A epidemia! Finalmente, a epidemia!

A gripe das aves passou-nos a perna. Armazenámos tamiflu í s toneladas, reunimos as mais altas instâncias da OMS, enviámos repórteres aos hospitais dotados de quartos especialmente preparados para receber os infectados – e, da gripe, nem rasto.

O tamiflu ficou a ganhar bolor nas caves da Direcção Geral da Saúde.

Mas eis que os porcos dão uma ajuda: aí está a gripe suína!

Hoje, 6 dias depois de dado o alerta, já se fizeram, em Portuga, 10 análises 10 para tentar detectar o vírus H1N1, o que dá uma estonteante média de menos de duas análises por dia!

Hoje, 6 dias depois do alerta, não há um único caso confirmado, nem sequer um caso suspeito para amostra, mas já se põe em causa a capacidade de resposta das autoridades de saúde, nomeadamente da linha de Saúde 24.

Quem ouvir as notícias das televisões portuguesas, pensa que está no México e que há pessoas a morrer de gripe suína em cada esquina.

Mesmo no México, parece que o número de mortes que podem, comprovadamente ser atribuídas ao H1N1, são apenas sete.

Exagero, como de costume.

Nesse caso, não se deve informar? não se deve prevenir?

Claro que sim, mas sejam um pouco menos histéricos, por favor!

Ontem, no telejornal da RTP-1, uma jornalista que tem a mania que é engraçadinha, andou pela rua, em reportagem para conhecer a reacção das pessoas í  gripe suína.

E, apesar de ter a obrigação de informar correctamente, a jornalista perguntou a um homem, qualquer coisa como isto: “então vai comprar carne de porco? Não tem medo?”

Ela estava a brincar… claro que a carne de porco não tem nada a ver com a gripe suína – ou terá?

Aguardemos os próximos desenvolvimentos da coisa, mas cheira-me que estamos perante mais uma coisa semelhante í  da pneumonia atípica que, em 2003 ia matando milhões de pessoas em todo o mundo. E quem já não se lembra dessa epidemia brutal, pode clicar aqui, por exemplo.

Finca de Mariposas e Café Britt

A Finca de Mariposas fica em La Guacima, na província de Herédia, a cerca de meia hora de San José.

Desta finca partem, para todo o mundo, casulos de mais de 40 espécies de borboletas – e os casulos são surpreendentes, parecendo pequenos objectos de ourivesaria, sobretudos os das Morpheus e os das Monarcas.

No jardim, todo coberto de rede, as borboletas voam por todo o lado e põem os ovos em plantas preferidas (cada espécie tem a sua planta); os ovos são recolhidos diariamente e colocados numa espécie de maternidade/infantário, onde se acompanham as diversas fases da vida de uma borboleta.

Numa salaao lado, mulheres procedem í  escolha dos casulos – só os melhores servem para exportação.

A Costa Rica tem mais de mil espécies de borboletas, mais do que todo o continente africano.

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No Café Britt, a visita é conduzida por três actores que nos contam a história do café, desde a semente í  chávena.

A visita começa na quinta, junto aos cafezeiros, mas acaba num pequeno anfiteatro, onde os actores contam um pouco a história do café, desde que foi descoberto, na Etiópia, até á sua introdução nas grandes cortes europeias e, depois, a sua chegada í  Costa Rica. Interessante e divertido.

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“O Fantasma Sai de Cena”, de Philip Roth

fantasmasaidecenaPublicado em 2007, “Exit Ghost” é mais um livro em que Roth usa o seu alter ego, Nathan Zuckerman como personagem central.

Zuckerman está velho e doente. Tem 71 anos, foi prostatectomizado por cancro há 11 anos e ficou impotente e incontinente.

Deixou Nova Iorque e o convívio com as pessoas e refugiou-se num local ermo da Nova Inglaterra, sem televisão, sem jornais, sem computador, sem telemóvel, dedicando-se, apenas í  escrita.

Agora, no entanto, Zuckerman volta a Nova Iorque para experimentar um novo tratamento que talvez lhe melhore a incontinência e essa perspectiva dá-lhe novo alento.

Num jornal, encontra um anúncio que parece publicado para ele: um casal de jovens escritores pretendem trocar o seu apartamento na cidade por uma casa no campo, por um período de um ano.

Zuckerman decide responder ao anúncio e apaixona-se platonicamente pela jovem escritora, começando a elaborar fantasias sexuais com ela.

Esta é a história básica do livro, embora existam outras sub-histórias. Com a mestria habitual, Roth põe a nu a tragédia da velhice, da doença, da perda da virilidade, da perda do controlo dos esfíncteres.

Uma citação curiosa. Zuckerman regressa a Nova Iorque 11 aos depois e o que o surpreende mais?

“Que me surpreendeu mais nos primeiros dias de deambulação pela cidade? A coisa mais óbvia – os telemóveis. (…) Que tinha acontecido nestes dez anos para que de repente houvesse tanto para dizer – tanto e tão urgente que não pudesse esperar para ser dito?”

Parque Nacional Manuel António

Inaugurado em 1972, este Parque Nacional com nome de conquistador espanhol, tem praia de um lado e floresta do outro.

Apesar de ser o parque mais pequeno do país, com apenas 16 km2, tem uma biodiversidade notável.

A estrela do Parque é a preguiça, animal que parece rir-se do facto de ser pré-histórico e nunca ter feito nada por isso, mas também se vêem macacos uivadores e de cara branca, caranguejos terrestres, pássaros diversos, iguanas, morcegos e insectos estranhos.

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De Monteverde a Manuel António

O Interbus faz a ligação entre os vários hotéis dos vários lugares turísticos da Costa Rica. São carrinhas com 9-11 lugares, o que torna as ligações mais rápidas e baratas.

O interbus que nos foi buscar de Monteverde até ao Hotel El Parador, em Manuel António, demorou 4 horas, a primeira hora das quais numa estrada incrível, de terra batida, cheia de buracos e pedras rolantes, montanha acima, montanha abaixo.

Pelo caminho, vimos um tucano de bico arco-íris, araras lindíssimas, uma iguna no meio da estrada, indiferente ao trânsito, e, finalmente, o Pacífico, com praias a perder de vista.

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Manuel António fica 6 km depois de Quepos, no cimo de uma colina que domina o oceano.

Ao longo da íngreme colina, outra vez com estrada de terra batida, hotéis, lodges, pensões, cabinas, apartamentos, um frenesim de construção que acaba por transformar este local paradisíaco num frenesim turístico.

O hotel El Parador é espectacular e é só é pena que tudo isto seja construido í  custa da destruição da floresta.

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Reserva Biológica de Monteverde

Chega-se í  Reserva Biológica de Monteverde por uma sinuosa estrada de terra batida. São 105 km2 de floresta, a 1500 metros de altitude, temperados por neblinas quase constantes, alimentados pelos ventos húmidos do oceano.

Dizem que existem, aqui, cerca de 150 espécies de répteis e anfíbios, 500 espécies de borboletas, 100 espécies de mamíferos, 400 espécies de pássaros, incluindo 30 de colibris – mas a vida animal é difícil de detectar, devido í  densidade da folhagem e ao porte esmagador das árvores.

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Um dos pássaros que aqui vive está em vias de extinção. É o famoso quetzal, que os índios pensavam ser descendente do deus Quetzalcoatl.

O quetzal é, de facto, um pássaro espectacular, com penas de cores iridiscentes, cuja tonalidade varia consoante a incidência da luz solar.

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Os colibris vêem-se melhor, graças a um truque. Colocam-se diversos bebedouros cheios de água com açúcar e é vê-los virem, em hordas, batendo as asas, para chuparem a gulodice.

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A Selvatura, a cerca de 6 km da Reserva, é uma espécie de parque temático sobre a floresta. Ocupando uma extensa área da floresta nebulosa, tem, como atracções, um borboletário, um reptilário, uma exposição de insectos, tirolinas e pontes suspensas.

As oito pontes suspensas, fornecem um passeio de cerca de 2 horas.

As pontes suspensas são uma maneira óptima de ver a floresta porque ficamos ao nível das copas de muitas árvores, embora ainda bem longe de muitas outras.

Algumas das pontes estão a cerca de 60 metros de altura e têm í  volta de cem metros de comprimento.

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Do Arenal a Monteverde

Pode ir-se do Arenal até Montever, começando por atravessar o lago Arenal, de bote, o que demora cerca de uma hora.

Com o vulcão pelas costas e Monteverde em frente, a transição de uma paisagem para outra é evidente.

As encostas de Monteverde parecem de veludo verde.

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Depois da travessia do lago, segue-se um percurso de hora e meia por estrada de terra batida, com muitas pedras soltas, subindo e descendo, com um manto verde de cada lado da estrada.

O almoço, no Fonda Vella Hotel, foi casado.

Casado é o prato típico da Costa Rica e é composto por frango, ou vaca ou peixe e, a acompanhar, tudo: arroz, feijão, plátano, ovo, tomate, cebola, palmito, tortilla, queijo, etc.

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Em Monteverde também se cultiva bom café.

Na quinta Don Juan, podemos ver, novamente, todas as fases do processo e ver, por exemplo, como se extraía, antigamente, o açúcar da cana, espremendo-a num torno, movido por uma parelha de bois.

A planta do café é, sem dúvida, a estrela da Costa Rica.

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Parque Nacional do Vulcão Arenal

O Parque Nacional do Vulcão Arenal cobre mais de 120 km2 e rodeia o vulcão.

O vulcão deixou de estar activo por volta do século 16 e só voltou a entrar em actividade em 1968; desde então, não mais parou.

Uma caminhada de cerca de 3 km leva-nos até í  corrente de lava, hoje solidificada e transformada em rochas magmáticas e cinzas.

Com a ajuda de binóculos, vemos as rochas caindo pela encosta do vulcão e ouvimos o som assustador, semelhante a trovões. De vez em quando, um pequeno abalo de terra.

Também no Parque Nacional, pode-se passear sobre as copas das árvores, em funicular.

Lá de cima, vê-se o lago Arenal, um lago artificial criado em 1973, numa depressão tectónica entre Tilarán e a cordilheira de Guanacaste.

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Vulcão Arenal

Do Parque Nacional Tortuguero ao Parque Nacional do Vulcão Arenal, passa-se quase um dia inteiro: primeiro, hora e meia de lancha, até Caí±o Blanco, depois, autocarro por uma estrada muito estragada, até Guapiles e, finalmente, 2h 30 de estrada em bom estado, mas com muito trânsito de camiões, bicicletas e peões, caminhando nas bermas.

O vulcão Arenal é um cone perfeito, com 1650 metros de altura e o topo quase sempre escondido por nuvens e pelo fumo que sai do próprio vulcão.

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A última grande erupção foi em 1968 e a lava e as rochas incandescentes destruiram uma povoação inteira. Desse lado, a encosta do vulcão é árida. Do outro lado, toda a encosta é verdejante e a povoação que existe no sopé, adoptou o nome de La Fortuna, por razões óbvias.

O Hotel Kioro fica mesmo em frente ao vulcão e tem diversas piscinas com águas termais, que vão arrefecendo, í  medida que passam de uma para outra.

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