Posts Tagged ‘memórias’

Procol Harum in Concert…in Denmark

Sunday, April 15th, 2012

Procol Harun – uma banda cujo nome deriva de um gato – nasceu de uma ideia de Gary Brooker (pianista, vocalista e compositor) e Keith Reid (autor das letras).

Em estúdio, gravaram “A Whiter Shade of Pale”, em 1967. O êxito foi tão grande que não havia outra solução, senão criar uma banda que suportasse esse êxito.

Os Procol Harum foram uma das bandas mais importantes do chamado rock progressivo ou rock sinfónico e, hoje em dia, pouca malta nova sabe da sua existência. Fazem mal.

Os Procol Harum souberam, como poucos, unir, harmoniosamente, a música “sinfónica” aos temas mais pop-rock, ainda por cima, com letras de qualidade.

Com meia dúzia de álbuns, a banda criou uma série de clássicos que, com diversas roupagens sinfónicas, continuam a surpreender.

Sou suspeito, porque sempre gostei dos PH. Aliás, o primeiro concerto rock a que assisti, foi dos Procol Harum, no Pavilhão de Cascais, em novembro de 1972. O som era péssimo e não me lembro de nada, a não ser do facto de estar, algures, lá em cima, nas bancadas e, lá em baixo, estarem uns gajos a fazer barulho. Não sei sequer que temas tocaram! Às tantas, alguém terá gritado que andava por ali a polícia (era habitual, naqueles tempos) e a malta começou a correr em direcção à saída. Acho que nem ouvi os encores, se os houve…

Um ano antes, em 1971, os PH tinham gravado um álbum histórico – “Procol Harum Live in Concert with the Edmont Symphony Orchestra”, em Alberta, Canadá.

Nessa altura, a banda era formada por Gary Brooker (voz e piano), Keith Reid (letras), B. J. Wilson (bateria), Alan Cartwright (baixo), Chris Copping (teclas) e Dave Ball (guitarra). Ainda tenho o vinil, comprado em 1985.

Em 2008, os Procol Harum actuaram nos jardins do Palácio de Ledreborg, a oeste de Copenhaga. Tocaram com a Orquestra e Coro Nacionais da Dinamarca.

Nesta gravação, além do fundador Gary Brooker, Joseph Phillips toca órgão. Geoff Whitehorn toca guitarra, Mark Brzezicki encarrega-se da percussão e Matt Pegg com o baixo. Destaque para as versões sinfónicas de Homburg, A Whiter Shade of Pale e Grand Hotel, entre outras.

Com 63 anos, na altura, Gary Brooker estava ainda em grande forma – e isto sugere-me uma pergunta: este tipo de música desaparecerá com a morte dos seus autores/intérpretes?

O Coiso há uma dúzia de anos

Sunday, November 13th, 2011

Foi em Novembro de 1999 que meti O Coiso na net, já lá vão 12 anos!

Tal só foi possível graças à Dee, que fez o design da página, e ao Pedro, que me ensinou como fazer. Para colocar O Coiso na net, usava-se o Dreamweaver, se não estou em erro.

Nessa altura, a ideia era recordar textos que escrevi nas décadas de 70, 80 e 90, para as mais variadas publicações e programas de rádio e televisão.

A saber, por ordem cronológica: jornal República, semanários Pé de Cabra, O Coiso e Gazeta da Semana, Pão Comanteiga, programa de rádio, revista e suplemento em A Capital, ainda na rádio, o Contra-Ataque, o Programa da Manhã da Rádio Comercial, a crónica semanal do Raúl Solnado, quer na rádio, quer na RTP, os Intocáveis, rubrica de discos da música pimba, integrada num programa de Paulo Fernando, na RDP, o semanário O Bisnau, os programas televisivos A Festa Continua e Arroz Doce, o programa de rádio Pé de Vento e o semanário Pau de Canela, o programa de rádio Uma Vez por Semana, os programas televisivos A Quinta do Dois e 1,2,3, a peça de teatro Quem Tramou o Comendador?, os episódios iniciais da sitcom Lá Em Casa Tudo Bem, e o programa televisivo Zona +.

Escrevia que me desunhava!

Mas, a pouco e pouco, o Velho Coiso começou a integrar, também, textos a propósito da actualidade e fotos legendadas, geralmente com políticos da nossa praça. Por coincidência, o último Cromo do Coiso publicado no antigo design da página, em abril de 2006, foi de Berlusconi, que ontem mesmo se demitiu.

A partir desse ano (2006), O Coiso mudou-se para aqui, para o WordPress e está muito bem assim.

Mais 12 anos?

Coisas Antigas – Dulcídia, uma mulher preocupada com o futuro

Sunday, November 6th, 2011

Quando Dulcídia nasceu, todos foram unânimes: tinha os olhos da mãe, a boca do pai, o nariz da avó e as mãos de um tio que vivia na Austrália.

O nascimento de Dulcídia significou, portanto, a mutilação de quatro membros da sua família. E este facto marcou Dulcídia para sempre. Marcou-a, mais precisamente, numa nádega, pelo que só se via quando estava de costas. Por isso, Dulcídia nunca se punha de costas, para que não se lhe notasse a marca.

“É registada?” – perguntavam os amigos mais íntimos, aqueles tão íntimos que tinham o privilégio de ver a marca.

Mas a marca de Dulcídia não era registada. E apesar de muito imitada, nunca conseguira ser igualada. Era uma marca única!

Mas Dulcídia era uma rapariga com azar. Como a mãe era míope e ela tinha os olhos da mãe, foi obrigada a usar óculos. Como o pai sofria de cárie dentária e ela tinha a boca do pai, andava sempre com dores de dentes. Como a avó tinha sinusite, Dulcídia tinha sempre o nariz a pingar. E como o tio da Austrália roía as unhas, Dulcídia não as podia pintar.

Enfim, azares de Dulcídia, compensados pelo seu magnetismo pessoa, capaz de atrair qualquer um.

Mas Dulcídia temia o futuro: míope, com cárie, sinusite e sempre a roer as unhas, como poderia ela arranjar um emprego decente e monetariamente compensador?

É que Dulcídia começava a entrar na casa dos trinta, deixando para trás os tempos despreocupados da adolescência e as quatro pensões de invalidez que recebia não chegavam para a sustentar. Dulcídia era uma mulher de muito alimento.

Por isso, começou a andar cabisbaixa, ensimesmada, deprimida e outras coisas semelhantes.

Os amigos tentavam confortá-la.

Dizia um: «deixa lá, Dulcídia!… Míopes há muitos… um até conheço um zarolho que é míope, vê lá tu!…»

Mas Dulcídia não via lá muito bem, como já foi dito.

E dizia outro amigo: «não te preocupes!… Arranca os dentes e usa placa!”

Mas Dulcídia não ia à bola com placas porque não gostava de futebol.

E outro amigo dizia ainda: «não te rales!… tu tens sinusite, e eu sofro de rinite, faringite, pirite e calcopirite! Um mal nunca vem só!»

Mas com o mal dos outros, podia Dulcídia bem. Com o que ela não podia era com os seus males, os seus defeitos, que a impediam de encontrar um emprego compatível com os seus inegáveis dotes intelecto-corporais.

Por tudo isso, Dulcídia temia o futuro.

Mas um dia, já depois das 4 horas, o futuro chegou e afinal era bom!

Graças à miopia, fez anúncios para lentes de contactos. Com a ajuda das cáries, anunciou pastas dentífricas ricas em fluor. A sinusite permitiu-lhe fazer spots de pingos para desintupir o nariz e pílulas para as dores de cabeça. E a sua mania de roer as unhas serviu na perfeição para o conhecido anúncio de pastilhas elásticas: «não roa as unhas, mastigue Elastex – a pastilha que nunca esquece!».

E mais uma vez ficou provado que a função faz o órgão e a publicidade faz o resto!

– in Pão Comanteiga, Rádio Comercial, 29.5.1983 (Tema: o Futuro)

Coisas antigas – O futuro geopolítico

Sunday, November 6th, 2011

A Grã-Bretanha adoptará definitivamente o fleumatismo maoista, fará um aliança com Singapura do Norte, a Malásia e Dodge City, declarando guerra à Frente Lesoto-Botswana. Entretanto, os Estado Unidos – que mudarão o seu nome para Estados Unidos da América e Sucursais S.A.R.L. – decidirão acabar com eleições livres. Passarão a ser semi-livres, o que quer dizer que o cidadão terá a liberdade de votar em quem quiser, desde que seja um determinado candidato, escolhido por computador.

Tudo isto provocará largas repercussões na União das Variadíssimas Repúblicas Soviéticas E.P. que, por retaliação, invadirão o Nepal. Só para chatear, as cinco Alemanhas e as duas Bélgicas, juntar-se-ão ao Rochedo de Gibraltar (superpotência que integrará Espanha, Marrocos, Argélia e Setúbal) e, todos juntos, invadirão também o Nepal.

A confusão aumentará consideravelmente quando a Aliança Luso-Greco-Turca (únicos sobreviventes da antiga CEE), decidir arrasar todos os países começados por M, invadindo, logo de seguida, o Nepal.

Por tudo isto, o Nepal passará a ser a região do globo com maior densidade populacional e o resto do mundo não passará de um deserto chato…

in Pão Comanteiga, Rádio Comercial, 29.5.1983 (Tema: Futuro)

Recordar é viver?

Sunday, October 16th, 2011

Com as medidas do governo para 2012, vamos andar para trás vários anos

1 – O SEGREDO DE CAVACO SILVA, SEGUNDO A ESPOSA

Na sua edição de 10 de Fevereiro de 1990, o Expresso fazia eco de uma entrevista concedida por Maria Cavaco Silva à revista “Família Cristã”.

Nessa altura, a Dona Maria era professora na Universidade Católica e o Sr. Silva era primeiro-ministro. Haveria conflito de interesses? Explica a actual esposa do Presidente da República:

«Posso até contar-lhe um episódio de uma aluna que era fervorosa admiradora do senhor primeiro-ministro e que me pediu se eu lhe arranjava um autógrafo. Respondi-lhe que teria que se dirigir a ele, deixando bem clara a minha posição na aula”.

Ora toma!

Mais à frente, o jornalista pergunta à Dona Maria se ela pensa que o seu marido foi levado pelos acontecimentos, quando acabou por concorrer ao lugar de chefe do governo. E ela responde:

«As coisas foram acontecendo, e de repente ele viu-se numa situação semelhante àquela que Fernando Pessoa exprime na Mensagem, quando o rei se vê com a espada na mão, e diz: Que farei com esta espada? – Ergueste-a e fez-se! Penso que com o meu marido aconteceu uma situação semelhante, pois viu-se com qualquer coisa, que provavelmente nunca tinha pensado, na mão, e teve que andar para a frente e se ir adaptando, à medida que as coisas iam acontecendo».

Tem sido esse o nosso drama: Cavaco, 10 anos primeiro-ministro, 10 anos presidente, foi-se adaptando, à medida que as coisas foram acontecendo…

4 anos sem fumar

Sunday, August 21st, 2011

Sempre tiver queda para colecionador, ou dito de modo mais correcto, queda para ajuntador.

Juntei garrafas de gin (vazias, claro), selos, caixas e carteiras de fósforos (cheguei a ser filuminista associado), postais ilustrados, mortalhas para cigarros, envelopes timbrados, rótulos de bebidas, relógios de propaganda, canetas publicitárias, moedas e notas, tinteiros… e latas de bebidas, a única colecção que ainda persiste, com mais de duas mil latas acumuladas, ali, numa salinha dos fundos e que está para ser extinta há anos.

E também coleccionei embalagens de cigarros. Ainda tenho algumas dessas embalagens espalmadas e coladas num álbum de recordações: SG filtro, gigante e ventil, Kart (quilómetros de prazer, dizia o slogan publicitário…), Sintra, Porto, CT, Definitivos, Provisórios, Três Vintes, Português Suave.

Experimentei de tudo.

Comecei aos 15 anos, quando frequentava o liceu Camões, secção do Areeiro. Comprava cigarros avulso, SG filtro (embalagem amarela em cima, e com listas azuis em baixo), numa drogaria por trás do Liceu, a mesma onde comprávamos as bolas de plástico com que jogávamos desafios épicos, nas traseiras do cinema Roma.

Nessa altura, devia fumar 5 ou 6 cigarros por dia. A dose foi aumentando até aos 15-16 diários e assim se manteve, com poucas flutuações. Só a marca foi mudando, fixando-se no Marlboro light, nos últimos anos.

Calculo que deva ter fumado mais de 140 mil cigarros, mas no dia 20 de Agosto de 2007 fumei o último (e a Mila também, claro…)

E nunca mais!

De quando em vez, ainda sonho que estou a fumar e fico perplexo, porque tenho a noção, mesmo a dormir, de que já deixei de fumar. Nesse caso, como é possível que esteja a fumar? Claro que tudo se desculpa porque é um sonho…

Mas já há muito tempo que não sinto, conscientemente, necessidade de um cigarro.

Aliás, ao pensar na possibilidade de fumar um cigarro, sinto uma espécie de náusea.

Parabéns para nós!

 

50 anos de 4 L

Wednesday, August 3rd, 2011

Faz hoje 50 anos que a Renault apresentou ao público o primeiro modelo do 4L, que rapidamente se popularizou como R4.

O R4 teve uma longa e profícua vida, que se prolongou até 1993, com mais de 8 milhões de viaturas matriculadas.

O R4 foi o meu primeiro carro. Comprei-o em enésima mão no stand do Alberto Henriques da Silva, em Julho de 1978, faz agora 33 anos.

Custou-me 110 mil escudos (548 euros), numa altura em que, como médico recém-formado, ganhava 8 mil escudos por mês (39.90 euros).

Tinha tirado a carta há pouco tempo e nunca tinha conduzido nenhum carro, para além do da instrução, que era um Fiat, se não me engano. Por isso, e porque o R4 tinha a alavanca das mudanças ao lado do volante, a viagem do stand, em Lisboa, até ao Algueirão, onde morava nessa altura, foi uma aventura.

Aquilo era dá cá a bengala, com o manípulo virado para a esquerda, e metias a primeira; toma lá a bengala, com o manípulo virado para a direita, e metias a segunda; dá cá a bengala, com o manípulo virado para a direita, e metias a terceira; toma lá a bengala, com o manípulo virado para a esquerda, e metias a quarta. Se não era assim, era parecido.

Só que eu, depois da primeira e da segunda, não atinava com a terceira.

O que vale é que ainda não havia IC 19 e, a partir da Damaia, era tudo província e quase não se viam carros na estrada…

Foi a bordo deste R4 que fomos todos para Moimenta da Beira, para cumprirmos os nossos seis meses de Saúde Pública, no Centro de Saúde de Armamar.

A viagem demorava o dia todo e era um pesadelo. Atrás, os miúdos enjoavam e, de quando em vez, era preciso parar na berma, para o vómito da ordem.

E há que recordar que, naqueles tempos, a auto-estrada Lisboa-Porto terminava em Aveiras de Cima. A partir dali, e até Moimenta da Beira, era um sufoco atrás dos camiões carregados de tudo e o R4 sem força para os ultrapassar.

Como enésimo dono deste R4, tive direito a sobre-aquecimento do motor, logo um mês depois da compra. E, nos trajectos entre Moimenta e Armamar e nas visitas às escolas da região, para fazer Saúde Escolar, muitas vezes ficámos no caminho, com o R4 a fumegar, qual geiser do Yellowstone!

Em Novembro de 1978 desisti. Comprei um Fiat 124 em quinta mão e vendi o R4 por 30 contos (150 euros).

Apesar de tudo, tenho saudades do velho R4.

Almanaque Bertrand – uma deliciosa inutilidade

Thursday, May 26th, 2011

Lembro-me, sobretudo, dos cheiros.

A casa velha da Beira Alta, em Santiago de Cassurrães, tinha um cheiro característico, que era uma mistura de muitos cheiros: o cheiro da pocilga, o cheiro da chamada “sala da aula”, onde se secavam figos, o cheiro do “chalezinho”, que era umas águas-furtadas onde as senhoras faziam a sua sala de costura.

E o cheiro da latrina, claro. A latrina era uma casinha com 2 por 2 metros, situada na varanda, e consistia num balcão de madeira com um buraco redondo no meio. Lá em baixo, a palha amparava os dejectos. Estrume da melhor qualidade.

Ao lado do buraco, a literatura: um jornal qualquer, talvez o da paróquia, talvez o Diário de Notícias, e Almanaques Bertrand.

Muita companhia me fizeram os Almanaques Bertrand nos momentos que passei sentado naquele buraco. E confesso que o cheiro do papel envelhecido e os outros odores que se misturavam naqueles momentos, eram algo de religioso.

A avozinha Rita foi-se embora, o tio Germano e a Tia Odaleia também, a casa foi ficando vazia, cada vez mais esbarrondada, ameaçando ruína.

Trinta anos depois, fui lá buscar os Almanaques. São dos anos 30, 40 e 50 e as suas páginas mostram bem o uso que têm tido.

Nos tempos em que escrevi para o Pão Comanteiga, recorri muitas vezes a eles, e nunca me desapontaram.

O Almanaque Bertrand publicou-se, todos os anos, entre 1899 e 1969 e este ano, a editora teve a brilhante ideia de lançar um Almanaque 2011/2012.

São contos, poemas, passatempos, calendários, receitas literárias, prazeres, listas, crónicas, palavras cruzadas, horóscopos, lugares, citações, efemérides, curiosidades, ilustrações, e muitas outras inutilidades imensamente úteis.

Como esta lista de “lugares portugueses com nomes danados para o pecado”, dos quais destaco Regato da Coitada (Viana do Castelo), Rego do Azar (Ponte de Lima), Vale da Rata (Viana do Alentejo) ou Entalada (Melgaço).

Ou como estes deliciosos aforismos de José Sesinando, tão ao gosto do Pão Comanteiga: «quem não tem um Roll’s, rói-se»; «os terroristas raciocinam por explosão de partes»; «Em Cabo Verde, Deus pegou no homem e crioulo à sua imagem e semelhança»; «Foi Copérnico que viu a primeira estrela pular».

Ou ainda uma “lista de nomes de lugares ligeiramente compridos”, entre os quais, Parangaricutirimicuaro, no México, ou Pekwachnamaykoskwaskwaypinwanik, no Canadá.

Espero bem que a Bertrand retome mesmo a tradição e passe a editar Almanaques todos os anos.

25 de Abril, sempre!

Monday, April 25th, 2011

Para todos aqueles que dizem que isto está cada vez pior.

Esperança de vida antes do 25 de Abril – 68 anos; agora – 78,9 anos.

Médicos por 100 mil habitantes antes do 25 de Abril – 122; agora – 377.

Taxa de alfabetização antes do 25 de Abril – 72.6%; agora – 95%.

Número de alunos no ensino superior antes do 25 de Abril – 57 000; agora – 383 627.

Taxa de inflação antes do 25 de Abril – 25,1%; agora – 1,3%.

Mortalidade infantil antes do 25 de Abril – 37,9 crianças por mil nascimentos; agora – 3,6.

Isto chega e sobra.

Mas ainda há a liberdade…

 

“Jazz and Beatles”

Saturday, November 27th, 2010

Os Beatles continuam a ser um grande negócio.

Segundo os jornais,uma semana depois de, finalmente, terem sido disponibilizados para venda no iTunes, os álbuns dos Beatles já tinham vendido mais de 450 mil exemplares e tinham sido vendidas mais de dois milhões de canções!

O álbum mais vendido tinha sido o “Abbey Road” (aprovo, mas aconselharia o álbum branco…) e, nos Estados Unidos, “The Beatles Box Set”, que junta todos os álbuns dos Beatles, e que custa 200 dólares, estava em 10º lugar no top de vendas!

Sou fã desde os 11 anos. Por volta de 1964, o meu tio Xico, jornalista do Mundo Desportivo e que acompanhava o Benfica nos jogos da taça dos Campeões Europeus, trouxe-me o meu primeiro EP dos Beatles. Era um 45 rotações com quatro canções tiradas do álbum “A Hard Day’s Night”. Incompreensivelmente, perdi o rasto a esse clássico, como a muitos outras preciosidades, que se diluíram na bruma da história…

E nunca me senti desiludido com os Beatles. Mesmo quando se separaram, aplaudi. Estávamos em 1970 e começavam a apetecer outras coisas. Acabaram antes de nos fartarmos deles.

Sendo um fã assim tão fiel, sou suspeito quando digo que gosto deste disco “Jazz and Beatles”. Os puristas do jazz hão-de chamar-me nomes, porque isto é um jazz de pacotilha, de lóbbi de hotel, de elevador de centro comercial, de sala de aeroporto. Os puristas dos Beatles, aqueles que acham que o Beatle mais importante não era o piroso do McCartney, nem o falso revolucionário do Lennon, mas sim o místico Harrison, hão-de dizer que as versões destas 12 canções dos Beatles desvirtuam os originais e não têm graça nenhuma.

Que se lixem!

São 12 canções dos Beatles, que gosto sempre de recordar, e com uma roupagem “cool”, que lhes fica bem, nomeadamente “Honey Pie” ou “Oh! Darling”, por exemplo.