“A Festa do Chibo”, de Mario Vargas Llosa (2000)

Publicado dez anos antes do escritor peruano receber o Nobel, este livro debruça-se sobre a ditadura de Trujillo, na República Dominicana, de 1930 a 1961, quando foi assassinado.

O livro tem três histórias que se vão cruzando: os últimos anos da ditadura e todas as suas atrocidades e arbitrariedades, a intentona, como foi preparada, como correu e o que sucedeu aos revoltosos, e a história de Urania, filha de um dos colaboradores de Trujillo, que volta ao país muitos anos depois do fim da ditadura.

As ditaduras têm todas pontos comuns: um ditador que é visto como salvador da pátria, um grupo de cortesãos que o seguem cegamente, uma polícia política sem dó nem piedade, comunicação social domesticada e um aparente sucesso da Nação, que não seria nada sem o ditador.

Mas Trujillo tinha algumas particularidades: além de um culto da personalidade levada ao extremo da própria capital do país ter mudado de nome e ter adoptado o nome de Cidade Trujillo, o homem era um garanhão e não se coibia de comer as mulheres de alguns dos seus seguidores, que não se importavam e até achavam uma honra o Chibo ter interesse pelas suas esposas. E gostava, sobretudo, de jovens virgens. Na página 373, diz:

“A receita de Petrónio e do rei Salomão: uma conazinha fresca para devolver a juventude a um veterano de setenta primaveras”

E é aqui que entra a jovem Urania.

Recomendo.

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