Apesar dos passeios dos militares, dos protestos dos professores, das manif da Intersindical, Sócrates continua com 43% das intenções de voto.
Sócrates e Cavaco são unha com carne.
E Marques Mendes, não está à altura…

Apesar dos passeios dos militares, dos protestos dos professores, das manif da Intersindical, Sócrates continua com 43% das intenções de voto.
Sócrates e Cavaco são unha com carne.
E Marques Mendes, não está à altura…

Dr. House não usa bata, é coxo, dependente de Vicodin (acetaminofeno mais um derivado de codeína), sarcástico, amargo, brilhante, solitário, descrente, bizarro, nada ético, intuitivo, experimentalista, impulsivo, e muitas outras coisas contraditórias, que o tornam uma personagem única.
Hugh Laurie, o actor, soube dar-lhe substância e torná-lo credível.
Sob o ponto de vista técnico, a série tem algumas inverosimilhanças: nenhum médico faria, por exemplo, uma laparotomia exploradora a um doente que apresentasse, apenas, dores abdominais e sintomas paranóides, mas essas inverosimilhanças acabam por se aceitar, se aceitarmos a técnica de diagnóstico que House usa: tentativa e erro. E, depois do erro, reformulação do diagnóstico.
Claro que os criadores da série arranjam sempre casos estranhíssimos, raríssimos que qualquer médico comum encontrará, em toda a sua vida profissional, uma única vez na vida (ou, mais provavelmente, nunca). Dr. House tem um caso destes todas as semanas: intoxicação por naftalina, doença do sono por contacto sexual, porfiria, etc.
Contra todas as convenções, House não gosta de doentes (só gosta de doenças), só os observa em último caso, preferindo raciocinar através dos sintomas que os médicos da sua equipa vão colhendo junto do doente e dos exames complementares que vai pedindo, receita dois cigarros por dia a um tipo com colite, anuncia a uma mulher grávida que tem um parasita dentro de si, prescreve rebuçados a um tipo com fibromialgia.
House faz-me inveja. Quantas vezes não me apeteceu fazer o que ele faz, na Clínica do Hospital onde trabalha!
Por exemplo: chegar à sala de espera e dizer: “bom dia, chamo-me House, estou muito mal disposto, tenho dores crónicas, não gosto de doentes; estou no gabinete nº 1 – quem quiser ser consultado por mim, faça favor; mas há mais dois médicos de serviço…”
Ou dirigir-se à sala de espera e consultar os doentes ali mesmo, dando-lhes conselhos simples para resolverem as suas queixas sem importância.
Para nós, médicos, ver House M. D. é quase como um jogo: à medida que os sintomas vão surgindo e ele vai raciocinando, nós acompanhamo-lo e, muitas vezes, conseguimos chegar ao diagnóstico.
Mas há um extra nisto tudo, e é um grande extra: Laurie é excelente, a composição que ele faz deste médico amargo e anti-convencional é brilhante e, para além dos diagnósticos feitos como se de uma investigação criminal se tratasse (uma espécie de CSI médico), há também os diálogos, com as tiradas sarcásticas de House: “como o filósofo Jagger dizia – you can’t always get want you want”…
Nunca gostei de militares.
O pior período da minha vida passei-o na tropa. Nos anos 80, já com três anos de licenciatura, 28 de idade e dois filhos pequenos, fui arrancado do Serviço Médico à Periferia, para prestar o Serviço Militar Obrigatório.
Deixei de prestar cuidados médicos à população do concelho de Mourão, para ir fazer consulta de Clínica Geral no Hospital Militar de Évora. Mas não fui consultar os soldados, não senhor! Fui consultar os familiares dos senhores oficiais.
Mas antes, tive que passar seis semanas de humilhação, na recruta, nas Caldas da Rainha. Imaginem um pelotão de médicos, todos com 28 anos e mais, alguns deles já especialistas, sentados, a meio da noite, nas matas da Foz do Arelho, a tentarem identificar sons: uma lata que caía, uma bota que pisava caruma e – suprema imbecilidade! – um alferes a mijar!
Nunca mais me esqueci deste episódio. Ainda hoje, não consigo entender a importância que teve, para mim, médico de família, conseguir identificar, no escuro, o som de um alferes a mijar!
Mas foi isto que fui aprender na recruta. Isto, e também, a montar e a desmontar uma G-3, a marchar na parada e a fazer funeral arma.
Terminada a recruta, fui então para o Hospital Militar de Évora, mas a palhaçada continuou. Como éramos quatro médicos a prestar serviço militar obrigatório (quatro! em Mourão, para todo o concelho, foram colocados três médicos, no Serviço Médico à Periferia, e só lá ficaram dois, quando eu fui para a tropa!) – como éramos quatro médicos, decidimos dividir o serviço e cada um de nós, só ia ao Hospital uma semana por mês.
Uma tropa fandanga!
Por isso, faz-me muita confusão ver os militares a protestarem contra os privilégios que o Governo agora lhes retira, nomeadamente no sector da saúde – privilégios a que eles chamam direitos.
Faz-me ainda mais confusão ver militares tentarem ludibriar a lei, armados em chicos-espertos, chamando “passeio do descontentamento” à manifestação.
E ainda mais confusão me faz saber que esses militares organizaram o tal “passeio”, contra a opinião do Chefe de Estado Maior, do Ministro da Defesa e da Governadora Civil de Lisboa.
Um militar não pode ir contra as ordens da hierarquia. Por definição. Assim como um médico não pode ignorar um homem caído, no meio da rua.
O líder do tal “passeio”, disse, por exemplo: “não foi para isto que os militares fizeram o 25 de Abril”.
Como diz o Vasco Pulido Valente, também foram os militares que fizeram o 28 de Maio. E acrescento eu: também foram os militares que fizeram a guerra colonial, que sustentaram Salazar durante quatro décadas e que me obrigaram a ouvir um alferes a mijar!
Portanto, façam o favor de se deixarem de merdas!
Bush e Putin parecem muito divertidos, mascarados de vietnamitas. A foto foi tirada no decorrer da cimeira da Cooperação Económica Ásia Pacífico. Em primeiro plano, com o ar desconfiado de quem pensa que está a ser gozado, vemos Hu Jintao, o líder chinês. À direita, a presidente do Chile parece uma professora primária que se diverte com os seus pupilos mal comportados.
Imaginem o que Bush estará a dizer a Putin: estará a contar uma daquelas anedotas estafadas do inglês, do americano e do russo? Ou estarão a imaginar o que fariam à Coreia do Norte, se não tivessem que aturar as palermices das respectivas democracias?
Pouco importa o que estão a dizer. Ver Bush e Putin, muito divertidos, vestidos com túnicas vietnamitas, numa cimeira económica, em Hanói, não deixa de nos dar a sensação de que, afinal, apesar da queda do muro, continuam a ser eles a dominar o mundo.



O Sócrates é um tipo de esquerda?
Partindo do princípio que o é, como explicar que as suas políticas sejam apoiadas pelo Presidente Cavaco?
A menos que Cavaco, seja, ele também, um homem de esquerda…
Marques Mendes tem atacado Sócrates e apoiado os trabalhadores da função pública, os professores, os juízes, o Jardim, e todos os que se sentem prejudicados pelas políticas do governo.
Será Mendes um tipo de esquerda?
Se, afinal, Mendes é de esquerda, chegamos à conclusão que Sócrates é de direita.
Partindo deste pressuposto, onde colocamos Jerónimo e Louçã?
Ribeiro e Castro não conta.
Aumentar desmesuradamente os funcionários públicos, é de esquerda?
Cortar o financiamento da Madeira, é de direita?
Acreditar que é possível manter um Serviço Nacional de Saúde praticamente gratuito, apesar das ressonâncias magnéticas, dos TAC, dos transplantes, é de esquerda?
Criar aulas de intersubstituição, para que os alunos não tenham furos constantemente, é de direita?
Cada vez faz menos sentido esta distinção entre esquerda e direita ou, pelo menos, o modo como esta distinção se tem feito, nos últimos trinta anos.
Não aceitar que as definições de esquerda e direita têm que ser reformuladas, é o mesmo que negar que o telemóvel substituiu o telefone fixo, que os discos de vinil já só servem para coleccionadores, que a internet é uma coisa tão vulgar como o microondas, coisas estas que nem sequer existiam, há trinta anos.
Sejamos politicamente incorrectos: já não tenho pachorra para as novas canções do Paul McCartney, assim como já não tenho paciência para o Carvalho da Silva, para o Manuel Alegre, para o Marcelo Rebelo de Sousa e para toda essa malta da minha geração que continua a mandar bitaites.
Deixem a malta mais nova tomar conta disto e deixem-me em paz!
* Segundo o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, o ataque que matou 18 civis palestinianos, em Gaza, foi “um erro”, uma “falha técnica”.
A intenção seria matar muitos mais?
* O ministro da saúde, Correia de Campos, afirmou que quer que, em 2010, todas as crianças tenham dentista.
O Fábio Micael, de 14 anos, com os dentes todos podres, está com azar. Em 2010, já não será nenhuma criança…
* A Alitalia acabou com uma tradição de 50 anos. A partir de agora, as hospedeiras daquela companhia aérea italiana, já podem usar calças.
Acabaram os bons tempos em que as hospedeiras só usavam cuecas!
* Título do Público: “Tigres tamil perdem 22 barcos em batalha naval”.
É sabido que os tigres sempre preferiram o xadrez à batalha naval…
* O porta-voz do presidente Hamid Karzai, do Afeganistão, homenageou o ex-secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld. Disse: “estamos reconhecidos pelo que Rumsfeld fez para apoiar o Afeganistão desde há cinco anos”.
Ainda há gente boa no mundo…
Uma sugestão: por que razão o Donald não vai viver para o Afeganistão?
* Um juiz norte-americano condenou um homem a usar, durante 22 meses, no local de trabalho, uma t-shirt com a inscrição: “sou um agressor sexual”.
Sugestão: obrigar José Sócrates a usar, até ao fim do mandato, uma t-shirt com a inscrição: “sou um gajo de esquerda”.
* O Benfica entrou no Guiness Book of Records. É, de todo o mundo, o clube com mais sócios. Tudo graças ao “kit de sócio”, inventado por Luís Filipe Vieira.
Os portugueses não são capazes de resistir a promoções.
* Os portugueses são dos povos mais baixos da Europa, com uma média de 1 metro e 65 e meio. Abaixo de nós, só Malta.
Mas a malta somos nós, não é?…
* Santana Lopes publicou hoje, no DN, um artigo com as suas ideias sobre a Baixa de Lisboa.
Sempre é mais fácil publicar um artigo do que concretizar uma única das suas ideias. Lembram-se que ele já foi presidente da Câmara de Lisboa?
* Dezenas de portugueses passam fome, na Holanda, há vários dias, segundo noticia o Público, hoje.
É a habitual mania das grandezas. Por que carga de água tinham que ir para a Holanda passar fome? Não lhes bastava passar fome em Portugal?
Depois de termos lido “A História da V.”, nada melhor do que ler esta História do Orgasmo. Uma coisa leva à outra, não é?
Margolis é apresentado como colaborador do Guardian, Financial Times e Time e publicou este livro em 2004.
É um livro curioso, que analisa a visão do orgasmo, ao longo da história da civilização. Como o seu próprio autor diz: “apesar da sua importância como ícone em quase todas as culturas e países do mundo, nunca se produziu uma tese definitiva sobre o orgasmo – sobre o pouco que se conhece da sua história altamente secreta, da sua biologia, antropologia, psicologia, tecnologia e sociologia, sobre o seu papel cultural e a sua literatura. Por essa razão, escrevi este texto, além do facto de gostar muito de orgasmos”.
Algumas citações, para dar o tom do livro.
Das vantagens do orgasmo:
“Diz-se que o orgasmo tem as mesmas vantagens mentais e físicas que uma corrida de oito quilómetros, graças ao incremento do ritmo cardíaco equivalente a um intenso exercício aeróbico. (…) Aparentemente, os orgasmos melhoram a respiração, a circulação, o sistema cardiovascular, a força, a flexibilidade e a massa muscular. Diz-se também que produzem um brilho no olhar, no rosto e nos cabelos, além de aliviarem os sintomas de perturbações menstruais, osteoporose e artrite. Os orgasmos podem até ajudar a perder peso, uma vez que a adrenalina libertada durante o orgasmo reduz a glucose responsável pela acumulação de gorduras.”
Das mulheres pretensamente insaciáveis e multi-orgásticas, citando Donald Symons:
“A mulher sexualmente insaciável encontra-se principalmente, se não mesmo exclusivamente, na ideologia feminista, nas esperanças dos rapazes e nos receios dos homens”.
Das ideias puritanas sobre o “excesso” de actividade sexual:
“(Sylvester) Graham (o americano dos flocos de aveia) acreditava (…) que a masturbação reduzia a esperança e vida e conduzia à insanidade mental, e que os casais com excesso de actividade sexual seriam atacados de ‘languidez, lassidão, distensão muscular, debilidade e obesidade gerais, depressão de espíritos, perda de apetite, indigestão, desmaios e inanição, susceptibilidades acrescidas da pele e dos pulmões a todas as alterações atmosféricas, debilidade circulatória, calafrios, dores de cabeça, melancolia, hipocondria, histeria, debilidades de todos os sentidos, estrabismo, perda de visão, debilidade respiratória, tosse convulsa, redução pulmonar, perturbações hepáticas e renais, dificuldades urinárias, perturbações dos órgãos genitais, doenças da coluna, perda de memória, epilepsia, insanidade mental, apoplexia, abortos, partos prematuros, debilidade extrema, predisposições mórbidas e uma morte precoce dos filhos”.
Não era nada exagerado, este Graham, pois não?
Da obsessão anti-masturbaçãos dos puritanos:
“O Treatment of Masturbation, de 1900, da autoria do Dr. Sturgis, incentivou o uso de uma espécie de cinto de castidade masculino: ‘puxa-se o prepúcio bem para a frente, introduz-se o indicador esquerdo profundamente até à base da glande e, do exterior, perfurando a pele e a membrana mucosa, insere-se um alfinete de segurança revestido a níquel, atravessando horizontalmente em um centímetro até encontrar o dedo indicador do outro lado. Finalmente, coloca-se outro alfinete, pelo lado oposto do prepúcio, que se ajusta ao anterior. Qualquer tentativa de erecção provocará um dor intensa que tem um efeito dissuasor da masturbação.”
Simpático, este Dr. Sturgis!…
Para além de estas e muitas outras curiosidades históricas, o livro dedica muitas páginas ao orgasmo feminino que, finalmente, parece liberto do estigma de Freud, que considerava o orgasmo clitorideano como imaturo, só aceitando o orgasmo vaginal, com penetração – coisa que, muito provavelmente, nem sequer existe.
Apesar de, por vezes, o livro me parecer um pouco confuso (será da tradução?), não deixou de ser uma leitura agradável e, em alguns passos, esclarecedora.
Segundo o folheto distribuído antes do concerto, Chico Buarque editou 43 álbuns, fora as inúmeras colectâneas.
São centenas (milhares?) de canções, quase todas pequenas pérolas da música popular. Se nos pedissem para escolher trinta destas canções para o concerto, muito provavelmente, cada um de nós escolheria um alinhamento diferente.
Por isso, é natural que a expectativa de cada espectador, antes do concerto, fosse diferente. Alguns gostariam que Chico cantasse “Construção”, outros prefeririam “Meus Caros Amigos”, “Apesar de Você”, “Vai passar”, etc, etc.
Chico, claro que optou pelas canções do novo álbum, “Carioca”, e juntou-lhe mais cerca de vinte temas, quase todos dos últimos 20 anos. Nada dos anos 60/70, a não ser o pouco conhecido “Mabembe”, de 1972. O tema mais antigo, daqueles que são mais populares, foi “Morena de Angola”, de 1980.
Não importa. O concerto foi muito bom e, durante duas horas, não dei pelo tempo passar.
Alguns dos pontos altos: “Imagina”, “Mil perdões”, “Ela é dançarina”, “Eu te amo”, “Grande Hotel”. E, claro, todo o “encore”, que incluiu o emocional “Tanto Mar”.
Acompanhado por dois percussionistas, um baixo, piano, sintetizador, saxofone/flauta e um excelente violão, Chico mostrou estar em forma, aos 60 anos e, como ele próprio disse, ter prazer em cantar.
Primeira notícia boa:
Um estudo publicado na revista Science, revela que, se a pesca intensiva, a poluição marinha e a destruição dos ecossistemas prosseguir, em 2050, a totalidade das espécies de peixes estará esgotada.
Quer isto dizer que, quando eu tiver 103 anos, não mais me sentirei obrigado a comer peixe porque faz bem à saúde!
Segunda notícia boa (aliás, muito melhor que a anterior):
Segundo um estudo da Universidade de Oklahoma, os medicamentos anti-colesterol podem proteger os fumadores das lesões pulmonares.
Há cerca de um ano que tomo, todos os dias, um comprimido de 10 miligramas de Rosuvastatina. O meu colesterol está num nível patético: 143 mg por decilitro, segundo as análises da semana passada.
E agora, ainda por cima, ao tomar esse comprimido mágico, posso estar descansado, sempre que acendo mais um cigarro, porque ele também protege os meus pulmões!
Obrigado, Rosuvastatina!