O Chega – nome de um conhecido partido de extrema-direita português – está a enveredar pelo alojamento local ou algo parecido.
Quando se discutia, na Assembleia, o novo currículo da disciplina de Cidadania, nomeadamente, no que respeita à educação sexual, o excelso deputado Nuno Gabriel, do tal partido Chega, achou que a deputada do Livre Filipa Pinto estava a precisar de um sítio para praticar actos sexuais eventualmente indecorosos e, sendo assim, sugeriu-lhe que arranjasse um quarto e “faça aquilo que quiser”.
Esta afirmação encerra duas novidades:
O Chega está a sugerir que arranja quartos para as deputadas depravadas que querem fazer sexo que nem umas malucas;
E o Partido do Ventura não se importa que essas malucas façam o que tiverem na ideia, o que só demonstra que é um Partido liberal no que respeita ao sexo.
Não é líquido que o Estado da Nação seja sólido. Parece-me que o Estado da Nação não é líquido nem sólido – é mais um gel, assim uma espécie de slime que passou o prazo, cheira mal e deixa ficar os dedos sujos e com bocado agarrados.
O Luís “Deixem-no Trabalhar” Montenegro, fez as habituais notícias pré-eleitorais: suplementos para as reformas, descidas de IRS e de IRC e negou ter um princípio de acordo com o Chega, que este garantiu existir.
Mas o que me deixou mais incomodado, foi a atitude do Presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco, em relação à linguagem usada pelos deputados.
Ventura – sempre ele – acusou a liderança do PS de ser frouxa, mais frouxa do que a anterior. Um Pedro Nuno frouxo, mas um Carneiro ainda mais frouxo.
Ora, um Carneiro frouxo não fica nada bem a um Partido que quer fazer Oposição.
Carneiro levantou-se e chamou fanfarrão a Ventura.
Aguiar-Branco ruborizou e, cortando a palavra ao Carneiro frouxo, advertiu-o que aquela não era linguagem que se usasse na Assembleia. Ler nomes de crianças estrangeiras que frequentam a escola, ainda vá; chamar frouxo ao Carneiro, é como o outro – agora dizer que Ventura é fanfarrão – isso é que não!
Ora, sabendo que fanfarrão é um indivíduo que ostenta uma postura de valentão, mas que, na realidade, não tem a valentia que demonstra – temos de concordar que o Carneiro frouxo se excedeu. Basta lembrar-nos como Ventura enfrentou a sua crise de azia cardiovascular para perceber que ele é, de facto, um valentão.
Samantha Schweblin nasceu em Buenos Aires em 1978 e é considerada uma das melhores escritoras das últimas datas da América Latina.
Este pequeno livro de seis contos é perturbador. São histórias estranhas que a pequena explicação que a autora nos dá, no final do livro, não ajuda muito.
A última história, por exemplo, intitulada “O Superior faz uma visita”, fala-nos numa mulher que visita a sua mãe num Lar e que, por um acaso, acaba por ajudar uma outra residente do Lar a abandoná-lo. Leva-a para casa e, pouco depois, surge o filho dessa mulher, que, armado, lhe rouba dinheiro e joias, depois de uma tarde inteira de terror.
Sobre mais esta história perturbadora, a autora diz o seguinte: “conheci o homem (deste conto) numa longa estada em Barcelona. Apesar de nunca nos entendermos, com ele aprendi por fim a levantar pesos sem que me doa a lombar. Parece uma coisa de somenos, mas ficar-lhe-ei sempre grata”.
Falo da designação dos partidos de extrema-direita.
Na Alemanha, existe a Alternativa pela Alemanha, em Itália, o partido da Meloni chama-se Irmãos de Itália, em França, há a Reunião Nacional, aqui ao lado, em Espanha, o Vox.
O governo cancelou os festejos do 25 de abril devido à morte do Papa Francisco. Montenegro anunciou que os festejos seriam adiados para o 1º de Maio – e no Dia do Trabalhador organizou um concerto do grande combatente anti-fascista, esse ilustre militar de Abril, Tony Carreira, nos jardins do Palácio de São Bento.
Montenegro não merece ser primeiro-ministro de todos os portugueses, mas apenas das balzaquianas malucas por um tipo com uma voz fininha que, ainda por cima, plagia as canções francesas.
Era uma vez um primeiro-ministro que tinha um espinho na garganta. Ele não o sentia, mas ele estava lá. E como era advogado e percebia de latim básico, chamava-lhe spinum.
Desculpava-se, dizendo que o espinho era antigo e nada tinha a ver com a sua governação como primeiro-ministro, mas o que era certo é que a Oposição questionava a transparência do primeiro-ministro.
A qualidade da transparência tem destas coisas: a gente via o espinho, à transparência e o primeiro-ministro, perante essa evidência, tentou passar o espinho para a mulher e, depois, para os filhos, mas o sacana do espinho não se desprendia da sua garganta. O sacana do spinum viva!
Ter um espinho atravessado na garganta pressiona qualquer primeiro-ministro, por mais honesto que seja. Foi então que o primeiro-ministro desta história decidiu levar o caso ao Parlamento, pedindo uma moção de confiança.
Se os partidos votassem a favor da sua moção de confiança, o primeiro-ministro engolia em seco e deixava o espinho lá enfiado no pescoço, mas se os partidos votassem contra, que novas eleições fossem convocadas – que fosse o povo a decidir se o espinho tinha alguma importância nacional ou não.
O primeiro-ministro Luis Montenegro faz-me lembrar aquela anedota do Bocage.
Num baile, uma Dona Genoveva deu um pum e pediu ao Bocage que assumisse o ónus do fedor que se instalou no salão. Foi então que o poeta anunciou, com voz grave que o pum que a Dona Genoveva deu, não foi ela, fui eu.
Passa-se o mesmo com o Montenegro.
A empresa que ele fundou, não é dele, é da mulher.
Ou então, a empresa que ele fundou, não é dele, nem da mulher, mas dos filhos.
E os clientes que Luis Montenegro arregimentou, não são dele, mas do Hugo Montenegro, seu filho.
E quando a Solverde telefona a Montenegro e pede que lhe actualize os cookies e a política de proteção de dados, o primeiro-ministro, escandalizado, responde: pergunte ao meu filho, que eu não tenho nada a ver com essa empresa e até tenho raiva a quem tem!
Ai, Montenegro! A tua transparência é cada vez mais opaca!
Miguel Arruda, deputado do Chega pelos Açorews, foi apanhado a roubar malas nos aeroportos de Lisboa e de Ponta Delgada. Alegadamente.
Difícil perceber tal atitude.
Mas basta ver o seu currículo para perceber: Arruda tem um Mestrado em Ciências Biomédicas, outro em Ambiente, Saúde e Segurança, uma pós-graduação em Segurança Alimentar e Saúde Pública, outra em Engenharia de Qualidade, para além de uma licenciatura em Ciências Biológicas e da Saúde – mas afinal, o que o Miguelito queria era ser um simples trabalhador de handling.
Os americanos escolheram, novamente, Donald Trump como presidente.
Poderíamos dizer que o problema é deles, mas não é só deles.
Após tomar posse, Trump assinou cerca de uma centena de decisões, entre as quais, o abandono dos Estados Unidos do Acordo de Paris e da OMS.
Ver aquele basbaque a assinar estas decisões com uma caneta para cada decisão, e tecendo comentários idiotas a propósito é de ir às lágrimas. Por exemplo, a propósito de Espanha, pergunta a alguém se esse país faz parte do BRICS! Mais à frente, fala de Gaza como se fosse um futuro destino turístico, dizendo que tem sempre bom tempo e sugerindo que, sob o ponto de vista imobiliário, aquilo poderá ser, sei lá, uma nova Ibiza!
Garantindo que não vai ser vingativo, foi ameaçando os que se opuseram a ele e indultou os 1500 idiotas que invadiram o Capitólio, quando Biden ganhou as eleições ou, como Trump disse no discurso de tomada de posse, quando lhe roubaram a eleição. No futuro, quando um democrata vencer as eleições, os radicais republicanos poderão invadir o Capitólio novamente porque há já o precedente de um indulto presidencial.
Mais estranho ainda: pela primeira vez, um presidente americano fez o que Biden acabou de fazer – indultar uma série de cidadãos que, presumivelmente, poderiam ser acusados por Trump. Entre eles, está o médico que, durante a pandemia, aconselhou o uso de máscaras, medida sempre atacada pelo Trump que, na altura era presidente. Biden pensou que este médico poderia vir a ser acusado por Trump e, então, indultou-o preventivamente – coisa que é inédita.
Outra novidade – para além do chapéu ridículo que a Melania usou durante toda a cerimónia, mesmo ao almoço – foi o facto dos grandes multimilionários das redes sociais terem estado presentes. Para além do já esperado Musk, o Zuckerberg e o Bezzos.
Claro que o Musk deu nas vistas. Tão excitado estava que fez a saudação nazi por duas vezes. Por mais que ele negue, não há dúvida que foi isso que ele fez, o que está de acordo com os seus apoios à extrema-direita inglesa e, sobretudo, alemã.
A menos que, afinal, aquele gesto não passe de um efeito secundário da ketamina que ele, decerto, tomará…
De qualquer modo, penso que iremos viver tempos difíceis.