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Cavaco em calções

Monday, August 30th, 2010

Fiquei a saber, pelo DN, que Cavaco Silva só usa calções Vilebrequin.

Penso que esta informação é de vital importância para o futuro da democracia portuguesa.

Os Vilebrequin são calções que ficam na história por encobrirem as partes pudendas de muitos políticos portugueses, de Manuel Pinho a Marcelo Rebelo de Sousa, passando pelo inevitável Santana Lopes.

Vantagens?

Muitas.

Secam rapidamente. O Presidente pode ir dar um mergulho que, 10 minutos depois, já tem o rabiosque seco.

E, por dentro, há uma excelente cueca de algodão, que aconchega os testículos presidenciais, de modo a evitar impingens e irritações desnecessárias (bem basta as provocadas pela cooperação estratégica).

Mas espanta-me que Cavaco, que exortou os portugueses a passarem férias cá dentro, pague 160 euros por uns calções franceses, em vez de comprar umas truces de fabrico português.

Ajudava a economia nacional e ficava muito mais apessoado.

Compulsivamente?!

Wednesday, June 30th, 2010

Manchete da primeira página do Diário de Notícias de hoje:

“Portugal eliminado após erro de Queiroz – Substituição de Hugo Almeida abriu portas à derrota que Eduardo chorou compulsivamente”.

Em primeiro lugar, Portugal não é eliminado por causa de um erro de Queiroz, mas sim por causa dos múltiplos erros do referido senhor.

Mas do que eu gosto é de Eduardo a chorar compulsivamente!

Compulsivamente?!

“Compulsivamente” vem de compelir, que significa “constranger a fazer alguma coisa, forçar, obrigar”

O jornalista não quereria dizer “convulsivamente” (“convulsão: movimento espasmódico causado por uma emoção forte”)?

Cada jornalista tem a selecção que merece!…

Trabalho infantil

Thursday, May 13th, 2010

Segundo o DN de ontem, “crianças da catequese dos Jerónimos e das escolas desta zona de Lisboa, ofereceram ontem a Bento XVI pequenas rosas que simbolizavam «a maratona de orações pela pessoa e intenções» do Papa. os mais novos rezaram um total de 830 mil avé-marias”.

Isto é trabalho infantil, por amor de Deus (ou por amor do Papa, o que vai ao mesmo, não é?)!

Pôr um número indeterminado de criancinhas a rezar avé-marias de enfiada, uma após outra, é quase tão violento como coser bolas de futebol ou ténis Nike, como fazem os miúdos no Bangla Desh.

E quem contou as avé-marias, para saber que foram 830 mil? E por que raio foram 830 mil e não 765 322?

Tudo isto está para lá de patético!…

Morte solidária

Sunday, April 11th, 2010

Continuando a remexer no baú das minhas recordações, que comecei a juntar com alguma ordem, a partir dos meus 18 anos, encontrei este recorte do Diário de Notícias que é, simultaneamente, delicioso e assustador.

Trata-se de uma pequena notícia sobre uma sessão solene na então Assembleia Nacional, realizada a 28 de Julho de 1971.

Nessa sessão, foi evocada a memória de Augusto de Castro, que foi director do DN durante muitos anos e que falecera dias antes.

O último parágrafo da notícia diz:

«(Augusto de Castro) Quis estar junto de Salazar, o seu amigo de sempre, no dia em que a Nação assinala o primeiro aniversário da sua morte. Maior homenagem não lhe podia prestar».

Por outras palavras, a dedicação à causa salazarista era tanta, que Augusto de Castro, fez um esforço para falecer naquele exacto dia, de modo a poder ir festejar o primeiro aniversário da morte do ditador, sentadinho ao lado dele – presume-se que no Outro Mundo, ou melhor, no Céu, porque Salazar era tão bonzinho que só podia estar no Céu.

À primeira vista, este texto pode parecer inocente, beato e até infantil, mas revela bem a fantasia em que Portugal estava mergulhado: toda uma nação dependente de um homem providencial, que zelou por nós durante 40 anos – e continuava a zelar, lá de cima, do Céu e, agora, tendo por companhia, o director do Diário de Notícias.

Era de ter medo. Muito medo…

Os milhões de Mexia

Thursday, April 8th, 2010

Está tudo muito escandalizado com os 3 milhões de euros que o chefe da EDP meteu ao bolso, em salários e prémios.

Mas o que são 3 milhões de euros?…

É certo que dava para pagar o prejuízo da TAP, mas não chegava, por exemplo, para comprar sequer metade do passe de Fábio Coentrão!

Com 3 milhões Mexia compraria, quanto muito, um Helder Postiga – mas, francamente, para que queria o Mexia um Helder Postiga?! Qua haveria de fazer com ele? Só se fosse para o pôr a fazer as leituras dos contadores da luz…

Também foi notícia de primeira página do DN que Mexia tinha ganho mais que o Steve Jobs – aquele senhor da Apple (pronunciar “eiple”, como muitos jornalistas que pensam, que assim, estão a falar muito bem inglês…).

O Jobs já deve até ter perguntado aos seus assessores: mas quem é esse tal português que ganha mais do que eu? Que é que ele inventou?

Se Pedro Mexia, agora já não mexe, irritado com todo este barulho e está a pensar incorporar os milhões, passando a chamar-se Pedro Mexilhões.

O rating, o PEC e outlook

Thursday, March 25th, 2010

E, de repente, vieram-nos com a conversa do rating!

Bem sei que sou pouco dado a números e, cá em casa, não sou eu que faço as contas, mas juro que nunca tinha ouvido falar do rating.

E dizem-me, agora, que é a primeira vez, desde 1998, que a Fitch cortou no rating.

E porquê?

Consultando o Diário de Notícias de hoje, vejo tudo lá escarrapachado:

“«Portugal tem capacidade para pagar as dívidas, mas as coisas podem piorar», já que o risco da economia crescer abaixo do esperado é «significativo», defende a Fitch, a justificar a descida da nota de risco de crédito de AA para AA-, com um outlook negativo, já ao nível da Itália, Chipre e Irlanda”.

O outlook não é o programa de mail do Bill Gates? Então não é que o sacana também está metido nisto do rating!

Depois de ler aquela explicação e depois de ler, um pouco mais abaixo, que “a classificação estava um nível acima da Moody’s e da Standard & Poors”, fiquei elucidado: Portugal já não é AA, mas sim AA-, e pronto!

Foi por isso, meus meninos, que o Sócrates e o Teixeira tiveram que escrever aquele calhamaço do PEC.

Suponho que agora, depois de o PEC passar no Parlamento, o Sócrates o vai levar a alguém da Fitch, a ver se eles sobem o rating.

Se eles aprovarem o PEC, os juros baixam e a malta já pode trocar de carro no ano que vem!

Capice?

Não pode ser verdade!

Wednesday, March 17th, 2010

O Diário de Notícias de hoje diz que, no ano passado, o Zeinal Bava ganhou 2,5 milhões de euros, o Granadeiro ganhou 1,6 milhões e o Rui Pedro Soares ganhou 1,5 milhões.

Não acredito!

Se fosse verdade, o Rui Pedro Soares já tinha comprado um telemóvel com um “device” para eliminar escutas, o Granadeiro tinha arranjado outro penteado e o Zeinal Bava já tinha mudado de nome.

Ruben Micael, por exemplo…

Aljubarrota – a sequela

Thursday, March 4th, 2010

“Manuela diz que Sócrates até pressionou Rei de Espanha”

(Título do Diário de Notícias.)

Cego pelos ataques de Manuela Moura Guedes, Sócrates telefonou ao Rei de Espanha e gritou:

“Ou fazes com que a Prisa cale aquela gaja, ou a gente invade o teu país e levam mais porrada do que em Aljubarrota!”

E foi assim que, com o rabinho entre as pernas, o Rei Juan Carlos telefonou aos tipos da Prisa e a Manuela foi para a rua.

Ó Manuela: tenha paciência, querida. Eu sei que a menina deve estar farta de médicos, nomeadamente, de cirurgiões plásticos, mas acho que a querida precisa, urgentemente, de um anti-psicótico.

Tadinho do mensageiro!…

Sunday, February 7th, 2010

Conta a lenda que, em 490 A.C., Fidípides  correu os 42 km que separam a planície da Maratona da cidade de Atenas, para anunciar a estrondosa vitória das tropas do ateniense Milcíades sobre os persas.

Ao chegar, terá dito: “Alegrai-vos, atenienses, nós vencemos!”

E depois caiu, morto de cansaço.

Assim nasceram duas tradições: a realização da maratona, como prova desportiva e o sacrifício dos mensageiros.

Vem isto a propósito do prazer que os jornalistas têm, como classe, de se vitimizarem.

É frequente ouvi-los protestar contra as “condições de trabalho”, sempre que a cabina de som não tem ar condicionado ou não os deixam passar o cordão de segurança.

Agora, a propósito daquela história ridícula do Mário Crespo, do famoso Plano para Controlar a Comunicação Social (tudo com letra grande) e dos tabefes que Carlos Queirós afinfou num tipo chamado Jorge Batista, comentador desportivo da Sic, a classe está em polvorosa.

Esta manhã, na RTP, outro comentador, também chamado Batista, dizia que este facto era a prova do nervosismo que se vive em Portugal, que se traduz por este hábito de “bater no mensageiro”.

Ora, segundo outro mensageiro, o DN, Carlos Queirós terá dado umas murraças no tal Batista por causa de um assunto pessoal: Queirós terá arranjado emprego ao Batista há 19 anos e agora, o ingrato diz mal do seleccionador.

Quer dizer: a coisa é o mais prosaica possível e não tem nada a ver com “bater no mensageiro”.

Quanto ao tal Plano para Controlar a Comunicação Social é mais um exemplo de lágrimas de crocodilo: tenho a certeza que a nata dos jornalistas detestava o estilo da Manuela Moura Guedes, que até é considerada uma “outsider”, uma apresentadora de TV armada ao pingarelho, que até suspendeu a carteira profissional para poder fazer publicidade.

Se Sócrates a calou, foi um alívio.

Finalmente, no que respeita ao Mário Crespo, até Vasco Pulido Valente, que odeia Sócrates, acha que ele tem todo o direito de exprimir, em privado, a sua raiva para com um tipo que lhe anda a sarrazinar o juízo há anos.

Então, agora, já temos que voltar a ter cuidado, quando falamos com os amigos num restaurante, não vá estar, na mesa ao lado, alguém que vá depois transmitir a mensagem a outrem?

Quem não se lembra disto? A frase “as paredes têm ouvidos” deve ter sido inventada por um gajo da Pide.

Ainda hoje, no editorial de outro mensageiro, o Público, comenta-se o facto de Sócrates ter chamado a este tipo de jornalismo, “jornalismo de buraco de fechadura”, dizendo que “insistir nas críticas ao mensageiro sem cuidar de desfazer a mensagem só é uma boa estratégia para manter a união entre as hostes do PS”.

E eu diria que ambos estão errados: Sócrates deveria ter desmentido ou desmontado as escutas e os jornalistas tinham a obrigação de esmiuçar a informação, não se limitando a pespegar com as certidões do juiz de Aveiro.

Aliás, cá no burgo, chama-se jornalismo de investigação quando se tem um amigalhaço na PJ que nos arranja cópias dos processos.

Talvez não fosse má ideia os jornalistas deixarem de olhar para o seu próprio umbigo e preocuparem-se, apenas, em transmitir as notícias, sem juízos de valor.

E, de preferência, verdadeiras.

Caso contrário, os mensageiros continuarão a levar uns tabefes de vez em quando…

Foda à Monção?

Friday, January 22nd, 2010

Confesso que nunca provei uma foda à Monção.

Modéstia à parte, já provei fodas nos 5 continentes, mas nunca em Monção.

Em Valença, sim, que é lá perto, mas quando pernoitei em Monção estava com o estomago muito pesado e não dei uma para a caixa.

Agora, o que eu não sabia – juro que não sabia! – é que a Câmara de Monção quer mesmo certificar as fodas à moda lá da terra.

Que ideia do c******!

Já viram bem o orgulho que é um cidadão de Monção andar com um certificado, tipo um crachá, espetado no peito, dizendo algo do género: fodas à Monção é comigo!

E não há cá eufemismos: não é fazer amor à Monção, ou queca, ou mocada, ou trolitada, ou cambalhota à Monção.

É mesmo foda e mais nada!

É de Câmaras Municipais como esta que o povo precisa!

(certificar Diário de Notícias de ontem)