Armando Vara e a Língua Portuguesa

Duas contribuições importantes para o enriquecimento da Língua Portuguesa, dadas por Armando Vara.

Primeira:

Assim como se diz, quando alguém faz muito barulho por nada, que está “armando barraca”, a partir de agora, sempre que se fizer negócios sujos com sucateiros, passa a dizer-se que se está “armando vara”.

Segunda:

Se um grupo de camelos é uma “cáfila” e um grupo de lobos continua a ser uma “alcateia”, a partir de agora, um grupo de arguidos passa a ser uma “vara”.

Duas notícias estranhas

No Público de ontem, duas notícias estranhas:

Primeira – “Guiné-Bissau – Governo foi remodelado”.

A Guiné-Bissau tinha governo?!…

Segunda: “Somália – Homem de 112 anos casa com noiva de 17”.

Sabendo que a esperança média de vida, na Somália, é de 52 anos, basta ter-se 60 anos e dizer que se tem 112 – os outros sabem lá!

“A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo”, de Stieg Larsson

millenium2Este segundo volume da trilogia “Millenium” é mais fraco que o primeiro.

Stieg Larsson, o tal escritor sueco que entregou estes três calhamaços para publicação e, depois, morreu de ataque cardíaco, enche algumas páginas com “palha”, conversa mole, em que nada acontece, como este naco:

“Dormiu até quase ao meio-dia. Quando acordou, decidiu que era mais do que tempo de mudar os lençóis. Passou a tarde de sábado a limpar o apartamento. Levou o lixo para fora e juntou os jornais em dois sacos de plástico que deixou no papelão. Fez uma máquina de roupa interior e t-shirts, e a seguir outra de jeans. Encheu a máquina de lavar loiça e pí´-la a funcionar. Finalmente, aspirou e lavou o cão. í€s nove da noite, estava encharcada em suor. Preparou um banho, com montes de espuma. Recostou-se na banheira e fechou os olhos, para pensar. Acordou í  meia-noite, e a água estava fria. Secou-se e foi para a cama. Adormeceu quase instantaneamente.”

Sabendo que a senhora que fez todas estas coisas é a “hacker” Lisbeth Salander, perita em artes marciais e capaz de torturar bandidos e dar tiros a calmeirões, soa um bocado a falso e conversa para encher chouriços.

O outro herói, continua a ser o super-jornalista Mikael Blomkvist e, neste 2º livro da trilogia, o tema é tráfico de mulheres.

Sinceramente, quase que não me apetece ler o 3º volume…

As goleadas do Benfica explicadas í s criancinhas e segundo o Catecismo

Quando Jesus está zangado, mal vai o reino dos céus!

Há quem diga que ele arrasta móveis, atira com cadeiras, parte mesas e armários e assim desencadeia trovoadas.

Mas não é verdade!

As trovoadas são um fenómeno atmosférico e Jesus não tem nada a ver com isso.

Quando Jesus está zangado, o que ele faz é lançar sobre os que não seguem a sua Palavra, os anjos demolidores: Cardozo, Di Maria, Saviola, Aimar, Ramires, Coentrão e até um, já velhote, do tempo do Antigo Testamento, chamado Nuno Gomes.

No outro dia, só porque um filho do Demo, que veio da Madeira, o criticou por mastigar pastilha elástica com a boca aberta, Jesus afinfou-lhe com 6 pragas.

E já atirou com 8 sobre o Setúbal, 4 sobre o Belenenses, 5 sobre o Leixões e outros 5 sobre o Everton, que nem sequer é desta religião.

Jesus é implacável.

É por isso que todos nos temos que portar muito bem, incluindo o Braga, já no próximo sábado, senão, já sabe, arrisca-se a levar com mais meia-dúzia de pragas.

Novo Governo – dicas para os jornalistas

O novo governo, que amanhã toma posse, permitirá aos jornalistas engraçadinhos, inúmeros trocadilhos fáceis e títulos giríssimos.

Aliás, alguns já iniciaram o uso desses trocadilhos com a ministra da Educação, Isabel Alçada que, como também é escritora, e autora da colecção infanto-juvenil “Uma Aventura…”, uma espécie de “aventuras dos Cinco” í  portuguesa, permite coisas brilhantes como “Uma aventura no Ministério da Educação”, ou ainda “será que a nova ministra tem argumentos?”; ou também: “os professores sob a Alçada de Isabel”.

Mas há muito mais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado tem, no seu apelido, uma forma do verbo “amar”, que pode ser glosado de muitas maneiras (o ministro bem ou mal amado, etc).

A nova ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, para além de ter um apelido que permite diversos trocadilhos e muitas rimas, é pianista – facto que pode ser usado para perguntas tolas, como: será que a ministra é solista ou saberá tocar em concerto? vai tocar sempre na mesma tecla? preferirá as teclas brancas e não excluirá as pretas?

O ministro da Ciência e do Ensino Superior, é Gago – mas com os gagos não se br…br…brinca…

O facto da nova ministra do Trabalho, Helena André, ser sindicalista, dá pano para mangas: traidora da classe operária, aliada do patronato ou, pelo contrário, uma infiltrada dos trabalhadores no governo burguês.

O ministro da Agricultura e Pescas chama-se António Serrano. Serrano? E a malta que vive nas planícies e no litoral? Um serrano percebe alguma coisa de pescas?

Para o Ambiente, Sócrates escolheu Dulce Pássaro. Doce pássaro? E os mamíferos, o lince da Malcata, por exemplo? Não ficarão prejudicados por esta preferência pelas aves? Dulce voa alto? Bate as asas e desaparece no horizonte?

Assim como os jornais desportivos não se cansam de insistir no milagre da Luz, desde que Jesus desceu no Benfica, preparem-se para os títulos inteligentes com os nomes dos ministros deste governo.

“Frost/Nixon”, de Ron Howard

nixonAo contrário de “Milk”, este filme de Ron Howard conseguiu prender a minha atenção do princípio ao fim, apesar de abordar um episódio muito específico da história recente dos EUA, episódio que desconhecia em absoluto.

Já depois de ter resignado, Richard Nixon (Frank Langella) é convidado para uma entrevista por um entertainer de segunda categoria, David Frost (Michael Sheen), conhecido por apresentar programas de entretenimento muito superficiais.

Nixon exigiu 600 mil dólares pela entrevista e Frost tentou, em vão, encontrar quem o patrocinasse. Decidiu, então, avançar sozinho, como produtor independente e vender, depois, a entrevista í s grandes cadeias de televisão.

Com a ajuda de dois ou três assessores, conseguiu o que ninguém conseguira: levar Nixon a admitir que actuara com intenção no caso Watergate.

Com um bom ritmo e diálogos excelentes, este “Frost/Nixon” foi uma agradável surpresa.

Deus é pequeno

deus-com-pinheiroPara quem já não se lembra, este Deus escreve-se com letra grande, mas é pequeno.

Trata-se de um sujeito baixinho, com o cabelo penteado para trás, í  custa de brilhantina e uma pêra que já não se usa desde os tempos da Inquisição (uma pêra, neste caso, é um pedaço de barba que ocupa, apenas, o queixo).

Ao longo dos anos, ocupou diversos cargos públicos, nomeadamente, ministro dos Negócios Estrangeiros e deputado do Parlamento Europeu, pelo PSD.

Notabilizou-se pelo golfe, que praticou antes, depois e durante.

Este ano, a excelente Manuela Ferreira Leite foi desencantá-lo para cabeça de lista do PSD por Braga, ao arrepio dos líderes locais, que meteram o rabinho entre as pernas, mas foram afiando as facas, preparando-se, agora, para as espetar convenientemente, nas costas de Manuela (não sei bem onde, porque a senhora é só ossos…)

Muito provavelmente, Deus terá vendido a alma ao Diabo: “se o PSD ganhar, abdico da minha reforma dourada, em troca de um lugar no Governo”.

O PSD não ganhou, mas Deus foi eleito.

Finalmente, Deus descia a Assembleia da República!

Mas por pouco tempo.

Deus chegou, registou-se  e, meia-hora depois, renunciava ao cargo de deputado.

Abdicar da reforma dourada pela merda de ordenado que um deputado ganha?

Só se Deus fosse parvo!

Mas este Deus não é parvo!

Em compensação é Pinheiro e, como se sabe, o pinheiro está infestado por nemátodo…

“Milk”, de Gus Van Sant

milkSe eu disser que “Milk” não me aqueceu nem arrefeceu, posso ser acusado de homofobia, mas não é o caso.

Por qualquer razão, que não tem a ver com preconceitos, o filme não me tocou, como outros filmes sobre grupos específicos da sociedade, que são marginalizados.

Notável, de facto, a interpretação de Sean Penn, que lhe valeu, este ano, o óscar para melhor actor. O filme ganhou, ainda, o óscar para melhor argumento original e não se percebe bem porquê, uma vez que se “limita” a contar uma história verídica: a luta de Harvey Milk pela igualdade de direitos dos homossexuais.

A luta dos homossexuais norte-americanos pode ter sido (e ainda ser) uma luta digna da nossa solidariedade mas, neste filme, os poderosos inimigos dos gay são de tal modo caricaturados que o filme não conseguiu convencer-me.