
Archive for September, 2006
Hoje, o Tejo estava assim
Saturday, September 30th, 2006
Portugueses na linha da frente
Saturday, September 30th, 2006Já tínhamos portugueses donos de grandes clubes de futebol: o Chelsea de Mourinho, o Inter de Luís Figo, o Manchester de Cristiano Ronaldo.
Mas esta semana tudo mudou.
As duas primeiras figuras da hierarquia institucional do nosso querido Portugal, tiveram o seu nome ligado a grandes acontecimentos internacionais.
Rebento de orgulho!
O nosso Presidente Cavaco foi o primeiro a saber que a princesa Letícia está grávida!

Não me parece haver dúvidas que foi graças à força que Cavaco emana, que o espermatozóide real fertilizou o óvulo antes plebeu.
Afinal, não é verdade que Cavaco, como dizia Miguel Cadilhe, seja como o eucalipto, secando tudo à sua volta.
Todos sabemos como a taxa de natalidade é baixa na maior parte dos países europeus. Parece-me, portanto, lógico, que Cavaco se apresse a visitar a Bélgica, a Holanda, a Suécia, a Noruega, para ver se as realezas desatam a reproduzir-se.
O que a gente precisa é de príncipes e princesas!
Perante isto, Sócrates não quis ficar atrás.
E toca a surgir num cartaz eleitoral, sentado ao lado de Hugo Chavez, “rompiendo el bloqueio”!
O segredo do sucesso de Sócrates ficou assim explicado.
Como é possível que um político odiado por 700 mil funcionários públicos, por juízes, professores, sindicalistas, reformados e pensionistas, beneficiários da ADSE, da ADMA, da ADME, da ADMGF, autarcas em geral e autarcas madeirenses em particular, continue a ter uma tão alta taxa de popularidade, que mantém o PS à beira da maioria absoluta?
Pois a resposta é só esta: Sócrates tem aliados fortes. São eles: o venezuelano Hugo Chavez, o iraniano Aminejad e o cubano Fidel de Castro.
Petróleo e charutos – é esta a resposta!
No entanto, algo me perturba: lá ao fundo, não sei porquê, mas aquele casario faz-me lembrar o Casal Ventoso.

“Kinsey”, de Bill Condon
Saturday, September 30th, 2006
Alfred Kinsey (1894-1956), foi um zoólogo norte-americano que, a determinada altura da sua vida, decidiu aplicar as suas técnicas de estudo dos insectos, no estudo dos comportamentos sexuais dos norte-americanos. Assim como coleccionava milhares de insectos, estudando as suas diferenças e as suas particularidades, começou a entrevistar milhares de norte-americanos, tentando saber quais eram os seus hábitos sexuais.
Em 1948, publicou Sexual Behaviour in the Human Male e, cinco anos depois, um volume idêntico, dedicado às mulheres.
Claro que Kinsey não descobriu a pólvora mas, numa América puritana, onde não se falava de sexo, onde o sexo oral era proibido em muitos Estados (acho que, em alguns Estados, essa lei ainda não foi revogada, embora já ninguém lhe ligue), onde nem sequer passava pela cabeça das pessoas que uma mulher “decente” pudesse ter prazer sexual, Kinsey teve a coragem de demonstrar que, afinal, a vida sexual dos americanos era tudo menos “politicamente correcta”.
É espantoso que Kinsey tenha chamado a atenção para muitas coisas que, hoje em dia, ainda são tabus para muito boa gente: a importância do clítoris, o constrangimento sexual pelas regras sociais, a bissexualidade, a homossexualidade, etc.
O filme, realizado por um tal Condon (“condom” significa preservativo…), é competente e dá-nos pistas para perceber melhor a personalidade de Kinsey (Liam Neeson): um pai autoritário e puritano até à náusea, a sua própria inexperiência sexual até conhecer a sua mulher (Laura Linney), as suas dúvidas quanto às suas preferências sexuais, a sua obsessão pelo trabalho, a dificuldade em distinguir entre o que é “normal” e o que é “patológico”, no que respeita à sexualidade.
Um filme interessante, num momento em que se discutem, em diversas publicações, muitas das coisas que Kinsey já tinha publicado há mais de 50 anos e que foram praticamente ignoradas.
Os ilegais do Ginjal
Monday, September 25th, 2006Passear à beira-rio, no Ginjal, é um privilégio, repito.
Nestes primeiros dias de Outono, com aquela luz especial a derramar-se sobre o casario de Lisboa, caminhar ao longo do Tejo, por volta das 6 da tarde, faz-me sentir muito bem.
São cerca de 5 km, ida e volta, passando pelos restaurantes desactivados do Ginjal, as fábricas de conservas de peixe abandonadas, o Atira-te ao Rio e o Ponto de Encontro, o elevador da Boca do Vento (avariado), e continuando por ali fora, mesmo até ao fim do cais.
A paisagem é sempre a mesma, mas sempre diferente, conforme a hora do dia, a estação do ano, a intensidade da luz: muda o céu, muda a cor do Tejo. Na outra margem, também Lisboa parece uma cidade diferente, de cada vez que percorremos aquele caminho.
Os habitantes do Ginjal devem ser meia dúzia de idosos, que resistem em casas a prometer derrocada para breve.
Mas a população do Ginjal aumentou recentemente. Famílias de emigrantes ilegais (romenos?), instalaram-se nas ruínas de uma das fábricas de conservas.
Aqui mesmo.

Por entre montes de lixo. O cheiro é nauseabundo. Ao cheiro do lixo acumulado, junta-se, agora, o aroma peculiar de urina e fezes humanas.
A Câmara e a Junta de Freguesia já têm conhecimento do que se passa. Um jornal local disse, até, que alguns destes emigrantes se entretêm a assaltar os passeantes. Nunca vi tal coisa. No entanto, não deixa de ser anacrónico. O tempo vai passando e a densidade populacional deste local vai aumentando.
Custa a crer que se consiga viver no meio de tanto lixo, sem um tecto digno desse nome. Como será quando começar o Inverno?
Mas há compensações.
É isto que estes emigrantes ilegais vêem, todas as manhãs, quando acordam!

Ferenc – o aprendiz de democrata
Sunday, September 24th, 2006O primeiro-ministro húngaro foi apanhado a dizer que o governo tinha que mentir ao povo, de manhã à noite, para justificar as medidas de austeridade económica, impostas para que o país possa aderir à União Euroipeia. Uma inconfidência que alguém gravou e passou à comunicação social.
Os húngaros vieram para a rua, exigiram a demissão do governo, deitaram fogo a carros, apedrejaram a polícia e provocaram o caos em Budapeste. Dizem que tudo foi orquestrado pela a extrema-direita, mas o que é certo é que mesmo os apoiantes do primeiro-ministro ficaram muito desiludidos com a performance de Ferenc Gyurcsany.
Não se mente assim ao povo.
Aliás, não se diz, em voz alta, que se mente assim ao povo.
A Hungria ainda é uma jovem democracia. Ainda tem muito que aprender.
Portugal podia dar-lhe uma ajuda, não?…
“O Hussardo”, de Arturo Pérez-Reverte
Sunday, September 24th, 2006
Pèrez-Reverte é um escritor espanhol com algum interesse. Os seus livros “O Cemitério dos Barcos Sem Nome” (2000) e “A Rainha do Sul” (2002), são romances de aventuras bem conseguidos, cheios de peripécias, ao estilo de Alexandre Dumas. “A Tábua de Flandres” (1990), no entanto, não me pareceu tão interessante.
Muito menos este “O Hussardo”. Publicado em 1983, foi o primeiro romance de Pérez-Reverte. A edição que li é de 2004 e é uma revisão, feita pelo próprio autor e, como ele diz, numa nota introdutória, “aliviado de alguns advérbios e adjectivos desnecessários”.
Mesmo assim, pareceu-me um romance aborrecido. São páginas e páginas de descrições dos uniformes garbosos dos hussardos de Napoleão, das glórias que eles aguardam ao combater os andrajosos espanhóis e, depois, uma longa e fastidiosa descrição de uma batalha, que acaba em sangue, lama e morte.
O autor quer-nos mostrar como os jovens hussardos eram iludidos com a honra e a glória de pertencerem a um regimento tão garboso, servindo a França e o Imperador; depois, a realidade das batalhas era bem diferente, degradante e tenebrosa.
Não valia a pena escrever um livro por isto.
“Sideways”, de Alexander Payne
Sunday, September 24th, 2006
Vencedor de dois globos de ouro e candidato a cinco Óscares, este filme do mesmo realizador de “About Schmidt” (com Jack Nicholson) é bem esgalhado e proporciona duas horas bem passadas.
Dois amigos decidem fazer uma viagem enóloga pelas vinhas da Califórnia. Miles (Paul Giamatti), é um professor de liceu, autor de um romance que ninguém está interessado em publicar, e tenta recuperar de um divórcio turbulento. Jack (Thomas Haden Church) é um actor medíocre que se vai casar no final dessa semana, depois de uma longa carreira de solteirão.
As peripécias que os dois amigos vão vivendo, ao longo da semana, a visão da vida, sempre pessimista, de Miles e sempre optimista de Jack, o encontro com duas amigas, que Jack convence Miles a engatar, tudo isto tendo como pano de fundo as provas de diversos vinhos californianos – provas que, por vezes, se transformam em grandes bebedeiras, são os ingredientes do filme.
Realizado ao estilo de road movie, “Sideways” foi uma agradável surpresa.
Gordon ou Magron?
Thursday, September 21st, 2006Vinha aí um furacão, ia atingir os Açores e foi uma festa na comunicação social. Chamava-se Gordon e ia arrasar árvores, arrancar telhas, esbarrondar casebres, estilhaçar vidraças, afundar barcos. Haveria vários motivos de reportagem: mulheres a chorar, homens lamentando-se, todos pedindo subsídios ao governo.
Os telejornais entraram num frenesim de directos.
Em directo do Faial, em directo do Pico, em directo da Terceira.
Em todos eles, um repórter nervoso, relatava banalidades. Ao fundo, um oceano plácido, lambia os Açores calmamente.
A Protecção Civil fez o que lhe competia: mandou amarrar embarcações, fechar escolas, arregimentar funcionários, que passaram a noite em claro, à espera da catástrofe.
Mas o tal Gordon, assim que se apercebeu que tinha errado o caminho e que ia passar por território nacional, rapidamente se transformou numa tempestade de trazer por casa.
Foi um flop.
Até os furacões nos ignoram, caraças!
Equipamentos alternativos
Tuesday, September 19th, 2006Ontem à noite, ao fazer zaping ao acaso, reparei que, na Sport TV, estava a dar um jogo de futebol entre uma equipa de amarelo e outra de grená.
Como o aparelho estava com o pio cortado, demorei algum tempo até conseguir perceber quem estava a jogar.
Pois eram o Braga e o Leiria!
Desde quando é que o Braga abandonou o seu equipamento igual ao do Arsenal de Londres (camisola vermelha, com mangas e colarinho brancos) e passou a jogar de amarelo? E desde quando é que o União de Leiria deixou de equipar de branco e optou pelo grená?
Aliás, no outro dia, vi o Sporting jogar com camisolas cor de fezes de bebé e o Benfica, quando jogou contra o Copenhaga (que equipava de branco) vestia-se de laranja!
Eu sou do tempo em que um clube só mudava de equipamento quando as camisolas se podiam confundir com as do adversário. Por exemplo, o Benfica, quando recebia o Braga, fazia o favor de jogar de branco, para não haver confusões.
Agora, é o que se vê!
Não há dúvida: no futebol, deixou de haver amor à camisola!
A União Nacional a caminho
Sunday, September 17th, 2006
Marques Mendes anda muito contentinho porque conseguiu convencer Sócrates a assinar o Pacto da Justiça.
Agora, quer convencê-lo a assinar um Pacto da Segurança Social.
Parece-me correcto.
Já poucas coisas distinguem o PS do PSD.
Portanto, toca mas é a assinar pactos sobre tudo e mais alguma coisa, dissolver o PSD e criar, finalmente a União Nacional.
Depois, é só ilegalizar os restantes partidos.