Archive for September, 2008

“The Shield” – 2ª série

Monday, September 29th, 2008

Mackey e Aceveda firmam um pacto de não agressão: o comandante daquela esquadra muito especial não chateia muito o detective corrupto e, em troca, este arranja-lhe umas detenções baris, que poderão ajudar o latino a ganhar as eleições.

Este arranjinho fica comprometido com uma auditora civil, que mete o nariz em tudo e que começa a desconfiar dos métodos do Strike Team. Além disso, também a detective Claudette começa a não achar muita graça aos métodos de Mackey e decide roer-lhe os calcanhares. Paralelamente, a mulher de Mackey quer mesmo o divórcio, um dos seus principais chibos é queimado vivo e uma prostituta junkie, que também lhe dava umas tips, leva um balázio na barriga e vai desta para melhor.

Vic Mackey só tem coisas que o ralem!…

A série é filmada com muito nervosismo. Uma simples conversa de três minutos, é filmada de três ângulos, com uma câmara hesitante, fazendo lembrar o método usado por Soderbergh, em “Traffic”, por exemplo. Os episódios são todos filmados a correr, tudo acontece muito depressa e é raro haver um diálogo que dure mais de três minutos. Mackey, por exemplo, está sempre a entrar e a sair de salas, a aproximar-se e a afastar-se da câmara, sempre nervoso, nunca nos olhando de frente.

Não é uma grande série, mas é bem esgalhada e tem a diferença de os heróis serem polícias assumidamente corruptos e nós nem nos importarmos muito com isso. Até porque “ladrão que rouba a ladrão…”

Um Benfica à Benfica

Sunday, September 28th, 2008

Confesso: o Flores ainda não me convenceu.

Confesso: olho para este Benfica e custa-me a integrar os novos jogadores no meu conceito de Benfica. O Carlos Martins é do meu Benfica? E o Yebda? E o Reyes? E o Aimar?

O Quim e o Nuno Gomes, são; o Cardozo e o Máxi Pereira, começam a ser – mas, o Jorge Ribeiro, o Balboa, o Sidnei, o Urreta, o Ruben Amorim?

São muitos jogadores novos. Tenho que rever a minha noção de Benfica.

De qualquer modo, qualquer equipa do Benfica que dê dois secos aos lagartos, é o meu Benfica!

O amigo venezuelano

Sunday, September 28th, 2008

Por que é que não tenho uma casa da Câmara?

Saturday, September 27th, 2008

Antes de continuarem a ler este texto, agradeço que leiam esta pequena local, que saiu hoje no Expresso, a propósito do “Lisboagate” – distribuição de casas da Câmara a amigos e camaradas, por cunhas, pagamento de favores e outras trafulhices.

Já leram?

Então, agora, falo eu: em Junho de 1974, estudava no 2º ano de Medicina, tinha um filho, o Pedro, com um ano de idade e vivia num quarto, em casa dos meus sogros. Há mais de uma ano que colaborava, com estorinhas, poemas e outras brincadeiras, com o jornal República. Gratuitamente. “Just for fun”.

O Álvaro Guerra, que já não está por cá, achou que eu era bem capaz de ser jornalista e como, entretanto, depois do 25 de Abril, passara do República para a RTP, convidou-me para experimentar o jornalismo televisivo.

Não hesitei, claro.

Comecei por ganhar um salário de 7.500 escudos, que era excelente, naquela altura. Continuei a estudar, durante o dia, e a trabalhar no Telejornal da noite que, naqueles tempos, ia para o ar quando calhava, por vezes, depois da uma da manhã.

Graças ao Álvaro Guerra e ao meu emprego como jornalista estagiário, conseguimos sair da casa dos meus sogros e alugar um T1, em Benfica, por 3.500 escudos. Sobravam 4 mil escudos, do meu ordenado. Até dava para beber um gin tónico todos os dias!

Algum tempo depois, juntámo-nos ao nosso amigo José António, também jornalista, na altura, além de estudante de Matemática, e alugámos uma casa em Algueirão. Tinha dois andares: o rés-do-chão para nós, o primeiro andar para os amigos. Renda: 6 mil escudos mensais.

Nessa casa, nasceu a nossa Marta e a Joana deles.

“Obla-di Obla-da, life goes on…”

Em Setembro de 1987, 14 anos depois do 25 de Abril, já longe do jornalismo e trabalhando como Médico de Família há dois anos, conseguimos comprar a nossa primeira e única casa, em Almada.

Ainda a estamos a pagar.

Por isso, peço desculpa pela minha linguagem, mas quero que todos estes gajos façam o favor de ir à merda!

Magalhães e os Velhos do Restelo

Wednesday, September 24th, 2008

No Macacos sem galho decorre uma acesa discussão a propósito do computador Magalhães e da e-escolinha (http://www.macacos.com/2008/09/23/viva-o-magalhaes/).

Parece que, afinal, a tecnologia de ponta que o Sócrates diz que o Magalhães tem, já não é tão de ponta assim – dizem os críticos. Um dos fulanos que participa na discussão diz esta coisa enigmática:

“O portatil que eu dava aos alunos seria um com 32 megas de ram, disco de 512 megas, grafica de 2 megas, o s.o. seria linux ou bsd. Não precisavam mais do que isto. Queriam fazer processamento de texto, usavam latex, queriam fazer graficos usavam o gnuplot, queriam usar a calculadora ou abriam a shell de alguma liguagem interpretada ou então xcalc. Navegar na net era o lynx (caso precisasem de algo grafico que usem o “links -g””). Querem fazer desenhos? usem papel e lapis (ou então o xfig que é poderosissimo)! Assim tornavam-se homemzinhos!”

Eu e 98% dos miúdos do ensino básico ficamos de boca aberta! Então, os putos podiam ter um sistema operativo linux, ou mesmo bsd, e não têm?! Que é lá isso, ó Sócrates? Está a roubar aos nossos infantes a possibilidade de usarem o “gnuplot”, seja lá isso o que for?! (a propósito: “bsd” quererá dizer “bondage-sado-masok”?)

Primeiro-ministro da treta, é o que tu és!

Sinceramente, a mim, parece-me uma ideia estrangeira, esta, a de fornecer portáteis aos putos do ensino básico e secundário. Quando percebi que isso se estava a passar em Portugal, pensei, por momentos, que tinha mudado de país.

Claro que o Sócrates e todo o Governo se aproveita do Magalhães para fazer auto-propaganda. Eu faria o mesmo. Os gajos do PSD fariam o mesmo (os gajos do PC, BE e CDS não fariam o mesmo porque nunca terão hipótese de chegar ao Poder, caso contrário… fariam o mesmo…).

A ideia é óptima e merece aplausos, o nome do computador é bem esgalhado (Magalhães ou Magajanes é conhecido em todo o mundo) e só gajos com o espírito do Velho do Restelo é que podem estar contra uma coisa destas.

Por que nunca serei cliente do Millenium

Tuesday, September 23rd, 2008

Depois de terem posto o Abrunhosa, no cimo de um prédio, a “cantar” que estava ali, sem que ninguém o empurrasse;

Depois de terem pago a um miúdo para cantar que ia “virar a vida de pernas para o ar”, como se eu me ralasse com a vida dele;

Os tipos lembraram-se, agora, de oferecer um CD do Jorge Palma a quem domiciliar o ordenado no Millenium-BCP.

Um CD do Jorge Palma?!

Sádicos!

Com ofertas destas, como poderei eu ser, algum dia, cliente deste Banco?!

O PSD não tem emenda

Sunday, September 21st, 2008

Segundo o Expresso, Manuela Ferreira Leite estará inclinada a deixar que Santana Lopes possa ser o candidato do PSD à Câmara de Lisboa.

Este seria o presente envenenado de Manuela ao Sr. Lopes: ao dar-lhe uma nova oportunidade, calaria a oposição dentro do partido. Se Santana ganhasse (ah! ah!), Manuela também ganharia; se Santana perdesse, Manuela não poderia ser acusada de não ter tentado.

Esta baixa política só mostra como se mexem os partidos, o PSD, em particular. No artigo do Expresso, assinado por Ângela Silva, não se fala, em lado nenhum, do que poderia ganhar a cidade se Santana Lopes voltasse a ser presidente da Câmara. Não se conhece, da parte de Santana, nenhuma ideia nova sobre Lisboa (ele tinha 3 e já as esgotou: o túnel do Marquês, o Casino de Lisboa e o Parque Mayer). Nada disto interessa. O que interessa são os jogos dentro do partido.

Aliás, no PS, a treta é a mesma. Agora, por exemplo, António Costa e Helena Roseta chegaram a um entendimento, que foi muito saudado pelos comentadores. Então, mas afinal eles não pertencem ao mesmo partido? Não podiam ter chegado a esse acordo antes de concorrerem separadamente à Câmara, evitando meses e meses de decisões adiadas porque não havia maioria nas votações?

Voltando ao Sr. Lopes: será que ele quer a candidatura à Câmara de Lisboa?

Não acredito.

O Sr. Lopes quer a Presidência da República, quando o ciclo de Cavaco acabar.

Lá terei que votar no Mário Soares, outra vez, daqui a 10 anos…

A morte de Richard Wright

Saturday, September 20th, 2008

Ora bem… o homem já morreu há uns dias e só agora arranjo um pedacinho para escrever algo sobre ele – aliás, algo sobre a minha “ideia” de Richard Wright.

Para mim, os Pink Floyd sempre foram um colectivo.

Eu explico: tenho 55 anos e fui contemporâneo de muitos destes senhores.

Para mim, tudo começou com os Beatles, que eram quatro. Sempre os identifiquei separadamente. Dois + um + um. Isto é: Lennon e McCartney + Harrison + Ringo. Os que sempre gostaram dos Beatles, percebem o que eu estou a dizer.

Os que têm vergonha de dizer que gostavam dos Beatles, por serem demasiado “populares”, fazem de conta que eles não existiram e elaboram grandes textos sobre, por exemplo, os Love, que ninguém sabe quem foram. Ou então, tipos com a idade do meu filho, masturbam-se com Brian Wilson, o maníaco-depressivo dos Beach Boys, dizendo que o tipo é um génio. Esses gajos não sabem o que é ouvir, pela primeira vez, “Eleonora Rugby”, num programa da Rádio Renascença, entre Tony de Matos e Simone de Oliveira e sentir que se estava a ouvir algo de subversivo.

(Um pequeno aparte: se for disléxico, direi Brain, em vez de Brian – será por isso que o gajo era o “cérebro” dos Beach Boys?)

Portanto, os gajos medianos, que gostavam dos Beatles, sabiam que havia ali uma dupla de génio (Lennon & McCartney), um gajo com jeito, mas tímido (Harrison) e um bronco, que foi a reboque, mas que aguentou a onda (Ringo). Os mais “intelectuais”, dirão que Harrison é que era o grande génio e que Lennon e McCartney nunca o deixaram vir à superfície (caso contrário, os Beatles teriam sido outra coisa qualquer…), e os mais “outsiders” dirão, ainda, que Ringo é que era o bonzão e que deixou os outros tomarem a dianteira, só porque era “cool” e não estava para se chatear.

Isto, quanto aos Beatles.

No que respeita aos Stones, convenhamos que aquilo era o Jagger e o Richards e que os restantes, eram apenas decorativos. Hoje, passados todos estes anos, o Charlie Watts e o Ronnie Wood já têm o seu lugar no Panteão, quanto mais não seja pelos anos que já levam a aturar os outros dois, e por terem sobrevivido a tantas bebedeiras e tantas drogas. E todos nós sabemos como difícil é aturar velhotes, sobretudo se forem drogados…

E ainda houve o Brian Jones, que morreu afogado em drogas e cloro da piscina e o Bill Wyman, que saiu a tempo de manter a sua sanidade mental.

Claro que, quando Wyman morrer, ainda há-de aparecer alguém a dizer que ele é que foi o verdadeiro Rolling Stone e que só abandonou a banda porque Jagger e Richards se tornaram mercenários do rock.

Bom, mas isto era para ser sobre Richard Wright.

Portanto, os Pink Floyd, para mim, nunca foram o Wright, o Mason, o Waters, o Gilmour ou o Barrett. Para mim, os Pink Floyd eram um grupo de gajos que faziam uma música que eu nunca tinha ouvido antes.

Tenho três memórias vívidas da música dos Pink Floyd. Duas, bastante arcaicas e outra, um pouco mais recente.

Primeira: no meu quarto de adolescente, com as paredes forradas com fotografias de pop-rock stars, rasgadas das revistas Bravo (em alemão, nunca percebi patavina) e Salut Les Copins. Sentado no beliche de baixo (em cima dormia o meu irmão), a ouvir o álbum “A Saucerful of Secrets” (1967). Devia ter cerca de 15 anos. Fiquei estupefacto com os efeitos estereofónicos. Querem eram aqueles gajos?

Segunda: 1973. Eu e o meu amigo Hermínio, colegas no Liceu Passos Manuel, passeando pela Rua do Salitre, e cantando, em voz alta, músicas do “Dark Side of the Moon”.

Terceira: 22 de Julho de 1994. Estádio de Alvalade. Show dos Pink Floyd, já sem Roger Waters. O meu filho desentende-se com um gajo que está à nossa frente e que, em vez de ficar sentadinho, desfrutando do rock planante dos Pink Floyd, está em pé, abanando a cabeça, ao som da música, não nos deixando ver o espectáculo como deve ser. Cena de socos. Rápida e concisa. O gajo passou o resto do concerto sentadinho.

No meio de tudo isto, lá estava o Wright, discreto, de volta do Farfisa, fazendo aqueles sons todos que me deixavam estarrecido.

Confesso: mal sabia o nome dele.

No entanto, sei que os Pink Floyd se mantiveram Pink Floyd sem Syd Barrett, continuaram Pink Floyd sem Roger Waters, mas teriam sido outra coisa qualquer sem Richard Wright.

E penso que, ao dizer isto, estou a fazer um grande elogio aos Pink Floyd.

Abaixo os eufemismos! Vivam os coxos!

Tuesday, September 16th, 2008

Esta pequena notícia que saiu no Público de ontem é uma pedrada no charco dos eufemismos que nos inundam.

Já o falecido George Carlin se insurgia contra os eufemismos, no livro “Quando é que Jesus Traz as Costeletas” (Europa-América, 2004).

Não são “contínuas”, são “auxiliares de acção educativa”, não são “empregadas da limpeza”, são “auxiliares de acção médica”, a “instrução primária” passou a “ensino básico”, o “lixo”, agora, são “resíduos sólidos urbanos”, e etc, etc…

Por isso, é de louvar esta Associação Nacional dos Coxos (ANC), que não tem vergonha nenhuma de se chamar assim mesmo, sem eufemismos – nem Associação Nacional das Pessoas com Deficiência numa Perna, nem Associação Nacional dos Indivíduos que Andam de Forma Diferente. É dos Coxos e acabou!

E mais: a Associação Nacional dos Coxos não tem problema nenhum em pedir à Assembleia da República que institua o dia 23 de Março como o Dia Nacional dos Coxos!

Mas os deputados devem todos pertencer à Associação Nacional dos Surdos e ainda não deram ouvidos à proposta dos Coxos. Diz o presidente da ANC, António Francisco: “se houvesse deputados coxos, o dia já era nosso”.

Olha que não sei, ó Francisco. É óbvio que há deputados gagos e não é por isso que há um Dia Nacional dos Gagos.

Mas estou contigo quando dizes que “ser coxo não é defeito”. Ser deputado pode ser muito pior!

Finalmente, um aviso: não será perigoso fazer um Encontro Nacional de Coxos em Fátima?

Imaginem que a Nossa Senhora decide fazer um milagre…

A Associação Nacional dos Coxos deixaria de existir…

Para acabar com o crime violento

Sunday, September 14th, 2008