“Jim, o Sortudo” (1953), de Kingsley Amis

É muito raro deixar um  livro a meio, mas aconteceu com este.

jim o sortudoNão foi devido à qualidade da história que, até onde aguentei (página 93), não era grande coisa, mas podia ainda estar a aquecer.

O problema foi a tradução, atribuída a Nuno Castro, mas que mais parece uma daqueles traduções automáticas do Google.

Quando, na página 41, encontrei isto:

“- Muito me temo que desta vez sim”

E, mais abaixo:

“- Muito me temo que não”

…pensei que podia ser uma brincadeira. “I’m affraid not” traduzido por “muito me temo que não”?

Mas fui percebendo que era mesmo assim, porque o erro se repete várias vezes!

Fui ignorando outros erros crassos porque, como já disse, não gosto de deixar um livro a meio, mas a coisa foi-se avolumando.

Na página 58, uma das personagens pergunta ao protagonista se tinha bebido muitas cervejas na noite anterior; ele responde que terá bebido sete ou oito, e ela pergunta:

“- Pintas de cerveja?”

Pintas de cerveja?! Mas que raio é isso? Será “pints”?… muito me temo que sim...

Na página 85, deparo-me com isto:

“A sua gravata de seda com nó de Windsor condizia imerolhavelmente com a camisa de cor creme”.

Este neologismo, “imerolhavelmente”, não faço ideia do que seja!

Cada vez com mais dificuldade, fui avançando no livro mas, ao chegar à página 93 fartei-me.

Foi nessa página que encontrei isto:

“Que te parece, querida? Acho que só há cerveja e sidra, a menos que queiras prosseguir e procurar um estabelecimento adjacenta”.

Desisti.

Esta trampa pertence à chamada Biblioteca Sábado, uma colecção de meia dúzia de livros que acompanhavam a revista Sábado, há meia dúzia de anos.

Uma vergonha!

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One Response to ““Jim, o Sortudo” (1953), de Kingsley Amis”

  1. Linda says:

    Foi pena porque adorei este livro ! Já o li há uns anos por isso os rudes erros da tradução esfumaram-se, mas lembro-me de me fartar de rir com algumas passagens do livro. No começo achei o livro aborrecido mas depois comecei a perceber o personagem e não me arrependo de ter continuado a minha leitura.

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