Jesus já tem uma criança pequena

Em equipa que ganha não se mexe?

Mentira! Se a equipa ganha, sobretudo se a equipa ganha tudo, muda-se de equipa, que é para não começar a ter a mania das grandezas!

Foi o que aconteceu ao Benfica.

Como ganhou o Campeonato, a Taça da Liga e a Taça de Portugal, toca a vender os jogadores todos e a comprar 252 novos jogadores e, assim, formar uma nova equipa (ou duas…)

Chama-se a isto ter vistas largas ou ser completamente idiota… o tempo o dirá…

Mas há uma coisa que caracteriza todos os jogadores portugueses que o Benfica contrata de novo: é que todos são do Benfica desde pequeninos!

Esta semana, dois novos reforços portugueses: Eliseu e Criança Pequena (também conhecido por Bebé).

Eliseu, que jogava no Málaga, claro que é do Benfica desde pequenino, assim como toda a família.

Disse ele: “Felizmente que chegou este momento e estou muito contente por chegar a um clube tão grande como o Benfica. Era um sonho de criança, lembro-me de ser pequeno e ter uma paixão enorme pelo Benfica. Era um sonho que tinha e que consegui concretizar. Estou muito orgulhoso, assim como toda a minha família, que é toda benfiquista”.

Também Criança Pequena (também conhecido por Bebé) é do Benfica desde pequenino, o que quer dizer que já era benfiquista quando ainda não passava de um minúsculo feto.

Disse ele: “Não podia estar mais feliz. Desde pequeno que sou do Benfica e isso também importante”.

Então não é, Bebé!

E assim, Jesus tem, finalmente, um Bebé!

O problema vai ser a linguagem que os jogadores praticam no terreno de jogo.

Imaginem os jogadores a gritarem para o Bebé: “passa a bola caralho!” ou “chuta essa merda, meu filho da puta!”

Não é linguagem que se use em frente a um bebé, francamente!

“Palavras que Falam por Nós”, de Pedro Braga Falcão (2014)

Para quem gosta de palavras, este livro do Professor de Latim e Grego, Pedro Braga Falcão é algo a não perder.

palavras que falamAo longo de cerca de 250 páginas, e numa linguagem acessível, o autor disseca algumas palavras, explicando a sua origem.

Ficamos assim a saber, por exemplo, que “badameco deriva do latim vade mecum, uma expressão que literalmente se traduz por «vem comigo» e se aplicava a um livro ou manual apropriado para ser levado em qualquer circunstância, uma espécie de «livro de bolso»; a expressão ainda hoje se usa, em particular em relação aos roteiros turísticos. Como ganhou o sentido pejorativo que tem hoje? Suspeitamos que vem de um dos sentidos metafóricos da expressão, que também se aplicava, não a um livro, mas a uma pessoa que acompanhava sempre outra, de um lado para outro, uma espécie de «pau para toda a obra».”

Ficamos também a saber que há palavras com animais escondidos, como capricho, que tem na sua origem ouriço e cabra.

E ficamos ainda a saber que candidato era aquele que se vestia de branco, portanto, era cândido, que quer dizer branco, puro. Pois…

No final do livro, um índice permite-nos procurar o vocábulo cuja origem queremos conhecer.

Gostei.

Deixem o Riky em paz!

Mas o que é que o Riky fez de mal?

Subiu ao Monte Branco sem pagar bilhete do teleférico?

Esqueceu-se de declarar uns míseros milhões de euros?

Será que tem culpa que um pato bravo lhe tenha querido oferecer prendas?

Branqueou capitais? E depois? Quem gosta de capitais sujas, carago?

E obrigam o pobre Riky a pagar 3 milhões de fiança!… o homem, agora, está desempregado, como podem exigir-lhe tanto dinheiro? Os desempregados não têm certos e determinados direitos?

Além disso, o Riky já tem uma certa idade: há que respeitar a terceira idade!

Juntemo-nos, todos, em defesa do Ricardo Salgado!

Ricardo Salgado jamais será lixado!

Junta-te í  CPLP!

Se o teu presidente tomou o Poder í  força, num golpe de Estado sangrento;

Se vives numa ditadura;

Se aprovas a tortura e a pena de morte;

Se tens uma taxa de analfabetismo superior a 50%;

Se não falas uma palavra de português;

Junta-te í  Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa!

A Guiné Equatorial já o fez!

De que estás í  espera?!

O mail de Vitor Bento

O novo presidente do BES, Vitor Bento, mandou-me um mail.

Quando um conselheiro de Estado nos envia um mail, devemos ficar um pouco emocionados.

Foi o que eu fiquei.

Até o li em pé, perfilado.

Começa por dizer o seguinte:

“Os Clientes são a razão de ser do BES. A sua confiança é a base de todo o valor que geramos. Ao tomar posse como presidente da Comissão Executiva sinto, com orgulho e responsabilidade, o peso da valorosa confiança que em nós está depositada.”

Clientes com “cê” grande, note-se.

E acrescenta:

“O BES é uma instituição assente na economia real e líder europeu na satisfação ao Cliente. É uma instituição com um passado histórico, um pilar da nossa economia, das nossas empresas e dos portugueses em geral ““ e irá continuar a sê-lo.”

Até aqui, tudo bem.

Sou Cliente de um Banco que é um pilar e que está assente na economia real.

Ok… mas e aquela bronca da família Espírito Santo?

Vejamos a continuação do mail; pode ser que venha mais í  frente.

“A equipa de gestão que lidero desde 14 de julho está já a trabalhar com todo o empenho para reconquistar a confiança dos mercados, gerando benefícios sustentáveis e abrindo caminho a um novo capítulo no Banco. E para continuar a fazer aquilo que melhor sabemos, a excelência no serviço aos Clientes.”

Ora, a equipa que Bento lidera está já a trabalhar para reconquistar a confiança dos mercados… ah! então parece que os mercados sempre perderam a confiança no BES… talvez seja agora que ele fala na Rioforte e nos negócios de Angola e tal… vejamos…

“É por isso que o BES foi ainda recentemente reconhecido como banco líder na satisfação dos clientes de acordo com o ECSI 2013 (European Customer Satisfaction Index).”

Não, ainda não foi desta… fiquei a saber que, em termos de satisfação, não há outro como o BES… embora este tipo de inquéritos de satisfação me façam lembrar os concursos para cervejas: é sempre possível ganhar uma medalha de ouro num concurso qualquer, nem que seja na Suazilândia.

Continuemos… pode ser que seja agora que ele fale no Ricardo Salgado e no Ricciardi e naquela tropa toda…

“Estou certo que, com a sua fidelidade e a de todos os outros Clientes ““ pela qual estamos tão gratos ““ faremos com que o Banco continue a ser a referência que sempre tem sido.

A sua confiança é a nossa força.”

E acabou!

Afinal, nem uma palavra sobre as tramóias, os empréstimos ruinosos, a queda das acções, os negócios com a PT – nada!

Nem se percebe por que razão o Vitor Bento se deu ao trabalho de enviar este mail.

Se o BES é assim tão bom, se tudo é tão perfeito, por que carga de água o Vitor Bento me está a passar a mão pelo pêlo?

Aqui há gato!…

Injustiça!

Factos: a Polícia Judiciária desmantelou uma quadrilha de 12 elementos que assaltava e roubava apartamentos; os bandidos apresentavam-se de uniforme da polícia e exibiam mandados de busca, falsos, claro; depois, entravam nos apartamentos e roubavam ouro, jóias, diamantes e outros objectos de valor.

Da quadrilha faziam parte três polícias, que tinham acesso a informação privilegiada sobre os locais a assaltar.

Depois de presentes ao juiz, oito elementos da quadrilha ficaram em prisão preventiva, incluindo os três polícias.

Acho mal!

Se os funcionários da TAP têm descontos nos voos e os empregados da Carris podem viajar í  borla, os polícias também deviam ter alguma vantagem corporativa.

Talvez se pudesse resolver a coisa com uma reprimenda ou um par de estalos, não acham?…

“Verão” (2009), de J. M. Coetzee

veraoJ. M. Coetzee (Cidade do Cabo, 1940) é um dos meus escritores preferidos e este Summertime é mais um bom texto com uma ideia notável.

Um biógrafo inglês está a escrever um livro sobre o falecido escritor John Coetzee, centrando-se nos anos 1972-77, altura em que o escritor tinha í  volta de 30 anos e ainda não tinha publicado nada de importante.

Nesse sentido, entrevista uma mulher casada com quem Coetzee teve um caso amoroso, a sua prima Margot, uma bailarina brasileira, cuja filha foi aluna de inglês do escritor e alguns ex-colegas professores.

Graças a essas entrevistas, conhecemos o jovem Coetzee, um homem solitário, desajustado, que vivia com o seu velho pai viúvo e que ganhava a vida com trabalhos temporários de professor.

Recomendo.

Outras obras de Coetzee: No Coração desta Terra (1976), O Homem Lento (2005), A Vida e o Tempo de Michael K. (1983), Diário de um Ano Mau (2007), A Infância de Jesus (2013), Desgraça (1999).

Vagina má, vagina boa

A artista plástica japonesa Megumi Igarashi conseguiu, através do crowdfunding, realizar um projecto ousado. Fotografou a sua
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vagina e enviou o resultado, por mail, para os seus financiadores, de modo a que possam fazer uma impressão em 3 D do seu pipi.

Do mesmo modo, utilizou o molde para fazer um caiaque com a forma da sua vagina, a que chamou Pussy Boat.

Na foto, vemos a artista a posar para a câmara fotográfica, em cima, o molde da sua vagina, í  esquerda e, em baixo, ela dentro da vagina, ou melhor, dentro do caiaque em forma de vagina.

Foi presa no passado fim de semana.

As autoridades japonesas acusaram-na de infringir as leis da obscenidade e pode vir a ser condenada a dois anos de prisão.

Olhando bem para a foto, temos que concordar que o caiaque da japonesa parece-se com tudo, menos com uma vagina e a foto do molde da dita parece ter o clítoris em baixo – a menos que seja assim nas japonesas…

fontesMas se a vagina de Igarashi pode ser considerada má, porque levou a sua dona í  prisão, já a vagina da Erica Fontes, só pode ser boa.

Erica é uma portuguesinha assim para o escanzelado que, certo dia, respondeu a um anúncio para entrar num filme porno, “por brincadeira”, segundo ela conta.

Desde então, foi um ver se te avias, filme atrás de filme – e digo atrás com propriedade…

A fama de Erica chegou aos States e este ano ganhou um prémio pela melhor artista porno estrangeira.

Observando as as posições que a Erica adopta nos seus inúmeros filmes, temos que concordar que ela é, também, í  sua maneira, uma artista plástica, como Igarashi.

E, no entanto, em vez de ser presa, Erica ganha prémios!

Se calhar, é porque tem o clítoris no sítio certo…

Massacrar o português, esmagar o jornalismo

Na página 10 do Diário de Notícias de hoje, quatro exemplos de mau português e péssimo jornalismo.

O primeiro tem a ver com o novo acordo ortográfico e o título da notícia é: «Fação criticada por admitir “governação”».

O que será “fação”?

Não quero ser faccioso, mas por que carga de água se deixou cair o segundo cê de FACí‡íƒO, porra?!

O segundo exemplo intitula-se «Autarca histórico perde pelouros» e é uma grande confusão.

Diz a notícia que “O presidente da Câmara de Elvas, Nuno Mocinha (PS), retirou ontem os pelouros a dois vereadores socialistas do município, o ex-presidente Rondão de Almeida e a vice-presidente Elsa Grilo”.

Então, mas se o presidente retirou os pelouros aos outros dois, como é que se pode dizer que os perdeu?

E a notícia acrescenta que “Nuno Mocinha justificou a decisão por, desde o início do mandato, «não ter a liberdade suficiente para exercer o cargo».

Mas qual cargo?

Não se percebe nada…

Passemos ao terceiro exemplo, intitulado “Leilão em Viana de par de muletas”.

Estranho e curioso título.

Ao lermos a notícia percebemos que “um par de muletas está entre o material que a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo vai voltar tentar vender em leilão, na próxima semana”.

Um par de muletas no leilão dos Estaleiros?

Porquê?

Não se sabe e a notícia não nos esclarece, acrescentando, apenas, que “os cerca de 60 leilões já realizados desde janeiro representam 1,12 milhões de euros”.

Quantas muletas terão sido leiloadas?

E termino com o quarto exemplo, intitulado “PS expulsa dirigente local”.

A notícia conta-nos que o presidente da Comissão Política Concelhia de Pedrógão Grande do PS, Diogo Coelho, foi expulso do partido.

E porquê?

Porque “terá tido «atuação continuada» e «infracional» toda «dominada e presidida pelo mesmo processo resolutivo», o desejo de «querer ser a todo o custo» o cabeça de lista do PS í  câmara do concelho.”

E mais nada!

A notícia não nos explica o que é isso de “atuação infracional” ou o que será o “processo resolutivo”.

Jornalismo vergonhoso…