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Os poderes de Pinto Monteiro I

Thursday, August 5th, 2010

Pinto Monteiro I (leia-se “Primeiro”) diz que tem os mesmos poderes que Elizabeth II (leia-se “Segunda”).

Não está satisfeito e compreende-se.

Eu também não estaria.

Ser considerado o chefe dos procuradores e ser gozado por todos eles, estar no topo da pirâmide e ter um Sindicato a roer-me os calcanhares!…

Não sei porquê – preconceito, se calhar – sindicato cheira-me a suor, sovacos molhados, pêlos no peito, punhos no ar, dentes amarelos, bocas vociferantes expelindo perdigotos.

Caricaturas, eu sei…

Porque este sindicato dos procuradores é fato e gravata de seda, relógios automáticos, cabelo bem penteado, cuecas Armani (borradas na mesma, mas isso é outra questão, parecida com a história da lágrima do António Gedeão…).

E então, Pinto M onteiro I (leia-se “Primeiro”) quer outros poderes.

Por exemplo: a audição do Super-Homem, para poder fazer escutas sem precisar dos tipos da Judiciária.

Por exemplo: visão RX, para ver através das paredes e antecipar as tramas que lhe estão a tramar.

Por exemplo: poder voar.

Voar daqui para fora!

Proto manifes

Sunday, January 31st, 2010

Nos anos 70 do século passado participei numa manifestação. Descemos as avenidas, gritando “Otelo amigo, o povo está contigo!”

Não estava, como depois se viu.

Era uma manif dos GDUP que, se não me falha a memória, queria dizer Grupos Democráticos de Unidade Popular – ou será que era Grupo Desportivo União Piedense?…

De qualquer modo, estávamos no chamado PREC (processo revolucionário em curso) e até parecia mal que não nos manifestássemos.

Vem isto a propósito da manif dos enfermeiros, anteontem.

Igualzinho.

Avenida abaixo, gritando palavras de ordem – “Sócrates escuta, os enfermeiros estão em luta!” (um primor de originalidade…) – agitando bandeiras e cartazes, megafones em punho.

Tal como os professores, no ano passado, também os enfermeiros, este ano, entram neste folclore das manifestações, graciosamente organizadas pelos sindicatos que, como se sabe, nada têm a ver com o PCP.

Não seria mais original se os enfermeiros, em vez de gastarem dinheiro a alugar autocarros, montassem bancas e fizessem rastreios da diabetes, medissem o colesterol ou avaliassem a tensão arterial?

Não teria mais impacto, junto da população, se os enfermeiros montassem stands, nas capitais de distrito, onde fizessem educação para a saúde, fornecessem informações sobre a prevenção do cancro, estilos de vida saudável, planeamento familiar, a importância da precocidade da primeira consulta da gravidez, etc, etc?

Ou então, ao menos, que desfilassem nuas!…

A auto-avaliação

Friday, December 12th, 2008

Juro que quando escrevi o post em que propunha que os professores fizessem auto-avaliação, estava a brincar. Talvez a piada não fosse muito boa, mas juro que era a gozar.

Pois não é que os sindicatos propuseram exactamente isso à ministra, que cada professor elaborasse um relatório de auto-avaliação, que seria depois apreciado pelo Conselho Pedagógico?

Custa a acreditar que seja esta a alternativa que os professores têm para contrapor ao modelo da ministra que, com tantas simplificações, já pouco deve a ter com o modelo inicial.

E pronto – continua o desacordo e vamos continuar a assistir ao espectáculo dos professores, na rua e nas escolas, contrariando uma decisão de um governo aprovado pela maioria absoluta dos eleitores.

Se fosse aos professores, esperava calmamente pela eleições (são já para o ano) e votava em todos os partidos menos no PS e convencia os familiares, amigos e pais dos alunos a fazerem o mesmo.

Entretanto, segundo o Público, vem aí mais uma guerra, desta vez com os médicos. Parece que o governo quer aumentar o horário de trabalho dos médicos de 35 para 40 horas semanais, sem contrapartidas.

Fica já dito que, por mim, podem estar à vontade: é rara a semana que não trabalho entre 45 e 50 horas.

Mas acho que os sindicatos dos médicos devem exigir apenas uma coisa: que o horário dos médicos passe a ser igual ao dos professores.