Posts Tagged ‘sexo’

Californication – 2ª temporada

Thursday, May 13th, 2010

A maior parte das séries de televisão norte-americanas desta nova fornada, começa muito bem mas vai perdendo gás ao longo das temporadas. As excepções (Sopranos e The Wire), confirmam a regra.

Californication ainda só vai na 2ª temporada e, por enquanto, mantém a mesma performance. Claro que não se compara a qualidade desta série soft-porno-chic, com The Wire, por exemplo – são coisas completamente diferentes, mas Californication é divertida, mantém um andamento apreciável e como os episódios são curtos, não chega a chatear.

Duchovny, no papel do escritor falhado, continua o seu underacting e, com aqueles olhos de carneiro mal morto, vai papando as miúdas todas da série, mas sempre sem querer e com uma dose de culpabilidade que dura 10 minutos.

Gosto muito da personagem de Charlie Runkle, interpretada por Evan Handler, masturbador compulsivo, agente de actrizes porno falhadas e que parece estar sempre no local errado, à hora errada.

Vejamos se a 3ª temporada mantém o ritmo das duas anteriores.

“Casais Trocados”, de John Updike

Sunday, April 11th, 2010

Publicado em 1968, a acção de “Couples“, de John Updike, decorre no início dos anos 60 e é pontuada por alguns acontecimentos da política norte-americana, nomeadamente, a crise dos mísseis de Cuba, o assassínio de Kennedy e a indigitação de Jonhson.

A história desenvolve-se em Tarbox, uma pequena localidade costeira de Massassuchets, onde uma série de casais vivem uma intensa vida social, com constantes jantares e festas e jogos de ténis. Nos intervalos, vão para a cama uns com os outros, trocando de pares com algum à-vontade, contrariando o puritanismo protestante reinante, embora mantendo uma capa de respeitabilidade.

Esta aparente liberdade sexual tornou-se mais fácil com o advento da pílula e as jovens mulheres, donas-de-casa ociosas, não se ensaiam muito para experimentarem os dotes sexuais dos maridos das amigas.

O principal herói, é Piet Hanema, um descendente de holandeses, frequentador da igreja, que detém uma pequena empresa de construção e renovação de edifícios e que, à conta de ir lá a casa ver o que se pode fazer a esta porta empenada ou ao telhado que está partido, vai papando as mulheres dos seus amigos, acabando por engravidar uma delas. Para conseguir uma interrupção da gravidez, oferece a um dentista local, que se encarregaria do acto, uma noite com a sua própria mulher. O dentista aceita e a mulher de Piet também…

A linguagem de Updike é rebuscada e, de repente, crua. Parece que a sua descrição dos actos sexuais, pouco frequente na literatura dos anos 60, acabou por dar mais notoriedade ao livro e Updike foi capa da Time, por isso.

De facto, Updike tanto pode fazer descrições líricas do firmamento, da praia e dos paiús, como esta: 

“Cercava-o o trilar monótono dos grilos. A noite límpida ameaçava gear. A cascata rígida das estrelas parecia ter sofrido um empurrão lateral: Vega, rainha do céu de Verão, já não reinava no zénite, tendo cedido o seu lugar à pálida Deneb e a uma constelação esfumada em forma de casa.”

Como pode usar uma linguagem explicíta, no que toca ao sexo, como esta pequena passagem:

“Ela puxou-lhe os cabelos, Vem cá para cima. «Vem para dentro de mim». E ele verificava, espantado, ele que ainda na véspera penetrara Foxy Whitman, que não havia cona como a de Angela, nenhuma era tão licorosa e cheia. (…) Tens uma cona celeste.”

É pena que a edição que comprei (Editorial Inova), seja tão pouco cuidada. Alguns erros de tradução são tão gritantes que existem frases que não fazem qualquer sentido e mais parecem erros tipográficos (serão?).

Apesar de ser um romance um pouco datado, vale a leitura.

“Zack and Miri Make a Porno”, de Kevin Smith

Tuesday, March 2nd, 2010

Quem sabe inspirado no britânico “The Full Monty“, em que seis trabalhadores desempregados resolvem montar um espectáculo de strip-tease para angariar fundos, o argumento desta comédia conta-nos a história de Mark e Miri, que se conhecem desde a escola primária e partilham a mesma casa, embora nunca tenham partilhado a mesma cama.

Sem dinheiro, com a água a luz cortadas, decidem fazer um filme porno para tentar arranjar umas massas.

Esta ideia tão disparatada podia dar origem a um filme completamente idiota, do género das comédias para adolescentes tão ao gosto de alguns norte-americanos.

Mas não. O filme vê-se bem, o tipo que faz de Mark (Seth Rogen) tem graça, as situações são divertidas, sem serem demasiado escatológicas (excepto uma, enfim…) e até se conseguem alguns sorrisos.

Claro que não perderia uma tarde no cinema por causa disto, mas tolera-se.

(Participação especial de Traci Lords – quem se lembra dela?)

Quecas abençoadas (1)

Friday, February 26th, 2010

“Heterossexual, espanhol, ao serviço da tua felicidade. Para mulheres ou casais, bem dotado (15 cm), sou aberto a tudo menos ao sadomasoquismo, não lamentarão, dar-vos-ei prazer como nunca.”(2)

Era este o texto do anúncio que Samuel Martin, padre de duas paróquias de Toledo, fez publicar em sites da especialidade.

Preçário: 50 euros por 15 minutos; 120 por uma hora.

Consta que, antes de se deitar com os clientes e iniciar a chafurdice, o padre aspergia-os com água benta.

No final, todos rezavam, ajoelhados.

Preçário: sexo oral – um padre nosso; sexo clássico – um padre nosso e uma avé maria; sexo anal – três padres nossos e uma salvé raínha; sexo anal, oral, vaginal e tudo o que te vier à cabeça – missa completa.

Boa Samuel! Deste a volta aos gajos do Vaticano!

É pecado sexo sem ser para procriar? Fornicas com o padre e o acto fica abençoado!

(1) Quecas abençoadas é muito diferente de abençoadas quecas! É como a diferença entre corpo consular e consolar o corpo…

(2) “Bem dotado” com 15 cm?! Ai Samuel, Samuel, não passas de um lingrinhas!…

Foda à Monção?

Friday, January 22nd, 2010

Confesso que nunca provei uma foda à Monção.

Modéstia à parte, já provei fodas nos 5 continentes, mas nunca em Monção.

Em Valença, sim, que é lá perto, mas quando pernoitei em Monção estava com o estomago muito pesado e não dei uma para a caixa.

Agora, o que eu não sabia – juro que não sabia! – é que a Câmara de Monção quer mesmo certificar as fodas à moda lá da terra.

Que ideia do c******!

Já viram bem o orgulho que é um cidadão de Monção andar com um certificado, tipo um crachá, espetado no peito, dizendo algo do género: fodas à Monção é comigo!

E não há cá eufemismos: não é fazer amor à Monção, ou queca, ou mocada, ou trolitada, ou cambalhota à Monção.

É mesmo foda e mais nada!

É de Câmaras Municipais como esta que o povo precisa!

(certificar Diário de Notícias de ontem)

Quecas e ovos podres

Friday, March 6th, 2009

O Viagra melhora a performance sexual, graças ao óxido nítrico. Simplificando: o óxido nítrico relaxa as estruturas vasculares que, ao nível do pénis, se enchem de sangue, permitindo uma erecção firme e duradoura.

Problemas?

Dois: 1º, homens que estejam a tomar nitratos (para doenças cardíacas), não podem tomar Viagra; 2º, o Viagra é caro.

Mas, e se o ácido sulfídrico tiver o mesmo efeito?

Cientistas italianos fizeram experiências que parecem demonstrar que este ácido tem um efeito semelhante ao óxido nítrico.

Grande vantagem: o ácido sulfídrico é barato.

Grande desvantagem: o ácido sulfídrico é a substância que confere aos ovos podres aquele cheiro tão peculiar.

Não me estou a ver a snifar ovos podres para mandar uma queca de jeito…

“O Animal Moribundo”, de Philip Roth

Friday, February 27th, 2009

animalmoribundoPhilip Roth é, neste momento, um dos meus escritores favoritos.

Entrei em contacto com ele no ano 2000, com “Teatro de Sabbath”, de 1995. Fiquei fascinado pelo vigor e crueza da escrita torrencial.

Depois desse, já li muitos dos seus livros: “A Mancha Humana” (2000), “Todo-o-Mundo” (2006), “A Conspiração Contra a América” (2004), “Pastoral Americana” (1997), “Casei Com Um Comunista” (1998) e “Património” (1991) .

“O Animal Moribundo” é um pequeno livro, com pouco mais de 100 páginas, em que um professor e crítico de arte de quase 70 anos, narra as suas aventuras sexuais com algumas das  suas alunas, que se sentem atraídas pela maturidade e pela cultura do professor.

David Kepesh, assim se chama o narrador, conta, sobretudo a sua relação com Consuella Castillo, uma jovem cubana, com quem manteve maratonas sexuais quando ela tinha pouco mais de 20 anos e ele já tinha ultrapassado os 60.

Agora, que ela tem 32 anos e ele já está nos 70, e depois de já não se verem há vários anos, Consuella vem ter com o antigo amante. Tem um cancro da mama, está a fazer quimioterapia, perdeu o cabelo, quer ajuda para enfrentar o fim e vai procurá-la junto de quem, naturalmente, está mais perto da morte.

O erotismo, a passagem do tempo, a idade, a morte – tudo isto não é exclusivo de determinados grupos etários.

Nesta história, temos um homem de 70 anos, cheio de vigor e de desejo e uma mulher de 32 anos, enfrentando a morte.

Por coincidência, a capa do livro, da responsabilidade do atelier de Henrique Cayate, poderia muito bem levar à apreensão do livro pela PSP de Braga, como aconteceu recentemente

Californication – 1ª série

Friday, February 20th, 2009

Criada por Tom Kapinos, Californication é uma série muito divertida. Começando logo com o protagonista a sonhar que está numa igreja e que uma freira lhe oferece um “blow job”, podia descambar numa grandessíssima ordinarice, mas não – consegue manter uma classe muito elevada, mesmo quando a miúda de 16 anos, montada no escritor falhado Hank Moody, lhe prega dois valentes socos no momento em que atinge o orgasmo.

David Duchovny faz um Hank Moody muito cool: fumador, desleixado, desarrumado, deprimido, provocador, mas, no fundo, um gajo porreiro, que anda um pouco à deriva.

A sua ex-companheira deixou-o porque ele era demasiado desordenado e juntou-se com um tipo muito certinho, mas que não tem piada nenhuma e continua a deixar-se seduzir pelo escritor. A filha de ambos, uma teen-ager estranha, com ar gótico, balança entre o papá e a mamã e tem a mania que vai ser uma pop star. O agente de Moody, é um careca libidinoso, que se envolve em jogos sado-masok com a secretária porque o seu casamento está uma seca, mas acaba por se envolver numa “ménage à trois” que, em vez do excitar, o inibe.

Enfim, a galeria de secundários é ilustre e há muito material para desenvolver.

Ao contrário da imagem do californiano bem parecido, bronzeado e musculoso, Hank Moody é longilíneo, tem barriguinha e apresenta-se sempre com a barba por fazer e com o ar de quem dorme mal há décadas. Apesar disso, não se safa nada mal nos engates.

A série mostra muitas maminhas, rabiosques e, em geral, mais superfície epidérmica do que é habitual na televisão e, em 12 episódios, percorre quase todas as fantasias heterossexuais mais consensuais.

Uma boa arrancada. Vejamos o que a 2ª série nos reserva.