E quem fiscaliza o fiscal, afinal?

O governo avisa que quem não exigir factura está sujeito a uma multa de 75 a 2 mil euros.

Esta bizarria pressupõe que haja fiscais das finanças à porta das lojas.

Do lado de fora, claro.

A gente sai lá de dentro, com o saquinho das calças de bombazine acabadinhas de comprar e o gajo ataca:

“Onde está a factura?”

E nós, à brocha, à procura da dita, de bolso em bolso.

E toma lá: multa de 75 a 2 mil euros, dependendo, se calhar, dos nomes que chamares ao fiscal.

O ex-secretário de Estado da Cultura, Viegas, ficou famoso (finalmente!) pelo texto que publicou, sobre esta formidável questão.

Escreveu ele, no seu blog A Origem das Espécies:

“Caro Paulo Núncio: queria apenas avisar que, se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar «fiscalizar-me» à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu, ou, em alternativa, que peça a minha detenção por desobediência.”

Esta reacção (mandar o fiscal tomar no cu) deve valer 2 mil euros de multa, digo eu…

Mas… e se eu sair da loja sem factura e não aparecer nenhum fiscal para me multar?

Poderei eu multar o Estado?

Esta é que é a grande questão.

O governo tem que arranjar maneira de fiscalizar os fiscais, para ver se eles estão, efectivamente, a fiscalizar os cidadãos.

Em breve viveremos num verdadeiro paraíso fiscal, em que todos seremos fiscais uns dos outros!

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