Archive for the ‘Coisas da Vida’ Category

RIR, CHEGA e PORRA!

Tuesday, February 5th, 2019

A parvoíce não tem limites.

Não bastava o CHEGA, daquele senhor que era do PSD, mas que decidiu fundar um Partido só para ele, agora apareceu o RIR.

André Ventura fundou o CHEGA e Tino de Rans decidiu fundar o RIR.

É para rir?

Não, é para chorar.

CHEGA não é um acrónimo, é assim mesmo, CHEGA. Podia ser BASTA ou LIVRA ou SAFA, que ia dar ao mesmo.

Mas RIR é uma sigla de Reagir, Incluir e Reciclar.

Afinal, é mesmo para rir…

Os membros deste Partido querem reagir (a quê?…), incluir (o quê?…) e, como não se lembraram de mais nada começado por “erre”, querem também reciclar.

Podiam querer reaprender, racionalizar, rentabilizar, roçar, rapar ou ripar – mas reciclar é mais bonito e liga muito bem com incluir e com reagir.

Agora só falta alguém criar o Povo Organizado Reage Rapidamente a Aventesmas – o PORRA!

Arranje uma doença e ganhe um carro!

Tuesday, February 5th, 2019

Recebi um mail do Hospital da Luz que me deixou de boca aberta.

Diz o mail:

Parabéns por já fazer parte da
comunidade digital Hospital da Luz!
Por ter aderido ao nosso Portal do Cliente, ganhou um código digital que o habilita a ganhar este carro e + de 5000 prémios!

Esclareço que, há alguns meses, fiz alguns exames no Hospital da Luz, através da ADSE e, portanto, aderi ao tal Portal do Cliente para poder receber o resultado dos exames na aplicação do telemóvel.

E agora, eis que me informam que posso ganhar um VW T-Roc!

E quem não for cliente do Hospital da Luz, isto é, quem for saudável e não precisar dos serviços do Hospital?

Bom, essa infeliz pessoa terá que arranjar uma hipertensão, ou uma dor abdominal ou uma hemorragia, mesmo que pequenina, para poder aderir ao Portal do Cliente e habilitar-se ao automóvel e a mais de 5 mil prémios!

É esta uma das grandes vantagens dos Privados, em relação ao Serviço Nacional de Saúde.

Enquanto no SNS falta tudo, de medicamentos a anestesistas, para já não falar nas greves dos enfermeiros, nos hospitais privados até podemos ganhar um carro!

É caso para dizer: vale a pena estar doente!

Somos todos ladrões

Saturday, February 2nd, 2019

Espantados com os créditos da Caixa Geral e Depósitos?

Por que raio, se todos os portugueses tentam, sempre que possível, fugir aos impostos, arranjar um amigo que lhe facilite qualquer coisa, desviar umas coisas lá do escritório, uma resma de papel, um agrafador que está a mais, ou uns detergentes e uns rolos de papel higiénico, e por que não uns comprimidos de omeprazol ou de paracetamol lá do hospital onde se trabalha, e quem não prefere um bate-chapa que não cobra iva, ou a cabeleireira, o barbeiro, a depiladora, a moça das unhas de gel – porque “eles” roubam tudo, “eles” querem é o tacho, então a vizinha não vê aqueles tipos da Caixa, que emprestaram dinheiro sem garantias e, agora, nós, é que temos que pagar?…

Mas, depois, a inspeção descobre que os bombeiros facturaram o triplo das refeições, enquanto andavam a apagar fogos, que aqueles oficiais da Força Aérea sacavam umas coroas valentes nas cantinas com sobre-facturação, que alguns professores da Universidade de Trás-os-Montes, metiam ao bolso parte das propinas dos estudantes brasileiros.

Tudo alegadamente, claro.

Os nossos banqueiros e políticos não passam da emanação da nossa sociedade do arranjinho, da cunha, do jeitinho.

Enquanto continuar a vigorar a dicotomia entre “nós” e “eles”, em que “eles” são os corruptos e “nós” somos os tipos que, para os lixar a “eles”, fazemos tal e qual como “eles”, talvez em menor escala, mas tal e qual como “eles” – enquanto continuarmos a achar que o Estado são “eles” e “nós” somos…bem, somos “nós”, não temos nada a ver com “eles” – enquanto isso durar, nada vai mudar.

Vendam a cocaína!

Friday, February 1st, 2019

As autoridades conseguiram interceptar um navio, ao largo dos Açores, que levava, a bordo, cocaína equivalente a cerca de 100 milhões de euros.

Se fosse devidamente cortada com bicarbonato, farinha Maizena ou gesso, talvez desse para doses que, vendidas no mercado negro, isento de IVA, valessem quase 200 milhões.

Ficava o problema dos enfermeiros resolvido.

Os enfermeiros continuam a exigir, entre outras coisas, um aumento salarial de 400 euros. Coisa pouca.

Diz a ministra Temido que esse aumento, assim, de repente, para todos os enfermeiros no início da carreira, equivale a cerca de 220 milhões.

Como o governo não cede, os enfermeiros decidem fazer nova greve às cirurgias.

Reivindicações justas, certamente.

Pena que não tenham sido feitas há mais tempo, quando o ministro era o actual Chefe da Caixa Geral de Depósitos…

Mas enfim… os enfermeiros acham que, atirando com milhares de utentes que aguardam cirurgias para as listas de espera, estão a lixar o governo, e que este, temendo perder as eleições, lhes vai dar tudo o que exigem.

Entretanto, como diz o povo, quem se lixa, é o mexilhão…

Será ético manter uma greve destas?

Eu acho que não – mas isso sou eu, que sempre defendi o SNS, ao longo de 40 anos de carreira…

Mas, já agora, que a ética parece ter pouco a ver com as lutas sindicais, por que não vender as toneladas de coca apreendidas e, com o lucro, dar o aumento que os enfermeiros exigem?

Assim como assim…

Marcelo ficou com “uma grande vontade”

Sunday, January 27th, 2019

Há muito tempo que está na cara que Marcelo Rebelo de Sousa se vai recandidatar à Presidência da República.

No entanto, sempre que era questionado sobre a possibilidade de um segundo mandato, Marcelo esquivava-se e dizia que só lá para 2020 decidiria.

Balelas, claro.

Agora, durante mais uma das suas visitas de Estado, desta vez ao Panamá, Marcelo confessou que ficou com “uma grande vontade” de se recandidatar.

E o que fez Marcelo mudar de opinião e antecipar a sua decisão?…

Terá sido o facto de ter sentido que os eleitores estão satisfeitos com a sua actuação como Presidente, que sentem que ele tem ajudado à estabilidade política, que gostam desta dita “presidência dos afectos”, que valorizam as suas intervenções equilibradas?

Nada disso.

Marcelo ficou com uma “enorme vontade” de se recandidatar ao confirmar que o Papa Francisco tinha decidido que as próximas Jornadas Mundiais da Juventude, em 2022, serão em Lisboa.

Ora bolas, Marcelo – até parece que foste eleito Presidente do Vaticano, pá!…

Notas soltas – 1. Os urinóis públicos

Thursday, January 24th, 2019

No romance de Mário Vargas Llosa, “Os Cadernos de Dom Rigoberto” (1997), o personagem principal nunca lava as mãos depois de urinar – sempre antes! ele acha que tem a pila muito mais limpa que as mãos!

Estou de acordo com Dom Rigoberto: a minha pila está muito mais limpa que as minhas mãos quando vou urinar a um urinol público. Enquanto a minha pila, muito bem lavadinha logo pela manhã, se mantém impoluta, as minhas mãos já roçaram corrimões, já apertaram outras mãos, já afagaram o volante do carro e o cinto de segurança e outros múltiplos objectos – de certeza que as minhas mãos estão muito mais sujas que a minha pila.

Portanto, quando vou urinar, devo lavar as mãos primeiro.

Depois de urinar, lavar as mãos é opcional – a menos que tenha mijado para elas, inadvertidamente…

Os urinóis públicos são o cúmulo da democratização sexual entre homens.

Que outro local existe em que dois ou três – ou mais! – homens expõem as suas pilas uns aos outros, exibindo jactos e abanões, mostrando os que são mais rápidos a iniciar a micção, os que conseguem mijar mais alto, os que abanam sem torcer?

Enquanto, na porta em frente, as mulheres têm uma sanita para cada uma, onde podem fazer xi-xi e dar puns no recato, os homens têm que se peidar em comunidade, enquanto apontam para o urinol – os que conseguem.

Nos urinóis, há sempre um olheiro, como nos campos de futebol da província, à procura de um novo talento; e há quem fique agarrado à pila, horas a fio, à espera que, no urinol contíguo, surja uma nova esperança do futebol, perdão, da mija, que consiga lançar o jacto no infinito e mais além!…

Depois, há os inibidos que, incapazes de mijar em grupo, procuram as sanitas e, depois de as ocuparem mais do que é socialmente aceitável, ouvem pancadas na porta, provenientes dos que estão à rasca para cagar.

Voltando ao Dom Rigoberto e àqueles que têm sempre que lavar as mãos depois de mijar…

Essa malta deve ter as pilas muitos sujas!…

Depois de fazerem xi-xi, lavam as mãos como se não houvesse amanhã e secam-nas, demoradamente, no secador eléctrico, com aquele ruído de avião.

Parece-me que estes tipos não devem lavar as mãos em casa deles há semanas, tal o denodo que colocam na operação, lavando cada um dos dedos como manda a Direcção Geral da Saúde, depois as palmas e a seguir as costas, ou vice-versa…

Há quanto tempo não lavarão eles as suas pilas?…

O PSD tem MEL?

Wednesday, January 9th, 2019

O PSD é o partido mais português de Portugal: não governa nem se deixa governar – como dizia o general romano, referindo-se aos lusitanos (dizem…).

Desde a sua fundação, em 1974, o PSD já foi liderado por Sá Carneiro, Emídio Guerreiro, Sousa Franco, Menéres Pimental, Pinto Balsemão, Rodrigues dos Santos, Mota Pinto, Rui Machete, Cavaco Silva, Fernando Nogueira, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite, Passos Coelho e Rui Rio.

Dezassete líderes em 44 anos, o que dá uma média de 2,5 anos por cada líder!

Um autêntico saco de gatos!

Neste momento, o PSD está mais fragmentado que nunca, com a formação de grupúsculos, fazendo lembrar os pequenos bandos de extrema-esquerda que surgiram no post-25 de Abril.

Lembram-se do PCP (ml), o PC de P (ml), a OCMLP, a LCI, a AOC, a FEC-ml, etc, etc?

Pois o PSD está na mesma: primeiro, foi a Aliança, do Pedro Santana Lopes.

O nome do novo Partido – Aliança – faz lembrar um site de encontros para possível casamento ou o nome de uma nova igreja evangélica, com cultos acompanhados à viola e percussão.

Depois, surgiu o Chega! – um nome que nos remete para sites de defesa do consumidor.

E agora surgiu o MEL – Movimento Europa e Liberdade, liderado por um tipo chamado Marrão, que parece que é chefe de uma série de coisas estrangeiras (real estate sector lider, head of clients and markets, head of innovation and head of marketing, communication and business development – tantas vezes “head”, deve ser por isso que se chama Marrão!…).

Este MEL vai ter a primeira Convenção amanhã e nela participam vários membros do PSD, nomeadamente, Marques Mendes, Pedro Duarte ou Luis Montenegro. Mas também Santana Lopes, Assunção Cristas e Paulo Portas. E ainda outros senhores e senhoras, comentadores da nossa praça e que alinham com esta malta: João Miguel Tavares, Helena Garrido, Helena Matos, João Taborda da Gama – tudo malta que arrota postas de pescada nas televisões, tentando formatar as nossas opiniões.

Diz a insuspeita Manuela Ferreira Leite, sobre esta Convenção do MEL: “Acho que todo este tipo de movimentos que se baseiam em questões de natureza pessoal e muito marcados pela futura próxima constituição de listas para deputados (para o Parlamento Europeu) merecem-me algum desprezo”.

O PSD faz lembrar uma reunião de condóminos: ninguém chega a acordo na importância a pagar à senhora que lava as escadas.

E a senhora que, agora lava as escadas, chama-se Rui Rio, é do Norte, e tem mais de metade do partido contra ele.

O Papa e a laqueação de trompas

Tuesday, January 8th, 2019

Mas afinal, o que é que o Papa Francisco tem a ver com a laqueação de trompas, quando tem tantos problemas mais graves para resolver, como, por exemplo, o que fazer às centenas de bispos e padres que andam a violar criancinhas?!…

Segundo o Público, um documento divulgado pela Congregação para a Doutrina da Fé, por indicação do Papa Francisco, afirma que a retirada do útero e a laqueação de trompas, “mesmo quando feitas com o propósito de tornar impossível uma eventual gravidez que pode comportar algum risco para a mãe”, não são eticamente aceites pela Igreja, porquanto “o objecto próprio da esterilização é o impedimento da função dos órgãos reprodutivos”.

Portanto, que atitude deve tomar um casal de católicos fervorosos, em que a mulher foi submetida a três cesarianas anteriores e uma nova gravidez pode significar a ruptura do seu útero, com morte do feto e da própria mulher?

Simples!

O Papa Francisco e a Igreja católica diz-lhes que, para mandarem uma queca, devem “recorrer aos períodos inférteis”; em alternativa, devem considerar a “abstinência total”!

E depois, venham dizer-me que este Papa é tão bonzinho e popular e fofinho!

Desacelera Marcelo!

Monday, January 7th, 2019

É demais, Marcelo!

Que estejas em Cabo Verde no dia em que o Simões levou porrada, que sejas um dos primeiros a chegar quando aquele eléctrico capotou ali na Lapa, que te deixes filmar a passar a ferro, a beber minis, a abraçar sem-abrigo, a beijar tudo o que é vendedora de feira, ainda vá… agora, interromper uma reunião para telefonar à Cristina Ferreira?

A quem?!…

O Vasco Pulido Valente disse, na entrevista ao DN, que te estás a divertir que nem um cão.

É capaz de ser verdade mas, desta vez, portaste-te como um cão rafeiro!

Provérbios politicamente incorrectos

Sunday, December 9th, 2018

A PETA (não, não quer dizer aldrabice, quer dizer People for the Ethical Treatment of Animals), propõe alterar os provérbios, de modo a que a dignidade dos animais seja respeitada.

Suspeito que não tolerem coisas como “it’s raining cats and dogs” – e proponham que a frase seja mudada para “it´s raining like pitchers” (adaptação livre do nosso “está a chover a cântaros”).

O PAN (People And Nature, perdão, Pessoas, Animais e Natureza), decidiu seguir o exemplo do PETA e propõe que se alterem provérbios mais antigos que o cagar de cócoras.

Propõe, por exemplo, que “pegar o touro pelos cornos” se transforme em “pegar uma flor pelos espinhos” (os vegetarianos não estarão de acordo…).

Propõe, também, que “matar dois coelhos com uma só cajadada”, passe a ser “pregar dois pregos de uma só martelada (os carpinteiros, serralheiros e ofícios correlativos, irão protestar…).

E propõe, ainda, que “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”, passe a ser “mais vale dois pássaros a voar do que um na mão” (o que vai contra o negócio de todas as tabernas que ainda continuam a oferecer passarinhos fritos nas suas ementas).

Estou em desacordo.

Os provérbios são, por natureza, politicamente incorrectos.

Por exemplo: “quanto mais se baixa, mais se vê o cu”, é incorrecto por várias razões – porque só se aplica a quem usa saias (mulheres e escoceses) e porque não há mal nenhum em se ver o cu, desde que seja dos que merecem ser vistos; por outras palavras, depende do cu.

Em geral, os provérbios são exagerados, não têm correspondência na realidade, são absurdos e valem tanto como frases feitas, como “isto cada vez está pior”, que se aplica mesmo quando tudo está, de facto, melhor.

Por exemplo: “grão a grão, enche a galinha o papo” já não faz sentido, desde a introdução das rações multivitaminadas na alimentação do galináceos.

“Dá Deus nozes a quem não tem dentes” é absurdo. Nem Deus dá nada a ninguém (muito menos nozes), nem os desdentados pedem nozes, o que pedem é saúde oral no Serviço Nacional de Saúde, de preferência, gratuita.

Resumindo: os provérbios estão desactualizados, não são para levar a sério e não vale a pena modificá-los, para bem dos animais.

De qualquer modo, não fazia mal nenhum alterar alguns deles.

Proponho os seguintes provérbios de animais, actualizados:

– Mais vale um pássaro na mão que bois a voar, coitadinhos

– A cavalo de lado não se olha de frente, porque parece mal

– Cão que ladra também morde, mas não faz de propósito

– A galinha da vizinha é mais bonita que a minha, mas eu gosto de ambas