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“Quando a Tua Ira Passar”, de Asa Larsson (2009)

Monday, October 20th, 2014

De vez em quando, apetece-me ler um policial, para matar saudades dos livrinhos da colecção Vampiro, de Dashiel Hammet, Rex Stout, Mickey Spillane, Raymond Chandler e quejandos.

E, hoje em dia, diz-se que os melhores escritores policiais estão nos países do norte da Europa, nomeadamente na Suécia.

Já tinha lido um livrinho de Henning Mankel e do seu inspector Wallander (Um Homem Inquieto) e decidi experimentar agora Asa Larsson.

asa_larssonNascida em Upsala, em 1966, Larsson já publicou 5 romances policiais, tendo começado em 2003, com apenas 37 anos.

Este Quando a Tua Ira Passar é considerado o seu melhor livro, mas não me deslumbrou.

Trata-se da história de dois jovens que são assassinados para que um antigo segredo, relacionado com colaboracionistas pró-nazis, não seja desvendado.

iraTudo se passa no norte da Suécia, com muita neve, muito frio e muito gelo, mas há alguns pormenores que me desagradaram.

Por um lado, um dos jovens assassinados surge, de vez em quando, mesmo depois de morto, como se fosse um segundo narrador da história e, por outro, os nomes dos personagens e dos locais são tão arrevesados que só, mais ou menos, a meio do livro consegui começar a identificar cada um deles, sem confundir o Sven-Erik Stalnacke com o Airi Bylund, ou o Tore com o Hjalmar…

A cena final, no entanto, está bem esgalhada e é capaz de dar um bom filme.

“Forbrydelsen” e “Life”

Saturday, August 24th, 2013

Nos últimos tempos assisti a duas séries televisivas, policiais, que me deixaram ficam boas recordações.

forbrydelsenFalo da dinamarquesa Forbrydelsen e da norte-americana Life.

Forbrydelsen (que tem uma versão norte-americana, chamada The Killing), tem três temporadas. Vi as duas primeiras, de 2007 e 2009. Gostei mais da primeira.

A protagonista da série é uma detective, Sarah Lund (interpretada por Sophie Grabol), cuja vida pessoal é um caos, com um filho adolescente que a enfrenta, um namorado que acaba por se fartar com as suas ausências e uma mãe que não compreende a sua obsessão pelo trabalho.

Surpreendi-me como fiquei viciado numa série que é o oposto das séries norte-americanas.

A primeira temporada, sobretudo, tem um ritmo narrativo, digamos, nórdico… são 20 episódios para resolver um único caso! Está sempre frio, ou chuva, ou ambos, os cenários são lúgubres, os interiores são tristes e pouco decorados, quase ninguém se ri, o ambiente é sempre negro.

A segunda temporada não é tão bem conseguida, mas também merece ser vista.

lifeA outra série chama-se Life e teve duas temporadas, entre 2007 e 2009 e é pena que tenha acabado.

Aqui, o protagonista é o detective Charlie Crews (interpretado por Damian Lewis, o sargento Brody de Homeland).

Crews esteve preso 12 anos por um crime que não cometeu. Libertado, recebeu uma bela indemnização e regressou ao seu trabalho de detective em LA, disposto a descobrir quem o tramou. Tem umas ideias zen, gosta de fruta e de carros potentes e, no fim, mata o bandido e fica com a miúda.

Os meus filhos ofereceram-me as duas temporadas desta série há uns anos e estava ali na prateleira a apanhar pó. Em boa hora fui buscar os dvd, porque a série é bem divertida; ao contrário da série dinamarquesa, aqui os cenários são luxuosos, os dias são luminosos, há até um exagero na cor, um pouco ao estilo do CSI Miami. Cada episódio é um caso, sempre com assassínios bizarros, mas há sempre o fio condutor protagonizado por Crews, em busca de quem o tramou.

Duas boas sugestões para quem gosta de policiais.

“A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”, de Joel Dicker

Wednesday, August 14th, 2013

Os críticos literários também são culpados por grandes barretes por omissão.

A Clara Ferreira Alves, por exemplo, escreveu um longo texto sarcástico a zurzir no novo best-seller de Dan Brown, Inferno, mas ainda não li nenhuma crítica sobre este calhamaço de Joel Dicker que, segundo diz a contra-capa, foi nº 1 de vendas em França, com mais de 750 mil exemplares.

Pelo contrário, li vários textos mais ou menos publicitários, incitando à leitura do livro, dizendo que era uma espécie de mistura de Philip Roth, Jonathan Frazer e Woody Allen, e que fazia lembrar o mistério de Laura Palmer.

Joel Dicker é um jovem escritor suíço, nascido em 1985 e, com este livro, arrebatou o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, o Prémio Goncourt des Lycéens e o Prémio da Revista Lire.

Chego à conclusão que a literatura em França anda muito por baixo.

harry quebertPorque A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (editora Objectiva, 2013, trad. de Isabel St. Aubyn) é um mau livro.

No fundo, a coisa não passa de um policial de baixa qualidade, que nos conta a história do assassíno da jovem Nola Kellergan. A acção passa-se em Aurora, na Nova Inglaterra e qualquer comparação com Twin Peaks é pura demagogia. Nem a história tem a densidade dramática que tinha o mistério da série de David Lynch, nem as personagens são tão credíveis, nem o humor é tão refinado. Aliás, não há humor nenhum. O livro é obviamente escrito por um jovem inexperiente com muita sorte ou muito bem apoiado.

Dizer que a escrita faz lembrar Roth, Allen e Frazer é o pior insulto que se pode fazer àqueles três autores.

Tomem lá um exemplo da prosa:

«Nola pegou-lhe na mão e instalou-o no terraço. Levou-lhe papel, blocos de notas, canetas. Fez café, pôs ópera no gira-discos e abriu as janelas da sala para que ele ouvisse bem. Sabia que a música o ajudava a concentrar-se. Dócil, Harry ganhou coragem e decidiu recomeçar tudo; pôs-se a escrever um romance de amor, como se fosse possível, ele e Nola. Escreveu durante duas boas horas. As palavras surgiam sem esforço, as frases desenhavam-se na perfeição, de forma natural, brotando da caneta que dança sobre o papel».

Haverá coisa mais banal que isto? Só lugares comuns, frases feitas.

A infantilidade do texto chega a ser insultuosa, como neste naco:

«Bloqueio mental, Marcus, é o que é! As páginas em branco são tão estúpidas como os falhanços no desempenho sexual; é o pânico do génio, precisamente o que deixa o seu pénis completamente mole quande se prepara para brincar aos médicos com uma das suas admiradoras e só pensa em proporcionar-lhe um orgasmo de tal ordem que possa ser medido pela escala de Richter.»

Brincar aos médicos?!

Mas que raio de escritor de pacotilha é este Dicker?…

Enfim, Dicker é suíço mas escreveu um romance que se passa nos EUA.

Lá, nos EUA, Dicker podia ser usado como trocadilho, a partir da palavra dick, que pode significar pila ou palerma – dick head!

É o que este rapazinho suíço é, no fundo… um dick head

E assim nasce um best-seller, com a conivência dos críticos da nossa praça que, omissos, nada disseram, ainda, sobre este logro.

Ah, a propósito: quem matou a Nola Kellergan foi o Travis, o polícia.

Estava-se mesmo a ver…

“Um Homem Inquieto”, de Henning Mankell (2009)

Thursday, March 14th, 2013

Cheguei a este autor sueco através da séria Wallander, da BBC, protagonizada por Kenneth Branagh.

Gostei da atmosfera da série e fiquei curioso, para saber se os livros de Henning Mankell eram tão bons como a série.

homem inquietoEste “Um Homem Inquieto” (Editorial Presença, 2012, tradução de Ulla Baginha) é o último dos dez livros que Mankell escreveu tendo o detective sueco Kurt Wallander como principal personagem.

O ambiente do livro é tipicamente sueco ou, pelo menos, a ideia que fazemos da Suécia, vagamente depressivo, com pouco sol, quotidianos sombrios, rotineiros.

Wallander é um tipo um pouco perturbado com a sua história pessoal e, neste último livro, com a sua saúde: sofre de diabetes, faz insulina, tem hipertensão e, de vez em quando, lapsos de memória que, no final do livro, se aproximam cada vez mais do Alzheimer.

Por um lado, isto faz de Wallander uma personagem mais “humana”, por outro lado, conferem à narrativa mais traços depressivos, que se juntam às paisagens tristes, às manhãs frias, às noites escuras – e tudo isto é muito bem retratado na séria da BBC, que tem a virtude de resolver tudo em hora e meia de telefilme, enquanto aqui, no livro, as coisas, por vezes, demoram tempo demais.

O estilo da narrativa e a composição da personagem de Wallander fazem-me lembrar, por vezes, o comissário Maigret, criado pelo grande George Simenon; no entanto, enquanto Maigret apreciava um bom copo de vinho e, por vezes exagerava, ficando ligeiramente ébrio, mas divertido, Wallander afoga-se em vodca e, depois, fica com peso na consciência. A diferença entre os povos do norte e os do sul da Europa…

Este “Um Homem Inquieto” conta-nos a história de um oficial da marinha sueca que, subitamente, desaparece, seguido da sua mulher, a qual surge, mais tarde, assassinada. Por trás desta trama, há uma história inesperada de espionagem.

O livro lê-se bem, mas é um pouco longo demais e a história nuclear pareceu-me demasiado “sueca”.

Wallander – 1ª temporada

Sunday, September 2nd, 2012

Wallander é uma série de 5 estrelas.

Baseada nas novelas do sueco Henning Mankell, a série, produzida pela BBC, estreou-se em 2008 e já vai na 3ª temporada, sendo que cada temporada tem apenas três episódios. No entanto, cada episódio é um verdadeiro telefilme, com cerca de hora e meia de duração.

Kurt Wallader é um inspector da polícia da cidade sueca de Ystal; recentemente divorciado e pai de uma filha na casa dos 20 anos, Wallander está obviamente deprimido e cada novo caso de assassínio é, para ele, mais um fardo. Demonstra uma fadiga intensa, alimenta-se mal e parece arrastar-se penosamente. No 3º episódio desta temporada percebemos porquê.

Kenneth Branagh compõe um Wallader muito convincente, barba de cinco dias, olhar triste, roupa desalinhada, parece transportar um fardo, mostrando que, apesar da profissão, não consegue habituar-se à violência dos assassinos.

A série foi filmada em Ystal e a fotografia é óptima, com paisagens lindíssimas e uma luz, digamos, nórdica, muito bem retratada no 3º episódio, que se passa na altura do solstício de verão, quando o sol nunca se põe.

Nunca li nenhuma novela de Mankell, mas esta série despertou-me a curiosidade.

Aconselho vivamente.

“Os Crimes dos Viúvos Negros”, de Isaac Asimov (1971)

Tuesday, July 10th, 2012

Isaac Asimov (1920-1992) é sobretudo conhecido pelas suas obras de ficção científica. No entanto, também escreveu algumas novelas e pequenas histórias que se podem enquadrar na chamada literatura policial.

“Os Crimes dos Viúvos Negros” reúne uma dúzia de pequenas histórias publicadas no Ellery Queen’s Mystery Magazine, muito ao jeito dos mistérios de Connan Doyle ou Agatha Christie.

O esquema é sempre o mesmo: um grupo de homens reúne-se uma vez por mês, à volta de uma refeição. Rejeitando a presença de mulheres, têm sempre um convidado que lhes propõe um mistério. Segue-se uma espécie de interrogatório e, no final, é o mordomo, Henry, que deslinda a história.

Confesso que o livro me desiludiu. As histórias são demasiado rebuscadas e os diálogos são fastidiosos.

Prefiro o Asimov dos robots.

“O Projecto Janus”, de Philip Kerr (2006)

Monday, July 9th, 2012

Philip Kerr nasceu em Edinburgo, em 1956, é autor de 14 romances e colaborador de vários jornais britânicos.

“O Projecto Janus” é um policial, à boa maneira de Rex Stout ou Raymond Chandler, salvo as devidas distâncias.

O herói da história é um detective alemão, Bernie Gunther, que foi polícia antes da 2ª Grande Guerra, membro dos SS durante a Guerra, sem nunca ter pertencido ao partido nazi e que, depois da guerra, decide seguir a carreira de investigador particular.

Vai ser uma carreia curta, no entanto, já que Gunther se vê envolvido numa trama que o vai obrigar a mudar de vida. Essa trama envolve um médico nazi que fazia experiências de vacina contra a malária em prisioneiros, agentes da CIA e grupos de judeus perseguidores de criminosos nazis.

A acção decorre na Alemanha e na Áustria e a recriação desses locais, no post-guerra, parece muito credível.

A linguagem mordaz de Kerr aproxima-se bastante dos escritores do romance negro norte-americano.

Exemplos:

«(a porta) abriu-se, revelando um homem numa cadeira de rodas, com os joelhos cobertos por uma manta e uma enfermeira de uniforme atrás. A enfermeira tinha um ar mais quente do que a manta e, instintivamente, percebi qual delas preferia ter ao colo. Estava a começar a sentir-me melhor.»

Outro exemplo:

«Pedi também um conhaque duplo por causa do frio. Pelo menos, foi a justificação que dei a mim mesmo. Mas sabia que era mais por causa do primeiro encontro com os advogados de Gruen. Os advogados causam-me inquietação. Como a ideia de apanhar sífilis.»

E mais:

«- Se quer saber, pode atribuir-se a culpa toda da Reforma à cerveja forte – disse. – O vinho é uma bebida perfeitamente católica. Torna as pessoas ensonadas e cúmplices. A cerveja só as torna agressivas. E olhe para os países que consomem muita cerveja. São sobretudo protestantes. E os países onde se bebe muito vinho? Católicos romanos.»

Já há alguns anos que não lia um policial tão divertido.

“A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo”, de Stieg Larsson

Saturday, October 31st, 2009

millenium2Este segundo volume da trilogia “Millenium” é mais fraco que o primeiro.

Stieg Larsson, o tal escritor sueco que entregou estes três calhamaços para publicação e, depois, morreu de ataque cardíaco, enche algumas páginas com “palha”, conversa mole, em que nada acontece, como este naco:

“Dormiu até quase ao meio-dia. Quando acordou, decidiu que era mais do que tempo de mudar os lençóis. Passou a tarde de sábado a limpar o apartamento. Levou o lixo para fora e juntou os jornais em dois sacos de plástico que deixou no papelão. Fez uma máquina de roupa interior e t-shirts, e a seguir outra de jeans. Encheu a máquina de lavar loiça e pô-la a funcionar. Finalmente, aspirou e lavou o cão. Às nove da noite, estava encharcada em suor. Preparou um banho, com montes de espuma. Recostou-se na banheira e fechou os olhos, para pensar. Acordou à meia-noite, e a água estava fria. Secou-se e foi para a cama. Adormeceu quase instantaneamente.”

Sabendo que a senhora que fez todas estas coisas é a “hacker” Lisbeth Salander, perita em artes marciais e capaz de torturar bandidos e dar tiros a calmeirões, soa um bocado a falso e conversa para encher chouriços.

O outro herói, continua a ser o super-jornalista Mikael Blomkvist e, neste 2º livro da trilogia, o tema é tráfico de mulheres.

Sinceramente, quase que não me apetece ler o 3º volume…

“Os Homens que Odeiam as Mulheres”, de Stieg Larsson

Friday, August 7th, 2009

millenium1A história é conhecida: Stieg Larsson foi jornalista e editor da revista sueca Expo. Morreu subitamente, em 2004, com 50 anos, pouco depois de entregar para publicação a trilogia “Millenium”.

Larsson não assistiu, portanto, ao êxito instantaneo destes seus três calhamaços, que nos contam as aventuras do super-jornalista da revista Millemiun, Mikael Blomkvist e da hacker associal, Lisbeth Salander.

Neste primeiro volume, Blomkvist e Salander resolvem o caso do desaparecimento de Harriet, uma descendente da poderosa família Vanger, desaparecida há 30 anos.

A escrita de Larsson é escorreita, a história está bem contada e esta é a leitura indicada para o tempo de férias.

Só é pena eu não estar de férias…