A maldição dos Luises Filipes

santana_luisfilipe1.jpgHá nomes que matam, nomes que salvam, nomes que se agarram aos seus portadores e que os levam a destinos pré-definidos.

Gina é nome de rapariga fácil. Constança é nome de tia. Afonso é nome de tio. Augusto é nome de vendedor da banha da cobra.

E Luís Filipe?

Luís Filipe é o nome daquele defesa do Benfica que entregou a bola ao adversário e, assim, ofereceu o segundo golo ao Nuremberga.

Luís Filipe é, também o nome do chefe do PSD – o grande responsável pela reeleição de Sócrates, com maioria absoluta, em 2009.

As urgências, afinal, funcionam!

Notícia do Diário de Notícias do passado dia 15, página 27: 

“Homem corta pénis com uma navalha – Condeixa. Idoso desferiu vários golpes por não conseguir urinar há alguns dias, mas não amputou o órgão sexual”. 

É preciso ter falta de pontaria, caramba! Dar vários golpes na pila e, mesmo assim, continuar com ela ao pendurão, é mesmo falta de jeito!

A notícia explica que o homem, de 82 anos, arreliado com o facto de não conseguir urinar há vários dias, decidiu amputar o pirilau. Não lhe ocorreu que pudesse ser algaliado e, pelos vistos, também ninguém o informou desse extraordinário avanço da Medicina.

Com a exuberância de detalhes própria deste tipo de notícias, o texto continua assim: 

“Eram 13.55 quando foi accionado o pedido de socorro e, de imediato, acorreram os Bombeiros Voluntários de Condeixa com uma ambulância, tendo ainda sido accionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação do Centro Hospitalar de Coimbra”. 

E ainda dizem que as urgências, em Portugal, não funcionam! Uma ambulância e uma VMER só por causa de uma pila parcialmente cortada!

Volta, Correia de Campos!

Estás perdoado!

Coimbra é uma lição…

Conimbriga é uma agradável surpresa. Gostei, especialmente, dos peristilos. Este, até tem repuxos, que se podem accionar, a troco de 50 centimos.

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Coimbra, para mim, sempre foi cidade de passagem. E merecia mais. Merece mais.

Pode começar-se pela Baixa, com este edifício muito bonito do Banco de Portugal.

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Sobe-se, depois, pela Rua do Quebra Costas, até í  Sé Velha, olhando sempre para um lado e outro, pois há sempre motivos de interesse, quer nas placas toponímicas (Beco dos Prazeres, Palácios Confusos, etc), quer nas janelas semi-abertas, por onde se pode espreitar para outras intimidades.

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Lá no cimo, a cabra domina. Nas paredes, inscrições curiosas: «a noite é uma vaca preta», ou cartazes “alternativos” do dias dos namorados e do dia das namoradas. E muita malta nova, o que é sempre (ou quase sempre) refrescante.

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Depois, desce-se, em direcção ao Mondego. E que agradável é passear na margem, com o sol a declinar.

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E, antes de regressar a Condeixa, dar um salto a Penela e espreitar o castelo medieval, mesmo com o sol já a esconder-se.

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“Extremamente Alto e Incrivelmente Perto”, de Jonathan Safran Foer

extremamente.jpgOskar Schell tem 9 anos e é inventor: todas as noites, antes de adormecer, inventa as coisas mais mirabolantes, como ambulâncias com tecto transparente para podermos ver quem vai lá dentro; também anda a ensaiar uma obra de Shakespear; para além disso, faz jóias, toca tamborim, fala francês e é pacifista.

Oskar perdeu o pai, que morreu no ataque terrorista de 11 de Setembro. O miúdo chegou a casa e tinha várias mensagens do pai no atendedor de chamadas. O pai garantia que estava tudo bem. Até que deixou de telefonar. Oskar ainda não aceitou a morte do pai. Por isso, custa-lhe adormecer e passa a noite, deitado, a inventar coisas.

Oskar tem um aví´ que deixou de falar há décadas. Em vez de falar, escreve num caderno. Mas Oskar só o vai conhecer quase no fim da história. Primeiro, terá que calcorrear Nova Iorque, em busca de pessoas com apelido Black e que poderão saber mais alguma coisa sobre a morte do seu pai.

“Extremely Loud and Incredibly Close” é um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Comovente e brilhante. Cheio de ideias novas, mesmo na apresentação da narrativa (fotos que ilustram o texto, números em vez de letras, páginas em branco, outras com uma única palavra). O autor é um puto nascido em 1977 e este é já o seu segundo romance. Estou cheio de vontade de ler o primeiro, intitulado “Está tudo iluminado”.

A vagina de Sónia Baby

Notícia do DN de hoje: 

“A actriz pornográfica Sónia Baby bateu sexta-feira í  noite um novo recorde mundial – retirou da vagina 90 metros de fio, onde estavam penduradas cerca de uma centena de bandeiras de vários países dos quatro cantos do mundo”. 

Esta notícia prova várias coisas, a saber:

1. A vagina, afinal, não é uma cavidade virtual, como vem descrito nos livros de Anatomia (pelo menos, a vagina da Sónia Baby)

2. Afinal, o mundo é quadrado, visto ter quatro cantos

3. A vagina de Sónia, afinal, não é assim tão grande. As Nações Unidas tem 191 países e ela só conseguiu enfiar 100 na sua ratinha.

E o Alegre se fez triste

alegre.jpgA piada da foto legendada é para velhos.

Velhos como eu, velhos como o Alegre.

Poucos se recordarão de um programa de rádio, chamado Companheiros da Alegria, da autoria de outro grande socialista, Igrejas Caeiro.

Muitos anos depois, outro socialista, Júlio Isidro, inventou um programa de televisão, chamado O Passeio dos Alegres – o que mostra a tendência dos socialistas portugueses para a alegria, que é de esquerda… enquanto a tristeza é de direita, como toda a gente sabe (isto é tema de futuras discussões..)

E, assim de repente, também poucos se lembrarão que, durante o salazarismo, Alegre era uma das principais vozes da rádio da Oposição, que emitia programas subversivos, a partir de Argel.

O que é que o Manuel Alegre quer, afinal?

Diz que não se revê no actual PS? Em qual PS é que ele se revê? No PS que defendia o marxismo? No PS social-democrata? No PS que já não sabe o que quer dizer “socialismo”?

Alegre quer um PS mais í  esquerda. E o que é ser de esquerda, hoje em dia? Será assegurar grandes reformas aos políticos, incluindo ele próprio?

Alegre defende o Serviço Nacional de Saúde com unhas e dentes. É uma conquista de Abril! Ainda por cima, inventado por uma socialista, António Arnaut.

Mas será que Alegre sabe o que é o SNS? Será o Serviço com um SAP em cada esquina, onde os utentes vão buscar receitas, pedir credenciais, mostrar unhas encravadas e morrer com enfartes? Será que Alegre pensa que os recursos são inesgotáveis e que Portugal se pode dar ao luxo de ter “a paz, o pão, saúde, educação”, tudo í  borla?

O que é que ele propõe, em alternativa í s políticas de direita do Sócrates?

É contra a avaliação dos professores? O que propõe Alegre, como alternativa?

É contra a co-inceneração? O que propõe Alegre, como alternativa?

Está bem: foi a votos, para a presidência e obteve um milhão de votos. Ficou muito convencido. A malta não se importava de ter um poeta como Presidente – agora, um primeiro-ministro a fazer versos?…

Alegre está velho e devia retirar-se de cena. Ou então, deixar-se de nostalgias. O PS que ele ajudou a fundar, está morto e enterrado, há muito tempo e o Partido Socialista só continua a chamar-se socialista por uma questão de acomodação. Passa-se o mesmo com o Partido Comunista, que ninguém sabe por que carga de água se continua a chamar comunista. Quanto ao PSD e ao CDS, nem vale a pena falar porque ninguém sabe, hoje em dia, o que é ser social-democrata e, muito menos, do centro democrático e social.

O único partido cujo nome continua correcto é o Partido os Verdes.

Estão verdes? – não prestam!

E a confusão, na cabeça de Alegre, vem mesmo daí. Ele também já percebeu que os partidos, tal como estão organizados, já não têm nada a ver com o que era há 20, 30 anos. E, por isso mesmo, vai dizendo que não quer formar um novo partido. Aliás, se ele se recordar do PRD do Eanes, que surgiu como alternativa ao PS e, hoje, alberga um grupelho de extrema-direita, pensa duas vezes, antes de fundar um novo partido. E então, como sabe que um novo partido não resolverá nada, inventa esta coisa dos movimentos de cidadãos, que também ninguém sabe o que são.

A malta nem í s reuniões de condóminos vai!

Alegre: das duas, uma: ou tens uma ideia nova – ou cala-te, pá!

“House” – 3ª série

house3.jpgA 3ª série de House é mais do mesmo mas, quando a coisa é boa, é mais do mesmo que nós queremos.

A série começa com um House renovado, após o coma induzido e o tratamento da Cuddy. O homem não tem dores, largou a bengala e o Vicodin, faz jogging e começa até a ser simpático com as pessoas. Felizmente isto dura apenas dois episódios e, ao terceiro, já o homem arrasta a perna, engole Vicodins a bom ritmo e torna a ser intratável. Assim é que nós gostamos de Gregory House.

Claro que as histórias clínicas são cada vez mais inverosímeis. Habitualmente, o doente começa por ter uma lipotímia, uma síncope ou uma convulsão. Na cena seguinte, já no Hospital, vemos o doente deitadinho na caminha, aparentemente bem. House e os seus três discípulos discutem o diagnóstico diferencial que, habitualmente, inclui amiloidose, sarcoidose, intoxicação por um qualquer metal pesado raríssimo, infecção por um estreptococo alienígena ou cancro já com variadíssimas metástases. House acaba por se decidir por uma outra doença qualquer e manda que se faça o tratamento. «Se o doente piorar, é por que é outra coisa». E, na cena seguinte, o doente já está em paragem cardiorrespiratória, em insuficiência renal, ou “all of the above”.

Depois – e aqui, depende dos episódios – ou House anda a implicar com a Cuddy, ou com o Wilson, ou com um dos seus três servos, ou com todos ao mesmo tempo e a história clínica acaba por cair para segundo plano e, regra geral, resolve-se na última cena.

Nada disto é muito importante porque, o que tem graça, é assistirmos ao espectáculo de Hugh Laurie a fazer de Gregory House.

Para mim, como médico, gosto muito do modo como House lida com alguns dos doentes que lhe aparecem na Clínica.

Doente – Tenho uma dor neste ombro que nem consigo dormir virado para este lado.

House – Então, por que não dorme virado para o outro lado? Tem dois ombros…

Doente – Porque estou muito habituado a dormir virado para este lado, mas isso faz-me doer o ombro!

House – Bom, então teremos que ponderar a cirurgia…

Doente – Ao ombro?…

House faz uma careta que diz tudo: é ao braço, estúpido! Se te dói o ombro e não consegues dormir virado para esse lado, e não queres dar-te ao trabalho de dormires virado para o outro lado, tira-se o braço e o problema fica resolvido, não é?

É frequente surgirem doentes com questões como esta e, como não sou o House, não posso responder desta maneira; embora, por vezes… bom, isso fica para quando escrever as minhas memórias…

No final desta 3ª série, Foreman demite-se, House despede o Chase e a Cameron, por solidariedade, demite-se também.

É tempo de se arranjarem outros parceiros para House.

É Carnaval, ninguém leva a mal?

* Patrões querem que seja legal despedir para renovar os quadros

* Irão inaugura centro espacial e lança foguetão

* Berlusconi espera voltar ao poder

* Houve cinco abortos na Madeira em Janeiro, o primeiro mês da aplicação da nova lei

* Tribunal recusa indemnização a Pinto da Costa

* Um filho pode custar 236 euros/mês durante 25 anos, segundo um estudo de uma equipa de psicólogos de Coimbra

* Mais algarvios vão receber tratamentos em Cuba

* Começam amanhã as comemorações dos 400 anos do padre António Vieira (velho como a merda, este padre!)

* Cientistas criam um ratinho que apanha constipações

* Google oferece ajuda í  Yahoo! para recusar a oferta da Microsoft

(Todas estas informações foram recolhidas das “gordas” da edição de hoje do Público)

Telmo, o Despachado

santana_telmo.jpgO Público de hoje diz que, na madrugada do dia em que o Governo de Sócrates tomou posse, Telmo Correia – ministro do Turismo do Governo deposto do Sr. Lopes – assinou 300 despachos.

Ao longo de dez dias, Telmo não pí´s os pés no Ministério e, logo na noite em que foi despedido, foi a correr assinar três centenas de despachos!

Entre esses 300 despachos constaria aquele que ofereceu aos donos do Casino do Estoril a concessão do edifício onde está instalado, agora, o Casino de Lisboa que, como se sabe, era para ficar no Parque Mayer, depois do negócio com a Bragaparques. Isto não tem nada a ver com o facto do chefe da ASAE ter sido fotografado a fumar no Casino Lisboa, na noite em que a nova lei do tabaco entrou em vigor e de ter afirmado que, nos Casinos, a lei não se aplicava e, depois, o Director Geral da Saúde, Francisco George, que tinha dito que se demitiria se a lei não fosse cumprida, acabar por dizer que, afinal, nos Casinos, por causa de uma lei qualquer do jogo, se podia fumar em sítios pré-determinados. E claro que isto também não tem nada a ver com os contactos entre o presidente da Câmara de Lisboa, Santana Lopes, e o arquitecto Frank Ghery, que foi contratado para transformar o Parque Mayer, mas depois ficou tudo em águas de bacalhau e o Sr. Lopes foi para primeiro-ministro e Carmona Rodrigues ficou no seu lugar e já não me lembro do resto. E isto também não tem nada a ver com o negócio dos submarinos do Paulo Portas e do Jacinto Leite Capelo Rego, nem tem nada a ver com Nobre Guedes, os sobreiros, o Abel Pinheiro, o caso Portucale, o bastonário Marinho Pinto e a frase que ele repetiu duas vezes (“ele assina qualquer merda”).

O facto de Telmo Correia ter assinado 300 despachos na madrugada do dia em que foi despedido, não tem a ver com nada.

Sinceramente, nem sei por que raio é que os jornais continuam a publicar merdas destas!