“Syriana”, de Stephen Gaghan

syriana.jpgFilmado ao estilo de “Traffic”, de Soderbergh, que é um dos produtores executivos (Clooney é outro), Syriana conta-nos quatro histórias em paralelo: a de um jovem paquistanês, despedido de uma companhia petrolífera, que se radicaliza e se transforma num mártir; a de um consultor financeiro (Matt Damon), que se deixa iludir pelo fausto e pela fama e se torna consultor pessoal de um príncipe árabe; a de um investigador económico (Jeffrey Wright), encarregado de descobrir os meandros da fusão de duas companhias petrolíferas; e a de um agente da CIA (George Clooney), com muita experiência no Médio Oriente, e que cai em desgraça.

Syriana é o nome dado pelos “especialistas” da Casa Branca à região do Médio Oriente, depois de estarem redefinidas as fronteiras dos vários países que o compõem.

Por vezes, o filme é difícil de seguir, de tal modo as diferentes histórias se cruzam. Mas, aos poucos, o plano geral vai-se compondo e, no final, fica um certo amargo de boca: afinal, o que se passa nos bastidores dos múltiplos conflitos do Médio Oriente, não passa de um poderoso jogo de interesses das companhias petrolíferas. Nada que nós já não suspeitássemos.

No entanto, ao ver o filme, ocorre-nos o seguinte: as notícias que vemos na televisão sobre a crise do Médio Oriente, não têm nada a ver com a realidade. O filme leva-nos a concluir que, dadas as circunstâncias, o jovem paquistanês não tinha alternativa, se não transformar-se num bombista suicida, embora pudesse ter seguido o exemplo do pai, também despedido, e que se limita a jogar críquete, no deserto, com um grupo de companheiros esfarrapados, que vivem em contentores.

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