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As eleições autárquicas explicadas pela onomástica

Monday, October 2nd, 2017

São os nomes que são importantes, não os Partidos.

Por razões óbvias, os Partidos são, por nomenclatura, partidos.

Os nomes, por outro lado, são inteiros. Completos. Totais.

O PCP perdeu Almada?

Claro! Como se chama o candidato comunista?

Chama-se Judas.

Não é a primeira vez que um Judas trai a sua religião…

Diz-se, também, que o grande derrotado é o Passos Coelho.

Mas nem todos os coelhos se lixaram com estas eleições.

Em Ourique, por exemplo, ganhou um Coelho do PS.

Qual o seu apelido completo?

Coelho Guerreiro!

Não Passos Coelho (ou coelho a passo), nem Leal Coelho (ou leal ao Coelho), mas um Coelho Guerreiro – um coelho como deve ser!

Mas há contradições, nestas eleições.

Que dizer quando verificamos que o presidente de Cuba se chama Casaca Português?

E que, em Mogadouro, ganhou um Guimarães, em Alcácer do Sal, um Proença, em Palmela, um Amora, em Melgaço, um Pombal, um Paredes, em Alijó, um Abrantes, em Carregal do Sal, um Moura, em Lamego, e em Condeixa-a-Nova, um Moita?

Que alguns políticos são lobos com vestes de cordeiro, todos sabemos.

Mesmo assim, em Proença-a-Nova, ganhou um Melo Lobo e, na Vidigueira, um Serrano Raposo.

Mas ninguém bate a onomástica alentejana. O Alandroal vai ser governado por um Aranha Grilo, Arraiolos, por um Tirapicos Pinto e Montemor-o-Novo por uma  Anjos Chegado Menino!

Os Grilos parecem ter invadido o Alentejo, nestas autárquicas.

Além do Aranha Grilo, do Alandroal, temos um Clemente Grilo, em Portel (como será um grilo clemente? perdoa mesmo quando é esmagado?).

No Redondo, ganhou um Recto. Um Recto no Redondo é sempre correcto. Sobretudo quando o apelido completo é Rega Matos Recto.

O PS conquistou muitas câmaras ao PCP no Alentejo. Mas, por vezes, precisou de ajuda. Por exemplo, em Viana do Alentejo, ganhou com a ajuda de um Bengalinha Pinto.

Em Vila Viçosa, pelo contrário, o PCP não cedeu e ganhou, com o seu candidato, de apelido Condenado…

Coitado!…

A importância da 3ª idade afirmou-se, nestas eleições.

Os velhotes gostam de votar.

Que o digam os eleitores de Aljezur, que elegeram o candidato do PS, Velhinho Amarelinho.

Já falei dos Coelhos.

Nem todos falharam, no entanto.

Em Faro, por exemplo, houve um Coelho que triunfou, embora tenha sido preciso uma coligação PPD/PSD-CDS/PP-PPM-MPT.

E, mesmo assim, o candidato vencedor não é carne nem peixe – chama-se Bacalhau Coelho!

De Aranhas, Grilos e Coelhos, estamos falados.

Mas temos outros animais nas autárquicas.

Tomem nota: um Robalo, do PSD, no Sabugal, uma Camelo, do PS, em Seia, um Chicharro, também do PS, na Nazaré, um Pombo, do PSD, em Arronches, um Leão, do PS, em Paços de Ferreira, um Cordeiro, do PNT, em S. João da Pesqueira.

No que respeita à vontade que cada autarca tem para decidir em prol da sua comunidade, as coisas variam entre um Rijo, em Arruda dos Vinhos, e um Folgado, em Alenquer, ambos do PS.

Por vezes, a ajuda divina é essencial. Talvez tenha assim que, em Cascais, ganhou o candidato do PSD/CDS, Lavrador de Jesus e em Sesimbra, o comunista Firmino de Jesus.

Jovens bem comportadas parecem ter conseguido convencer o eleitorado em Castelo de Vide, onde o PSD ganhou com um Nobre Pita, e em Elvas, onde o PS ganhou com um Mocinha.

Os candidatos gostam de beijar os eleitores durante as campanhas? Claro, que o diga Álvaro Beijinha, que ganhou em Santiago do Cacém.

A contradição é patente no presidente de Ourém, que se chama Grossinho Coutinho. Como é que um grosso pode ser grossinho?…

Claro que poucos presidentes poderão gabar-se de terem um nome tão pomposo como a nóvel presidente de Almada, Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida, mas também poucos se aproximam da simplicidade do novo presidente do Montijo, também do PS, e que se chama, simplesmente, Nuno Canta.

Ei Nuno! Canta, homem!

Coerência terá o presidente da Câmara do Barreiro, eleito pelo PS, e que se chama Costa Rosa (não Laranja, nem Vermelha – mas Rosa!)

Mas é difícil ser tão coerente como o vencedor da Chamusca, o socialista Cegonho Queimado.

Mais difícil ainda: ser mais cínico que o vencedor de Oeiras que é Isaltino e Morais!

Ou há moralidade ou comem todos!

(nenhum destes nomes é inventado – confirmar aqui…)

O elogio do medíocre

Saturday, September 16th, 2017

O Expresso de hoje dedica duas páginas inteiras a Miguel Relvas.

Quem?!

Miguel Relvas, o tipo que inventou o Passos Coelho, que nos mostrou como as equivalências podiam valer licenciaturas, o exemplo acabado do chico-espertismo da política.

Que fez Relvas para merecer duas páginas do mais antigo semanário português?

Mistério.

Mas alguma coisa deve andar a tramar para voltar à ribalta.

A entrevista, conduzida por Ângela Silva, leva por título: “Passos vai ser candidato a PM”, e Relvas é apresentado como “ex-ministro e ex-dirigente do PSD”.

Aí está a sua importância: a de ser ex-!

A entrevista não podia começar melhor: a primeira pergunta da Ângela é – “Boa-tarde, dr. Miguel Relvas. Que tal a sensação de poder, finalmente, ser tratado por dr.?”

Finalmente! O Relvas é doutor, porra!

Claro que o gajo responde à altura: “nunca precisei da licenciatura para obter qualquer objectivo na vida”. Acredito, dr. Relvas! Quem precisa seja do que for quando se tem os amigos certos nos sítios certos? No entanto, não há dúvida que sempre gostou do título. Caramba, nunca o ouvimos dizer, por exemplo, “não me chame doutor que a minha licenciatura é uma treta!…”

O finalmente doutor confessa que estudou muito, sobretudo Direito Administrativo, que é uma cadeira “chata”, à qual teve 13.

Depois de tecer algumas considerações sobre Marcelo, Passos Coelho, Rui Rio, Teresa Leal ao Coelho e Marco António Costa, Relvas faz o elogio de Paulo Portas e avança nomes para substituir Passos Coelho. Por outras palavras, prepara o terreno…

E o que faz o doutor Relvas?

É consultor na Roland Berger, trabalhando com fundos internacionais na área financeira, em empresas em Angola, Moçambique e Brasil.

E precisou da licenciatura para conseguir este lugar?

Claro que não.

Mas fazer parte do governo deu jeito…

Também não. Diz o doutor: “quando saí do governo tinha uns milhares de euros. Hoje, tenho uma situação completamente distinta. Agradeço muito a oportunidade de ter saído”.

Ora aí está uma afirmação digna de figurar na galeria das frases mais cínicas da história da política: um gajo que agradece ter saído do governo porque, desse modo, passou a ganhar mais dinheiro!

Chamamos-lhe o quê?… Cabrão?…

Não! Cabrão é um bebé que chora muito (https://www.priberam.pt/dlpo/cabr%C3%A3o) e Relvas não chora.

Mas mama!

Ah! se ele mama!

E o recém-doutor continua a avaliar os actuais políticos, incluindo Cristas e Costa, Marques Mendes e Santana Lopes, como se fosse um senador, uma espécie de político da velha guarda, reformado, que tem uma carreira longa e recheada de sucessos, que lhe permite ter um olhar privilegiado sobre Portugal.

Finalmente, a Ângela pergunta-lhe: “falta um projecto de media assumidamente de centro-direita?”

Confesso que fiquei perplexo com esta pergunta. Então o Expresso? Então o Sol? Então o Observador? Então o Eco? Então a SIC?… Então praticamente todos os órgãos de informação, escrita e digital?

Responde o doutor: “Penso que sim. (…) até o Observador caiu no politicamente correcto”.

Ó Relvas, tu não me digas que eu estou enganado e que o Observador, afinal, é de esquerda!

Hilariante, se não fosse trágico…

Nossa Senhora: demita-se!

Saturday, July 8th, 2017

“De um dia para o outro, o ambiente toldou-se – como se Nossa Senhora de Fátima, depois de ajudar o Governo durante um ano e meio, lhe houvesse voltado as costas.

De facto, a tragédia que se abateu sobre Pedrógão Grande e o roubo de material de guerra em Tancos parecem obra do demónio”

  • José António Saraiva, no semanário Sol, hoje

É assim que a Direita vê as coisas.

O sucesso do Governo da Geringonça durante um ano e meio, foi obra da Nossa Senhora de Fátima.

A tragédia de Pedrógão e o roubo de Tancos, são obra do demónio.

Portanto, pedir a demissão da ministra da Administração Interna e do ministro da Defesa parece-me ocioso.

Que se demita a Nossa Senhora de Fátima, carago!

Nem no ano em que o bonzinho Papa Francisco veio a Portugal, ela nos dá uma ajudinha?!

Ingrata!

25 Sempre!

Tuesday, April 25th, 2017

Em outubro de 1973 houve eleições para a Assembleia Nacional.

Concorreram a Acção Nacional Popular (ANP) e… a Acção Nacional Popular.

A Comissão Democrática Eleitoral (CDE), que congregava diversas forças da Oposição, desistiu antes do acto eleitoral, considerando que as eleições não eram democráticas.

Foi o último acto eleitoral antes do 25 de Abril de 1974, a última farsa permitida pelo sardónico Marcelo Caetano, que tinha prometido uma abertura democrática, que nunca aconteceu. No entanto, alguma liberdade de imprensa foi permitida, durante a campanha eleitoral.

Foi graças a essa ténue abertura, que foi possível publicar, no suplemento Fim de Semana do jornal República, estas pequenas “piadas”, sobre as eleições, a que chamámos “O Maumento Eleitoral” (claro que a ANP era a Lista A… e não havia mais nenhuma lista candidata…; três das curtas cenas foram ilustradas por um tipo que assinava Patrício e que, sinceramente, nunca conheci pessoalmente…)

Tudo isto parece um pouco patético e até infantil, mas era a única maneira de passar pelas malhas da censura e, digo-vos muito sinceramente, na altura fiquei espantado como aquele suplemento do República veio a público.

O Maumento Eleitoral

1º Voto

Um cavalheiro entra numa loja:

– Bom dia, eleições?

– Não temos.

2º Voto

 

3º Voto

Em frente à urna. um cidadão:

– Eu vinha votar, mas posso ter a certeza de que o sigilo do meu voto será mantido?

– Certamente! Passe para cá o seu voto na Lista A!

 

4º Voto

5º Voto

– Já contaram os votos do Barreiro?

– Não. As urnas foram a enterrar!

 

 

 

 

 

 

 

 

6º Voto

 

Jerónimo, aproveita agora!

Saturday, January 14th, 2017

Factos:

1. O governo de António Costa conseguiu assinar um acordo com os patrões e os sindicatos da UGT para aumentar o salário mínimo nacional, a troco de uma descida da TSU para as empresas.

2. O governo de coligação PSD/CDS já tinha feito o mesmo há dois anos.

3. O PCP e o BE sempre foram contra a descida da TSU das empresas; dizem que, deste modo, os patrões vão continuar a pagar salários mínimos porque isso lhes dá benefícios e que é o Orçamento do Estado que fica a pagar a descida da TSU.

4. O PCP vai apresentar, na Assembleia da República, uma proposta para anular a descida da TSU e, portanto, inviabilizar o acordo alcançado entre patrões e UGT; o Bloco de Esquerda, apoia esta iniciativa.

5. O PSD também votará ao lado do PCP e do BE.

Porque sim.

Claro que já aconteceu no passado. Todos se recordam que o governo do Sócrates foi derrubado por uma coligação de PCP, BE, PSD e CDS.

O ressabiado Passos Coelho disse que votará ao lado do PCP e do BE porque se os da chamada geringonça não se entendem, por que raio há de ser ele a ajudá-los.

Portanto, não vota porque acha que é errado baixar a TSU, ou subir o salário mínimo.

Vota a favor do PCP e do BE apenas por raiva por lhe terem tirado o poleiro.

Jerónimo de Sousa, se estás a ler este texto, ouve o que te digo e aproveita agora: apresenta no Parlamento uma moção a favor da saída de Portugal do euro, que é uma coisa que vocês, comunistas, há muito defendem.

Sabemos que o PS quer continuar no euro, mas certamente que o PSD votará ao vosso lado, só para foder o Costa!

Aproveita, Jerónimo, não sejas palonço!

Donaldo Trampa

Wednesday, November 9th, 2016

Nunca leu um livro.
Tem desprezo pelos políticos.
Considera-se fora do sistema.
Não se engana.
Não tem dúvidas.

Onde é que eu já ouvi isto?

trump

Matar vai ser mais caro

Saturday, October 15th, 2016

A chamada geringonça decidiu adoptar a política de Vítor Gaspar e continuar o brutal aumento de impostos.

Quem tenha uma bruta vivenda, seja doido por Coca-Cola e goste de caçar, está mesmo tramado.

A partir de Janeiro, vai pagar um extra sobre o IMI da vivendaça com valor patrimonial acima de 600 mil euros, a enormidade de 16 euros por cada hectolitro de Coca-Cola que beba e a brutalidade de 0,02 euros por cada bala com chumbo que dispare!

Quer dizer, que mesmo aqueles maridos que decidem matar as esposas terão que pensar duas vezes, antes de optarem pela caçadeira em vez da navalha.

Por outro lado, os paizinhos terão que aumentar a semanada dos filhos adolescentes, já que uma garrafa de litro de Coca-Cola passará a custar mais 16 cêntimos do que actualmente!

Uma vergonha!

Compreende-se a indignação da Assunção Cristas – ela tem quatro filhos, caramba!

Quanto à taxa que se sobrepõe ao IMI para imóveis de luxo, fiquem descansados os milhões de portugueses que têm apartamentos nas zonas nobres das grandes cidades ou moradias apalhaçadas – só pagam acima de 600 mil euros! Safa!

Para além da chamada fat tax, a geringonça podia ter ido mais longe e taxar outras coisas que também fazem mal à saúde.

Exemplos? Bandarilhas e cavaleiros tauromáquicos, debates televisivos sobre futebol e calinadas de jornalistas no português, para citar apenas três exemplos.

Cavaco ainda mexe!

Sunday, July 24th, 2016

Almoço de homenagem a Cavaco Silva.

Um grupo de amigos decide agradecer-lhe publicamente pelos 20 anos que esteve a tomar conta de nós, como primeiro-ministro e como presidente.

A recepção dos amigos aconteceu na cavalariça do Pestana Palace.

Na cavalariça?… compreende-se…

Entre os amigos presentes, contavam-se muitos banqueiros: Fernando Faria de Oliveira, ex-presidente da CGD e actual presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Vítor Bento, que esteve à frente do Novo Banco, Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do Millennium BCP, Norberto Rosa, actualmente consultor do conselho de administração do Banco de Portugal, mas ex administrador e ex-vice-presidente da comissão executiva da Caixa e ex-vice-presidente do BPN.

Compreende-se…

No final do almoço de bacalhau com batatas, Cavaco discursou.

E disse, por exemplo:

“Há muita coisa que não se sabe [da forma como exerceu a Presidência] porque tomei a decisão de manter muita coisa reservada por convicção de que essa era a melhor forma de manter o superior interesse nacional.”

Portanto, para Cavaco, o superior interesse da nação implica esconder coisas, não divulgar coisas…

O homem acha que, sem ele, Portugal tinha sido outro país – e tem toda a razão.

Convencido da sua importância na História de Portugal, acrescentou:

“Em que outro tempo teria sido mais útil para o meu país a minha experiência como primeiro-ministro, o meu conhecimento de economia e finanças, o meu conhecimento das instituições europeias? Não consigo ver outro e portanto foi o tempo certo para ter sido Presidente da República”.

Por acaso, eu vejo outro tempo em que Cavaco podia ter sido o homem certo no lugar certo: o tempo da Outra Senhora, por exemplo.

Quem se lembra, hoje, do presidente Craveiro Lopes?

Quem se vai lembrar, daqui a 50 anos, do presidente Cavaco Silva?

Sempre convencido, Cavaco avisou que ainda tem uma palavra a dizer.

Será: “Ó Maria, já tomei as gotas hoje?”

cavaco e leonor (2)

Sanções ou Sansões?

Wednesday, July 6th, 2016

A União Europeia está preocupada com os 0,2% acima do défice de 3% de Portugal em 2015.

É compreensível.

Comparado com isso, os milhões de refugiados, o Brexit e os atentados terroristas são peanuts.

O que a UE não pode aturar é países pindéricos que ultrapassem os 3% de défice.

Outros podem fazê-lo, como a França, mas não são pindéricos.

E se há um Tratado Qualquer que diz que se devem aplicar sanções a esses países, por que não?

Nunca se fez?

Alguma vez havia de ser a primeira.

António Costa escreveu uma carta ao Sr. Junkers, explicando por que razão as sanções não devem ser aplicadas.

A oposição queria conhecer o conteúdo da carta mas o governo diz que é privada.

Para mim, acho que a carta deve ser mais ou menos assim:

“Exmo. Sr. Presidente Junkers,

É pá, deixa-te mas é de merdas e mete as sanções no cu!”

Perante isto, a UE decide mesmo avançar com as sanções.

E serão as seguintes:

  1. Mário Centeno é despedido e vem para cá o Schauble durante um ano
  2. Todos os supermercados têm que seguir o exemplo do Pingo Doce e pagar impostos na Holanda
  3. O alemão passa a ser ensinado na escola básica e torna-se a segunda língua oficial de Portugal para já; daqui a 6 meses, em todos os PALOP, incluindo a Guiné Equatorial
  4. A Caixa Geral de Depósitos é integrada no Deutch Bank
  5. O nosso euro passa a valer 0,5 euro franco-alemão

Para combater estas sanções, Costa precisará de vários Sansões…

Da importância das vacas na política nacional

Saturday, May 28th, 2016

As vacas sempre ocuparam um lugar central na política nacional.

No tempo das vacas gordas, ninguém se lembra delas; vamos comendo e bebendo à fartazana, até que se esgota a mama e as vacas emagrecem.

Depois, no tempo das vacas magras, temos saudades dos bifes e mantemo-nos a ervas.

Não somos indianos, mas a vaca, para nós, é sagrada.

No futebol, quando a bola não entra, é vaca.

A nossa colega, que se deixou engordar, passa a vaca.

Quando viajamos a meias, fazemos uma vaquinha.

A vaca está em todo o lado.

Até o nosso político mais duradouro, tem uma grande admiração pela vaca.

A começar pelo apelido, já que Cavaco tem uma sonoridade semelhante à vaca.

E foi ele que disse, nos Açores, que tinha admirado o sorriso das vacas.

Se calhar, o homem tinha comido queijo “a vaca que ri” ao pequeno almoço e deixou-se influenciar.

Ora, se as vacas sorriem, por que não podem voar?

António Costa acredita que as vacas podem voar.

A oposição faz o trocadilho e diz que, se o António Gosta tanto vacas, passa a António Bosta.

Assunção Cristas diz que foi ministra da Agricultura e que viu muitas vacas e atesta que as vacas não voam.

Se calhar, Sãozinha, elas só voam quando estás de Costas…

Não querendo avacalhar mais o discurso, direi que uma vaca pode voar se lhe der na gana – basta querer.

E contra o querer, nada há a fazer!

Nem que a vaca tussa!

vacas