Archive for March, 2011

Manifestações obrigatórias

Saturday, March 19th, 2011

Mais uma manif, hoje.

No sábado passado, foi a manif a favor de um duo de humoristas que ganhou o festival da canção (verídico!).

Hoje, foi mais uma manif organizada pela CGTP. Não sei bem, porque a coisa estava confusa, mas parece que eram funcionários públicos. Professores eram, com certeza, pois lá estava o Nogueira e o seu bigode mal semeado.

Coitados dos professores!… Este governo deve detestar os professores! Quer avaliar o seu trabalho, impede que formem pares nas aulas de educação visual (?!) e, agora, quer-lhes cortar o pagamento da correcção dos exames! Sinceramente! É o mesmo que o governo deixasse de me pagar, que sou médico, os atestados que passo aos meus doentes!… Espera lá… mas o governo não me paga nada pelos atestados! Queres ver que também tenho que me ir manifestar para a Avenida da Liberdade?

Bom, mas voltemos à manif de hoje…

Na reportagem que a RTP transmitiu, vê-se um puto de cerca de 8-9 anos. A jornalista pergunta-lhe por que é que ele está ali e o petiz, na sua ingenuidade, diz qualquer coisa deste tipo: “venho ajudar o meu pai e o PCP… é obrigatório”.

Na imagem seguinte, surge o pai, orgulhoso do seu rebento. A jornalista pergunta-lhe se é importante levar o filho à manif e o tipo responde: “Claro! Primeiro, manifesta-se, depois toma consciência!”

Disseste tudo, pá!

Primeiro, manifestar; depois, pensar…

As manifes tornaram-se tão corriqueiras que deixaram de ter significado.

O chamado “sobressalto cívico” – essa eufemismo inventado pelo Cavaco – devia ter mais substância para ser levado a sério.

Que significado têm manifes que juntam jovens a recibos verdes com tipos que querem uma Junta de Freguesia no Parque das Nações, tipos que querem Portugal fora da Nato e skinheads, fulanos a contrato a prazo há décadas e gajos contra o aumento do preço do gasóleo?

O Facebook está na moda e os jornalistas embarcam. Acreditam piamente que foi o Facebook que desencadeou a revolta na Tunísia e no Egipto e que, por extensão, estabeleceram uma comparação com a manif dos à rasca, esquecendo-se ou escamoteando o “simples” facto de os tunisinos e os egípcios estarem a lutar contra ditaduras, arriscando as suas vidas, enquanto os portugas que passearam avenida abaixo, não desafiaram ninguém, não arriscaram nada!

Vivemos, de facto, numa paróquia de merda, muito pequenina, onde impera a mediocridade.

Hoje, dia em que aviões franceses começaram a bombardear as forças de Kadhaffi e em que os japoneses continuam aflitos, com a eminência de um desastre nuclear, os telejornais continuaram a dar a preferência às palhaçadas da política nacional.

E por falar em palhaçadas, que dizer do Ánhuca, que, cada vez mais, parece perfilar-se como próximo primeiro-ministro?

Quais as suas ideias para Portugal? Quais as medidas que ele propõe para diminuir e conter o déficit e acalmar os “mercados”? Quem convidará ele para ministro das Finanças? Quem será o seu ministro da Saúde, e da Justiça, e da Educação?

Como é possível acreditar num gajo sem ideologia, sem propostas e sem lábios?

Estamos fritos, pá!

 

24, Flashforward e outras séries

Saturday, March 19th, 2011

Já não se fazem séries como antigamente.

As primeiras três ou quatro séries de 24 deixavam-nos em apneias que punham em risco a nossa vida. Cada episódio terminava de modo tão suspenso que era quase impossível ver o episódio seguinte ou, em alternativa, íamos para a cama a sonhar com o Jack Bauer a morder orelhas de bandidos vários.

Depois, à medida que a série foi envelhecendo e, sobretudo, depois da greve dos argumentistas, 24 foi perdendo gás e esta 8ª e última temporada, embora seja melhor que as duas anteriores, já nada tem a ver com as primeiras.

Bauer continua imbatível e Kiefer Sutherland construiu uma personagem sólida e consistente e os últimos três ou quatro episódios desta 8ª temporada valem pelos outros todos.

Vou ter saudades do Bauer…

Mas outras séries nos têm despertado a atenção.

Flashforward foi uma delas.

A série é baseada na novela com o mesmo nome, publicada em 1999, e da autoria do escritor canadiano Robert J. Sawyer. O plot é engenhoso: num determinado dia, toda a população mundial desmaia durante pouco mais de 2 minutos e, durante esse desmaio, todos têm uma visão do seu próprio futuro.

Será que esse futuro se vai confirmar?

Quem foram os responsáveis pelo desmaio global?

É o FBI, com destaque para o agente interpretado por Joseph Fiennes, que vai tentar responder a estas perguntas.

A ideia é curiosa mas alguns episódios são muito mastigados e com muitos clichés. Fez-me lembrar a série Lost, que prometia muito e que acabou num beco sem saída. O que é certo é que a ABC cancelou a série no final da primeira temporada.

Outra série menos ambiciosa mas muito divertida é The Mentalist, da autoria de Bruno Heller, de que já vimos as duas primeiras temporadas.

Simon Baker interpreta o papel de Patrick Jane, ex-aldrabão da área dos espiritistas, bruxos ou adivinhos. Depois de ver a sua mulher e filha serem assassinadas por um serial killer, deixa a sua bem sucedida carreira de médium e torna-se consultor de um grupo de polícias que, em Sacramento, se encarrega de crimes complicados e que é chefiado por uma mulher com o nome curioso de Teresa Lisbon (Robin Tunney).

A série é despretensiosa e não aleija a inteligência. A personagem de Patrick Jane está bem esgalhada. O tipo abomina os bruxos e afins mas acaba por utilizar muitos dos seus truques para deslindar os crimes, nomeadamente, utilizando o seu poder de observação para reparar em pormenores que escapam aos outros detectives.

Ao contrário de Flashforward, The Mentalist deve ter um orçamento mais modesto, mas atinge bem os seus objectivos.

Cavaquismos

Thursday, March 17th, 2011

Os jovens portugueses devem participar em “missões e causas essenciais ao futuro do país”, com “a mesma coragem, o mesmo desprendimento e mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar”.

Ora aqui está uma coisa que António Oliveira Salazar poderia ter dito, se continuasse vivo.

Mas não foi ele, foi Cavaco Silva, nas comemorações dos 50 anos da guerra do Ultramar.

Salazar e Cavaco – a mesma luta!

Aliás, dentro de alguns anos, estaremos a aturar o Cavaco tantos anos quantos aturámos o Botas…

Então o Presidente pensa que, nos anos 60, os jovens iam para a guerra com DESPRENDIMENTO?

Assim, do tipo: eu quero lá saber de emprego, carreira ou família, o que eu quero é morrer pela pátria e se morrer que se lixe, ah! que vontade de ser herói nacional e matar pretos à fartazana?!

Toma as gotas, Aníbal!

 

Eleições antecipadas?!…

Tuesday, March 15th, 2011

… então não podem resolver isto à porrada?!…

Ameaças…

Sunday, March 13th, 2011

Ouve lá, ó Sócrates, só falta mesmo dormir com a Valquíria! Não sei o que vês nessa fulana, que tudo o que ela diz, tu fazes, pá!

Liberta-te, homem!

E tu, Cavaco, estás farto do governo? Demite-o!

Quanto a ti, Coelho, vê se te decidides: não apoias as novas medidas de austeridade? Apresenta uma moção de censura!

E tu, Santana, quando é que passas das ameaças à acção e inventas um novo partido?

País de cães que ladram, mas não mordem…

Cavaquistão

Wednesday, March 9th, 2011

Quando Cavaco foi eleito Presidente, o meu neto ainda nem sequer existia. Quando Cavaco terminar o seu segundo mandato, o meu neto estará perto de terminar o Ensino Básico.

Isto traumatiza qualquer pessoa!

Mas há mais…

Estávamos em 1985 e tínhamos um cocker, chamado Gin Tónico.

No terraço da nossa casa, bastava que apontássemos para o horizonte e gritássemos “Gin! Olha o Cavaco!” e logo o fiel Gin corria, que nem um desalmado, de um lado para o outro, ladrando furiosamente. Se o Cavaco ali se materializasse subitamente, seria estraçalhado pelas mandíbulas do cocker. Seguramente!

O pobre do Gin morreu em 2000 e o Cavaco continuou…

Foi em novembro de 1985 que Cavaco se tornou primeiro-ministro e, desde então, não mais deixou de nos azucrinar a cabeça.

E ainda o vamos aturar mais 5 anos!

Diz ele que não é político profissional…

Faria se fosse!

Exemplar

Sunday, March 6th, 2011

Por decisão da ministra Dulce Pássaro, a partir de agora, no Ministério do Ambiente vai-se consumir, exclusivamente, água da torneira.

Parece-me correcto.

Sendo assim, no Ministério da Saúde só se puxam os autoclismos ao quinto chi-chi.

No Ministério da Defesa acabam-se os aspiradores – os gabinetes serão limpos com uma esfregona.

No Ministério dos Assuntos Parlamentares, o papel higiénico será substituído pelas sobras do Diário da República.

Para comunicarem entre si, os Ministérios deixam de usar fax e telemóvel, optando por walkie-talkies do Toys’r’ur, numa primeira fase e depois, quando novas medidas de austeridade forem necessárias, sinais de fumo.

E para economizar ainda mais, acaba-se com o Ministério da Economia.

Ena cum Catroga!

Friday, March 4th, 2011

Toda a gente se lembra de Eduardo Catroga, o tal ex-ministro cavaquista que negociou o PEC com o Teixeira dos Santos.

Pois agora, o economista está a preparar o programa eleitoral do PSD, a pedido do Passos Coelho, ao mesmo tempo que faz parte da candidatura de Godinho Lopes à presidência do Sporting.

Aliás, é curiosa a quantidade de barões do PSD que são sportinguistas… Loosers!…

Para além de Catroga, também Ângelo Correia apoia Godinho Lopes, enquanto Santana Lopes está ao lado de Pedro Baltazar.

Como é possível que um clube tão à nora, como o Sporting, tenha já seis candidatos à presidência. Faz lembrar a Guiné-Bissau…

Mas enfim, deixá-los entregues à sua depressão…

O que me preocupa é se o Catroga troca os programas eleitorais e ainda acabamos por financiar a compra de jogadores para os lagartos com o nosso IRS…

Freitas ressurge…

Friday, March 4th, 2011