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O Nobel para Rita, já

Saturday, May 16th, 2015

Rita Redshoes é uma menina que canta e até já editou alguns discos de música pop, cantada em inglês (daí o apelido, que Sapatos Vermelhos soaria foleiro…)

Não satisfeita com a música, decidiu, também, escrever um livro.

Pior: decidiu publicar um livro!

rita redshoesChama-se “Sonhos de uma Rapariga Quase Normal” (edição Guerra & Paz) e o Diário de Notícias dedica-lhe, hoje, uma página inteira, com chamada de primeira página.

E essa chamada diz: «Passos Coelho pediu a Rita em casamento. E ela disse que sim».

A acompanhar esta frase bombástica, uma foto da menina, ocupando um quarto da primeira página do jornal.

Que se passa, afinal?

Afinal, foi simplesmente um sonho da Ritinha.

Pois a Ritinha lembrou-se de tomar nota dos seus sonhos e, não satisfeita com isso, vertê-los para livro e publicá-los!

Que ideia genial!

Vale a pena transcrever a prosa transcendente do livro da Rita.

«Boa tarde. Peço desculpa por incomodar, mas há coisas na vida inexplicáveis, encontros, certezas… e uma dessas coisas aconteceu-me agora mesmo quando a vi entrar. Rita, aceitas ser minha noiva?, pergunta-lhe o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. “Sim”, responde-lhe Rita Redshoes. “Eu respondi sim! Sim… e até mesmo no próprio sonho me lembro de ter pensado que estava completamente louca”, escreve a artista, contando o que se passou na noite de 15 para 16 de fevereiro de 2014».

Felizmente, a Rita conta no livro que também sonhou com António Costa, e assim a Oposição não fica zangada…

O artigo não especifica se Rita é suficientemente democrática para ter sonhado, também, com Paulo Portas, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e Garcia Pereira, mas ficamos a saber que sonhou com Pinto da Costa, Obama, Maria Callas e José Rodrigues dos Santos.

Confesso que fiquei com curiosidade, não para saber o conteúdo desses sonhos, para para saber o que levou o Diário de Notícias a publicar isto, ainda por cima, no suplemento Mais Artes.

Depois da biografia em que revela que Portas se demitiu por sms, só faltava a Passos Coelho um livro de uma jovem cantora que confessa que, pelo menos simbolicamente, desejava casar com ele.

Claro que o Freud poderia explicar isto, se valesse a pena.

Não vale.

Prémio Nobel da Paz 2011

Friday, October 7th, 2011

Foi hoje anunciado o Prémio Nobel da Paz deste ano.

O Prémio foi atribuído a três mulheres: Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria; Leymah Gbwoee, activista liberiana pelos direitos das mulheres; e Tawakkul Karman, opositora à ditadura do Iémen.

Os Prémios Nobel são sempre objecto de polémica, sobretudo os da literatura e da paz porque são coisas mais terra-a-terra. Pôr em causa o Nobel da Química, atribuído a um cientista que descobriu os “não-cristais”, não nos passa pela cabeça, porque não fazemos a mais pequena ideia do que são “não-cristais”.

Agora, conceder o Nobel da Literatura a um poeta sueco que só o Vasco Graça Moura sabe quem é, em vez de premiar Bob Dylan (?), ou mesmo, Lobo Antunes!…

E quanto ao Nobel da Paz, basta recordar que ele já foi atribuído a Anwsar Sadat e Menachem Begin, Henry Kissinger, Barak Obama, Ximenes Belo e Ramos Horta, Shimon Peres e Arafat e até a um obscuro sindicalista católico e polaco, de grandes bigodes, chamado Lech Walesa – basta recordar estes nomes para desconfiar da isenção do comité que escolhe os laureados. Claro que a escolha tem uma forte componente política.

Este ano, escolheram três mulheres e só podem ser aplaudidos por isso.

Destaco a presidente da Libéria, Ellen Sirleaf.

Deve ser preciso muitos tomates para ser mulher e presidente de um país como a Libéria.

Nota: o Prémio Nobel da Paz é atribuído pela Academia Norueguesa (enquanto os outros são da responsabilidade da Academia Sueca). A decisão é tomada aqui e o prémio é entregue aqui.

“O Homem Lento”, de J. M. Coetzee (2005)

Saturday, June 18th, 2011

Coetzee é garantia de boa leitura, como já tinha comprovado com “A Vida e o Tempo de Michael K” (1983), “Desgraça” (1999) e “Diário de Um Ano Mau” (2007).

Neste romance, Paul Rayment é um fotógrafo sessentão, à moda antiga, avesso aos avanços da tecnologia que, certo dia, ao passear de bicicleta, é abalroado por um carro.

Na sequência dos ferimentos sofridos, amputam-lhe uma perna. Paul recusa a prótese e volta para casa ainda mais deprimido do que já estava antes. É um homem amargo, misógino, divorciado, que nunca teve filhos.

De acordo com a assistência social, uma enfermeira é destacada para dar apoio a Paul, dar-lhe banho, limpar-lhe a casa, alimentá-lo (a acção decorre na Austrália). Mas o feitio de Paul é muito difícil e as enfermeiras vão-se sucedendo. Nenhuma aguenta muito tempo as idiossincrasias do fotógrafo.

Surge então uma enfermeira de origem croata, Marijana, que consegue dar a volta a Paul, com a sua simplicidade de mãe de família, habituada a ultrapassar muitas dificuldades. A pouco e pouco, o fotógrafo percebe que se está a apaixonar pela enfermeira.

Nessa altura, entra em cena a escritora profissional Elizabeth Costello, uma septuagenária que está à procura de material para o seu futuro romance. Paul e a sua perna amputada, Marijana, o seu maridos e os três filhos, são excelentes personagens.

Em resumo, este é o riquíssimo material que Coetzee juntou para escrever este livro.

Acrscente-se as recordações de infância de Paul, de origem francesa, com um padrasto holandês, a sua paixão platónica por Marijana, que o leva a querer proteger e ajudar os seus filhos, a paixão, também ela platónica, de Elizabeth por Paul, os problemas dos dois filhos mais velhos da enfermeira, e temos um livro cheio de questões éticas de difícil resposta.

Mas também não é de respostas que Coetzee está à procura. A missão do escritor é, exactamente, a de levantar as questões. Compete-nos meditar sobre elas.

Boa companhia de viagem, mais este romance de J.M. Coetzee, escritor nascido na África do Sul, em 1940, e que recebeu o Nobel em 2003.

“A Vida e o tempo de Michael K.”, de J. M. Coetzee

Friday, June 25th, 2010

Ao contrário de “Solar”, li este livro de Coetzee de um fôlego.

Coetzee (prémio Nobel da literatura em 2003), conta-nos a história de Michael K., um sul-africano que nasceu com lábio leporino e com um ligeiro atraso mental e que trabalha como jardineiro municipal. A mãe de Michael está muito doente e gostaria de voltar para a sua terra natal, antes de morrer. Michael decide levar a mãe, percorrendo as estradas do país com a mãe, num carrinho improvisado, e isto apesar do país estar mergulhado no que parece ser uma guerra civil.

O livro está dividido em três partes: na primeira parte, o autor conta-nos a odisseia de Michael; na segunda, é o médico que está a tratar de Michael, depois de ele ser internado numa espécie de campo de concentração, que fala, contando-nos o que sente em relação a este homem que não quer comer; na terceira parte, voltamos a Michael, para conhecer o desfecho da sua aventura.

Em parte alguma, Coetzee nos dá indicação da etnia dos personagens mas, sabendo nós que a história se passa na África do Sul, somos levados a crer que Michael é negro, que o patrão para quem a sua mãe trabalhava é branco, que o médico também deve ser branco e que a enfermeira Felicity deve ser negra.

Aconselho.

Pacheco Pereira. Quem é? Ninguém!

Saturday, October 10th, 2009

Pacheco Pereira é o protótipo do intelectual vazio da “inteligência” portuguesa.

Ressabidado, ficou muito zangado com a atribuição do Nobel da Paz a Obama.

Francamente! O tipo é preto, é democrata, é de “esquerda” (à moda americana) e dão-lhe assim, de mão beijada, um Nobel da Paz, quando há tanta gente com tanto trabalho feito em prol da Paz e do Progresso e que não consegue, sequer, ganhar as eleições, como a GRANDE MANUELA FERREIRA LEITE!!!

Diz o patético Pacheco: “o que é que fez Obama a favor da paz, ou melhor, da Paz com letra grande? Nada.”

Pacheco é ridículo. Um cada vez mais barrigudo comentador político que, há décadas, pontifica na rádio, nos jornais, na televisão e que ainda não forneceu uma única ideia boa, não fez um único trabalho positivo, não contribuiu com coisa nenhuma para o avanço do país, muito menos, do mundo – mas que tem sempre uma opinião sobre tudo e sobre todos e é ouvido, é escutado, é transcrito, é citado.

Pacheco, um ex-MRPP que apoia uma fulana como Ferreira Leite para o cargo de primeira-ministra, um tipo que se diz orgulhar de possuir uma vasta biblioteca, não percebe o gesto simbólico dos suecos ao premiarem Obama com o Nobel da Paz?

Então, Pacheco, afinal, é uma fraude porque, no fundo, é burro.

E, sinceramente, eu não acho que Pacheco seja burro – é apenas um tipo banal, que ganha a vida a dar palpites, que nunca produziu nada e que tem acesso aos órgãos de comunicação.

Vou gostar de te ver no Parlamento, pá!

Trucidado!

“Fome”, de Knut Hamsun

Friday, May 8th, 2009

fomeKnut Hamson (1859-1953), escritor norueguês, prémio Nobel da Literatura de 1920, é idolatrado por alguns colegas.

Thomas Mann disse que “Hamsun é o maior escritor de sempre”. André Gide disse que ele “apenas é comparável a Dostoievski, mas talvez mais subtil”. Paul Auster escreveu o prefácio desta edição da Cavalo de Ferro.

Segundo o The New Yorker, este primeiro romance de Hamson “é um romance intemporal que influenciou autores como Kafka e Henry Miller”.

Com efeito, “Fome” não parece um livro escrito no final do século 19. O romance não tem história, não tem personagens, a não ser o narrador, praticamente não tem acção. É, de facto, um livro onde não se passa nada, e isso deve ter sido muito inovador, em 1890.

Em “Fome”, um escritor deambula pela cidade, cheio de fome. Não tem ocupação, não tem dinheiro e tem mesmo muita fome. Está dias seguidos sem comer nada. Alucina. Apesar disso, escreve. De vez em quando, consegue vender um dos seus artigos, mas rapidamente gasta o pouco dinheiro que recebe em troca.

E é com este material, aparentemente parco, que Hamsun constrói toda a narrativa de coisa nenhuma.