O casamento e a beatificação

Isto sou eu a pensar…

1. O casamento de William e Kate e a beatificação de João Paulo 2 foram agendadas para dias diferentes para não prejudicar as audiências televisivas

2. Meio milhão de basbaques para ver dois pequenos beijos na varanda do palácio. Imaginem se fosse sexo oral

3. A RTP, a SIC e a TVI enviaram, para Londres, vários jornalistas para cobrir o casamento que, aliás, tinha transmissão directa assegurada e para fazerem reportagens idiotas. Quem disse que estamos em crise?

4. Por que carga de água foi preciso exumar os restos mortais do João Paulo para a beatificação? Não me digam que a alma do Papa estava dentro do caixão!

5. David Beckham foi convidado para o casamento e o D. Duarte de Bragança, não. Mais vale ser jogador de futebol, bonito e rico, do que pretendente ao trono, tosco e pobre.

6. Segundo o Diário de Notícias, o beijo de Carlos e Diana aconteceu í s 12h50, enquanto o beijo de William e Kate foi í s 13.26, com replay í s 13.28. E DEPOIS, CARAGO?!

“So Beautiful or So What”, de Paul Simon

—Quem sabe nunca esquece – este disco do Paul Simon está ao nível dos melhores.

Mas o que foi, não volta a ser – apesar do disco ser bom, não tem nenhum rasgo que o torne incontornável.

Em 1986, Simon deu um impulso na sua carreira com “Graceland”, confirmando o seu novo estilo, digamos, “afro”, com “Rythm of the Saints”, em 1990.

Nestes dois discos, Paulo Simon fez-se acompanhar por grupos vocais sul-africanos ou conjuntos brasileiros de percussão. Graças a isso, conseguiu um novo som, tipo folk global e marcou, mais uma vez, a cena pop-rock.

Nessa altura, Simon estava com 50 anos. Era um puto…

Em 1997 publicou “Songs from the Capeman”, em 2000, “You’re the One” e, em 2006, “Surprise”.

Ninguém deu por isso.

Agora, com 71 anos!… (momento para todos assimilarmos este facto: Paul Simon já tem 71 anos!)… agora, com 71 anos, Paul Simon lança este “So Beautiful or So What” que, embora não tenha nada de especial, é um disco bem esgalhado.

Começa com um tema contagioso (“Getting Ready for Christmas Day”); ao primeiro acorde, já estamos a bater o pé. Logo a seguir, “The Afterlife” também tem um bom balanço, que se prolonga nas restantes faixas. E sempre com o sabor folk-world-music. A isto não podem ser alheios os músicos que colaboram neste disco e que têm nomes comoVincent Nguini, V.B. Madhusadanan, V. Suresh-Ghatam, Yacouba Sissoko, entre outros.

Vale a pena ouvir.

 

As ciber-quadrilheiras

Cameron Reilly, um guarda do Palácio de Buckingham, foi riscado da lista de convidados do príncipe William depois de alguém ter descoberto, no Facebook, comentários que ele escreveu sobre Kate.

Escreveu ele que Kate era uma “vaca estúpida e convencida”.

Um pouco mais a sul, o deputado português José Lello, escreveu no seu Facebook, sobre Cavaco Silva: “este Presidente é mesmo foleiro. Nem sequer convidou os deputados para a cerimónia do 25 de Abril”.

Não me espanta que Cameron pense que Kate é uma vaca estúpida e que Lello diga que Cavaco é foleiro.

O que me espanta é que alguém tenha descoberto estas afirmações nos milhões de mensagens que, todos os dias, a todas as horas, caem no Facebook.

Isto quer dizer que existem, nas redacções dos órgãos de comunicação social, funcionários que passam horas a espiolhar as páginas de várias pessoas, em busca de afirmações bombásticas.

São as novas calhandreiras, as que levam e trazem, as amigas da onça, as ciber-quadrilheiras das chamadas redes sociais.

 

25 de Abril, sempre!

Para todos aqueles que dizem que isto está cada vez pior.

Esperança de vida antes do 25 de Abril – 68 anos; agora – 78,9 anos.

Médicos por 100 mil habitantes antes do 25 de Abril – 122; agora – 377.

Taxa de alfabetização antes do 25 de Abril – 72.6%; agora – 95%.

Número de alunos no ensino superior antes do 25 de Abril – 57 000; agora – 383 627.

Taxa de inflação antes do 25 de Abril – 25,1%; agora – 1,3%.

Mortalidade infantil antes do 25 de Abril – 37,9 crianças por mil nascimentos; agora – 3,6.

Isto chega e sobra.

Mas ainda há a liberdade…

 

A ausência de Salman bin Hamad al-Khalifa

O DN informa que o príncipe herdeiro do Bahrein, não estará presente no casamento real de William e Kate.

Salman, para os amigos, esclareceu que, devido í  agitação social que se vive no seu país, prefere não se deslocar a Inglaterra para assistir í  cerimónia.

E?…

E nada!

A comunicação social portuguesa enche páginas e tempos de antena com este casamento, como se ele representasse mais do que isso mesmo – um casamento.

Labregos!

“O Sonho do Celta”, de Mário Vargas Llosa

—De Vargas Llosa só ainda tinha lido três romances: “A Guerra do Fim do Mundo” (1981), “Os Cadernos de Don Rigoberto” (1997) e “Travessuras da Menina Má” (2006).

Apesar de o achar um autor interessante, sempre preferi Garcia-Marquez e Cortazar, no que respeita aos escritores latino-americanos.

Este ano, Vargas Llosa ganhou o Prémio Nobel e as livrarias encheram-se com as suas obras e peguei neste “O Sonho do Celta”.

O livro conta a história de Roger Casement, um irlandês que lutou e morreu pela independência do seu país. Antes disso, como cí´nsul britânico no Congo belga e em Iquitos, no Peru, lutou contra o modo desumano como eram tratados os autóctones, explorados pelas grandes companhias que extraíam borracha das florestas.

A narrativa de Llosa parece-me pouco consistente, de tal modo que, no fim das 400 páginas não fiquei com uma ideia bem formada de como terá sido Roger Casement, como pessoa. Claro que o autor nos dá grande quantidade de pormenores da sua vida, de como se sentia horrorizado com as torturas que os colonialistas impunham aos indígenas; ficamos também a saber que Casement era homossexual e que registava num caderninho as suas aventuras sexuais, descrevendo-as de modo muito cru. Mas são apenas factos. Fiquei sem saber como era Casement, como pessoa.

Porventura, Llosa também não sabe, ao certo, quem foi Roger Casement mas, como romancista, tinha a obrigação de criar uma personagem credível para os seus leitores, até porque este livro é um romance, não uma biografia.

Ou então, fiquei desiludido porque estava í  espera de mais uma história passada na América Latina e saiu-me uma coisa completamente diferente.

 

Os pés pela cabeça

Passos Coelho foi visitar a Docapesca.

í€ entrada, deram-lhe algo que é obrigatório usar quando se visitam locais como aquele.

Passos começou a desembrulhar a coisa e, como estava a ser filmado e quer parecer simpático e popular e tal, disse: “vou enfiar a minha primeira touca da campanha”.

Espirituoso, o homem…

Só que, ao desenrolar a coisa, Passos verificou que a coisa, afinal, eram duas!

Duas pantufas para envolver os sapatos, de modo a que o visitante não contamine o chão com as porcarias que traz da rua.

“Ah! Isto é para os pés!” – concluiu, brilhante.

No final da visita, Passos informou:

“Já tenho o governo na cabeça.”

í“ homem, não será nos pés?!…

Polícias educadinhos é o que se quer…

Fazia falta um código de conduta para os polícias portugueses.

Há muito tempo que estávamos fartos de polícias a cuspirem para o chão, a coçarem as partes, com a farda cheia de nódoas e o bigode mal aparado.

O Diário da República já publicou as novas regras pelas quais se devem reger os agentes da ordem.

Mas a coisa tem falhas.

Por exemplo:

Diz o novo código: “ao cruzar com superior em local apertado, (o polícia) facilita-lhe a passagem ou pede-lhe licença para passar se este estiver parado, evitando fazê-lo pela frente”.

Quer dizer que o polícia terá que passar por trás do seu superior. Pergunta-se: poderá dar-lhe um pequeno beliscão nas nádegas?

E se o local for verdadeiramente apertado, poderá o polícia saltar por cima do seu superior ou deverá agachar-se, de modo a que o superior passe por cima dele?

Questões prementes…

Outra regra de ouro: “quando um elemento da PSP acompanhar um superior hierárquico junto a uma parede ou num passeio, o subordinado deve ceder-lhe a posição interior”.

Compreende-se. Se, por acidente, um louco do volante invadir o passeio, terá mais hipóteses de atropelar o polícia, salvando-se o chefe da esquadra…

Claro que, se o passeio for muito estreito, deve seguir-se a regra anterior, isto é, o subordinado deve ir atrás do superior, embora um poucochinho desviado para fora, de modo a que o chefe sinta que vai por dentro.

Percebido?

Agora, quanto í  magna questão de como devem entrar e sair os polícias de um carro…

Esta é, sem dúvida, uma das questões mais polémicas da nossa PSP. Várias vezes os bandidos conseguiram fugir porque os polícias se atabalhoaram a sair do carro, durante a perseguição.

Mas o novo código estabelece a regra: “a entrada em viatura da PSP inicia-se por ordem crescente de categoria ou função, fazendo-se a saída por ordem inversa”.

Simples e claro.

No caso de todos os polícias terem a mesma patente, suponho que devem sair do carro ao mesmo tempo, depois de dizerem em voz alta: “1 – 2 – 3!”

Há mais regras, mas estas três dão uma ideia da grandiosidade deste novo documento que orgulha a PSP e que deverá servir de exemplo a todas as polícias europeias!