das disputas com Sylphide, filha de um anterior casamento de Eva.

O casamento passou do amor apaixonado ao ódio arrebatado. Apoiada por dois jornalistas da extrema-direita americana, Eva escreve um livro, intitulado “Casei com um Comunista”, em que denuncia o próprio marido. McCarthy e a sua comissão de defensores dos valores norte-americanos, fizeram o resto e Iron Rinn é despedido da rádio vai trabalhar novamente para as minas e morre, aos 51 anos, só e desprezado por quase todos. No entanto, ainda consegue, antes de morrer, que jornalistas de esquerda desmontem a falsidade da personagem de Eva Frame: afinal, era não era filha de navegadores do Massachussets, mas sim de um casal judeu que nem inglês sabia falar.

O mais interessante de mais este denso romance de Roth é o modo como está escrito, quase todo em discurso directo. De facto, toda esta história é contada pelo irmão mais velho de Ira a um antigo discípulo. É notável como Roth consegue fazer avançar a narrativa, sempre em discurso directo, o que não é nada fácil, suponho.

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