Archive for June, 2006

Chico em DVD

Friday, June 30th, 2006

chico_dvd.jpgO novo disco do Chico surge ao mesmo tempo que esta colecção de 6 dvd, realizados para a tv brasileira.

A carreira de Chico é passada em revista, ao longo de mais de 6 horas, que se vêem com agrado, emoção e com uma lágrima verdadeira ao canto do olho.

Esta lágrima foi bem tenaz quando, a propósito de “Tanto Mar”, vemos imagens do primeiro 1º de Maio, em Lisboa, 1974, com toda aquela multidão enchendo as ruas e as varandas, gritando “o povo unido jamais será vencido”.

E quem disser que não se emociona ao recordar esses tempos, das duas uma: ou não os viveu, de facto, ou é fascista. E, neste ponto, não admito meias tintas!

No primeiro disco, intitulado “Meu caro amigo”, filmado no Rio de Janeiro, Chico fala-nos das diversas parcerias que foi fazendo ao longo dos anos, mas sobretudo, nos gloriosos anos 70. Temos o privilégio de ver gravações, em razoável estado de conservação, de encontros memoráveis de Chico com Caetano, Tom Jobim, Edu Lobo, Milton Nascimento, Djavan e muitos outros. E “ouvemos” (como diria o Zé Duarte), grandes canções, como “Valsinha”, “Falando de amor”, “Meu caro amigo”, etc.

O segundo disco, “À flor da pele”, foi filmado em Paris. Um Chico Buarque muito clássico, de sobretudo e chapéu, fala-nos das canções que compôs no feminino. E ouvemos “Tatuagem”, “Esse cara” e “Fantasia”, com Caetano, “O que será”, com Milton Nascimento, “Com açúcar, com afecto”, com Nara Leão, “Feijoada completa”, “Teresinha”, “Mulheres de Atenas” e “Olhos nos olhos”, com Francis Hime, e muitas outras canções inesquecíveis.

O terceiro disco foi gravado em Roma, onde Chico esteve exilado durante algum tempo, durante a ditadura dos militares. Chama-se “Vai passar” e reúne algumas das canções mais “políticas” do compositor: “Tanto mar”, “Vai passar”, “Vai levando” e “Cálice”, entre outras.

O quarto filme chama-se “Anos dourados”, foi filmado no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro e é um depoimento de Chico sobre Tom Jobim e a grande cumplicidade que existiu entre eles. Destaque para “Olha Maria”, “Chega de saudade”, “Lígia” e muitas outras canções, algumas delas gravadas em casa de Jobim, com familiares e amigos participando.

“Estação derradeira” é o quinto filme e, certamente, o menos interessante. Todo ele é dedicado à Mangueira e pretende mostrar que Chico está bem ancorado numa tradição do samba carioca.

O último filme, “Bastidores”, fala-nos da música que Chico compôs para o teatro: “Roda Viva”, “Calabar”, “Gota de água” e, claro, “A Ópera do malandro”.

Ao longo de toda esta semana, deliciámo-nos com estes seis filmes e recordámos os bons velhos tempos em que a música popular brasileira conseguiu, sem grande dificuldade, destronar o pop-rock anglo-americano, nas nossas preferências musicais. Foi um período curto, talvez entre 1973 e 1980, mas foi um tempo muito rico em boas canções, que toda a gente sabia cantar.

Obrigado Chico, por todos estes serões, em que recordei os meus 30 anos.


Chico Buarque – “Carioca”

Friday, June 30th, 2006

chico_carioca.jpgOito anos depois do seu último disco, Chico Buarque resolveu dar um arzinho da sua graça, lançando este “Carioca”.

E é mesmo só um “arzinho” porque o disco é uma sombra dos bons velhos tempos do Chico – e isto não é saudosismo, é mesmo assim.

É verdade que a voz está lá, praticamente com o mesmo timbre, apesar dos 62 anos. É verdade que os arranjos são bons, embora haja para lá uma slide guitar que não fazia falta nenhuma. É também verdade que as letras continuam com a marca de qualidade habitual, com os jogos de palavras, com o gosto especial pela língua portuguesa.

Apesar disso, o disco não tem nenhuma grande canção, não tem nenhum daqueles temas que deixam uma marca.

Como costumo dizer: o que foi, não volta a ser…

A invasão tártara

Friday, June 30th, 2006

Já devem ter reparado: ao longo dos telejornais, desfilam as mais variadas personalidades, exibindo o seu tártaro.

Quando o jornalista lhes faz a pergunta, e eles mantêm a boca fechada, tudo bem.

Mas quando abrem a boca e mostram os dentinhos de baixo, todos escurecidos pelo tártaro, acumulado há meses, um tipo nem acredita!

E são muitos, do major Valentim Loureiro àquele senhor do Sindicato da Função Pública. Todos com os dentes pretos ou castanhos, com camadas de tártaro, sedimentos acumulados há décadas!

Arranjem os dentes, senhores!

Destartarizem-se!

Elvis Costello – “This Year’s Model”

Thursday, June 29th, 2006

costello.jpgSegundo álbum de Costello, editado em 1978; o primeiro com os Attractions (Steve Nieve, nas teclas, Bruce Thomas, no baixo e Pete Thomas, na percussão). Está remasterizado e tem um segundo cd com algumas faixas extras curiosas.

Inicialmente conotado com o punk, Costello já fez de tudo, incluindo discos gravados na Deustch Gramophone e um álbum com canções do Burt Bacharach.

Quase 30 anos depois deste “This year’s model”, algumas faixas já soam a mofo, mas ainda há muito material de primeira, como “No Action”, “Lipstick vogue” e “Radio, Radio”, por exemplo.

Naqueles tempos, este Elvis era um acelerado e despachava as canções em 2 minutos e picos, às vezes, menos, escondendo as melodias assobiáveis em voltas e reviravoltas.

Apenas como registo, o Sr. Costello é um rapaz da minha idade (um ano mais novo) e nasceu com o nome de Declan Patrick McManus, a 25 de Agosto de 1954, em Inglaterra.

Quartos de final, à rasca

Monday, June 26th, 2006

Não podia ser fácil. Aliás, não se esperava que fosse fácil, mas também não era preciso ser assim tão complicado.

Ontem, a selecção de futebol ganhou 1-0 à Holanda e passou aos quartos de final do Mundial. Mas com que sofrimento!

O jogo foi um retrato do nosso país: à rasca, sempre à rasca!

A primeira parte até correu bem: Maniche marcou um bom golo e a Holanda parecia mais ou menos controlada.

Mas, pouco antes de terminar a primeira parte, o Costinha decidiu fazer uma patetice: meteu a mão à bola, a meio do campo, sem necessidade nenhuma e, como já tinha um amarelo, foi para a rua.

E a equipa começou a segunda parte à rasca.

Como bons portugueses, lá se foram desenrascando e, quando o árbitro expulsou um holandês, as coisas tornaram a ficar equilibradas. Mas o árbitro russo estava com a mão leve (mostrou 20 cartões amarelos e 4 vermelhos!) e expulsou o Deco.

Os holandeses, novamente em superioridade numérica, carregaram. Houve bolas à trave, defesas difíceis do Ricardo, falhanços incríveis dos avançados holandeses e um enrascanço cada vez maior.

Mas, como bons portugueses, os nove sobreviventes da selecção, lá se foram desenrascando e até poderiam ter marcado um segundo golo.

No último minuto do jogo, outro holandês foi para a rua e ficaram nove contra nove e Tiago teve a possibilidade de marcar um golo porque, pelos vistos, a bagunça, em campo era tal, que todos se esqueceram dele e o tipo foi por ali fora, em direcção à baliza, sem que ninguém o travasse. Acabou por perder a bola porque, penso eu, também ele achou que havia qualquer coisa de errado.

O jogo acabou e foi um alívio nacional!

Portugal está nos quartos de final e vai defrontar a Inglaterra.

Mas à rasca, sempre à rasca.

É a História de Portugal.

Andar aos figos

Sunday, June 25th, 2006

E, no meio da consulta, toca o telemóvel.

Já nem protesto.

“Sim, sou eu…” – diz o doente – “Vendo a 2 euros por quilo, mas você pode vender ao preço que quiser… 3 ou 4 euros… Quer quatro caixas?… Está bem, eu levo-as amanhã.”

Desliga o telemóvel e confidencia-me:

“Ando aos figos… as figueiras estão abandonadas e eu vou lá e apanho-os!… faço 100 a 200 euros por dia em figos… O doutor não quer uma caixinha?…”

Cem a duzentos euros por dia?

Que andei eu a fazer na Faculdade, com tantos figos para apanhar?!

Sopranos – 2ª série

Saturday, June 24th, 2006

sopranos2.jpgA 2ª série de Sopranos, datada de 2000, continua e aprofunda o grande êxito que foi a estreia desta saga televisiva da HBO.

A série começa com Tony Soprano (James Gandolfini) a actuar pela calada, sabendo que está a ser vigiado. Pussy (Vincent Pastore) reaparece, dizendo que esteve na Costa Rica, a tratar as suas lombalgias, mas nós sabemos que ele está a colaborar com o FBI, para apanhar Tony.

O stress é muito e Tony desmaia ao volante. Precisa, novamente, da ajuda da Dra. Melfi (Lorraine Bracco).

Tony visita Nápoles e percebe as diferenças entre a Mafia original e a nova-iorquina. De Itália, vem Furio (Feredico Castelluccio), para ajudar aos negócios sujos de Soprano. E, da cadeia, vem Richie Aprile (David Proval), que pretende fazer frente a Tony, recuperando alguns dos negócios que perdeu, enquanto esteve “dentro”.

Furio adapta-se bem ao seu novo habitat e, por momentos, toma o lugar de Christopher, que anda com a mania que vai ser um grande argumentista de cinema. Furio sabe usar bem o taco de baseball, quando se trata de sacar massa aos devedores.

Entretanto, Tony organiza o “executive game”, onde participa, por exemplo, Frank Sinatra Jr. E onde os capangas de Tony depenam um pato, dono de uma loja de desporto e que, com o dinheiro que perde no poker, fica refém dos mafiosos.

Carmela Soprano (Edie Falco) acaba por utilizar os mesmos métodos do marido, para que a filha, Meadow (Jamie-Lynn Sigler) consiga entrar na Universidade preferida. Pressiona uma advogada para que escreva uma carta de recomendação e, embora não lhe fazendo “uma proposta que ela não poderia recusar”, anda lá perto.

Quanto a Christopher, vê os seus sonhos de Hollywood desfeitos, devido à sua impulsividade, esmurrando um colega da classe de representação, só porque lhe dá na gana. E acaba baleado por dois aspirantes a mafiosos que, vendo que a sua carreira não medra, decidem abatê-lo para ganhar fama no meio.

Richie Aprile parece ter descoberto a melhor maneira de enfrentar Tony, começando a namorar com a irmã, Janice (Aida Turturro). Para o irritar ainda mais, a mãe de Tony, Livia, vai viver com Richie e Janice. Livia é uma pessoa abjecta. Por momentos, temos pena de Tony e até compreendemos como é que ele se tornou num mafioso. Com uma mãe daquelas, qualquer um de nós seria sociopata.

O jogo duplo de Pussy não o impede, entretanto, de participar, com Tony, na execução de um dos rapazes que disparou sobre Christopher. O problema é que alguém reconhece Tony, quando ele está a arrastar o corpo. Por momentos, Tony fica aflito: a acusação de assassínio poderia pôr fim à sua promissora carreira. No entanto, quando a testemunha se apercebe quem é Tony Soprano, tem um ataque súbito de amnésia. Conveniente.

A Dra. Melfi lida cada vez pior com as sessões de psicoterapia com Tony, e começa a meter-se na vodka. Janice e Richie preparam o casamento – até já têm casa. Mas os negócios de Richie correm mal, porque Tony o detesta e o despreza. Corrado (Vincent Pastore), tio de Tony, joga com um pau de dois bicos: por um lado, incita Richie a enfrentar Tony, por outro, diz a Tony que Richie o quer destronar.

Janice acicata Richie: tu é que devias ser o chefe. Richie dá-lhe um soco e ela dá-lhe dois tiros. Sem o saber, Janice fez um grande favor a Tony. O que vale é que Tony, tudo resolve: com a ajuda de Chistropher e de Furio, levam o corpo para a fábrica de salsichas e cortam-no aos bocadinhos. Janice parte para Seattle e Tony respira de alívio.

No último episódio, Tony, na ressaca de uma gastroenterite que lhe provoca vómitos e diarreia de arrasar, sonha – um sonho provocado pela febre, um sonho onde estão todos os seus capangas. E, de repente, nesse sonho, Pussy desaparece. Tony acorda do sonho com a convicção de que Pussy é um delator. Junta os tipos do costume: Paulie e Sal, vai buscar Pussy e vão todos dar um passeio de barco, do qual, Pussy já não voltará.

A última cena da 2ª série de Sopranos é a cerimónia de graduação de Meadow. Na plateia, sorridentes, o pai, a mãe e o irmão – uma família orgulhosa pelo primeiro dos seus membros que consegue acabar o liceu.

Descrevi, sinteticamente, o argumento dos 13 episódios, para mostrar a riqueza da trama desta série. Para além das histórias que se vão cruzando, a série tem o mérito de nos mostrar como agem todos estes personagens: um clã de sociopatas que passam ao acto com muita facilidade, que roubam, ameaçam, destroem e matam, com a maior das facilidades e sem aparentes complexos de culpa.

Claro que são pessoas em situações limite mas, com as devidas distâncias, todas estas personagens me fazem lembrar pessoas que eu conheço.

Oitavos de final

Wednesday, June 21st, 2006

A selecção cumpriu a sua obrigação e está apurada para os oitavos de final do Mundial de futebol.

Esta afirmação é importante porque, muito provavelmente, ainda ninguém reparou nisso – já que os órgãos de comunicação social enchem os telejornais com notícias sobre o triatlo e o andebol, e raramente se dignam a falar dos nossos queridos futebolistas.

O percurso da selecção, nesta fase de grupos, foi limpo, com três vitórias: um pobre 1-0, contra Angola, um sofrível 2-0, contra o Irão e um lisonjeiro 2-1, contra o México.

Mas é um futebol muito maçador, muito calculista. Hoje, na segunda parte do jogo, ia adormecendo, tal era a pasmaceira: Petit para Tiago, Tiago para Maniche, Maniche atrasa para Meira, que passa a Paulo Ferreira, que entrega a Petit, que passa a Tiago…

Scolari é um chato e o futebol da nossa selecção é anestesiante.

Ontem, por exemplo, assisti a um jogo de futebol a sério: Inglaterra-Suécia, 2 a 2, e os tipos sempre a correr, de um lado para o outro, com muitos passes falhados, é certo, alguma atrapalhação, mas sempre na esgalha, sempre com a baliza adversária na mira.

Há dois anos, no Europeu, a coisa começou a aquecer, quando Portugal jogou contra a Inglaterra. Pode ser que agora, no Mundial, a situação também melhore nos oitavos de final e que a selecção, mesmo perdendo, mostre um pouco mais do que sabe fazer.

Entretanto, durante a transmissão do jogo Portugal-México, o comentador da SportTv e o convidado, Fernando Santos, novel treinador do Benfica, iam fazendo contas sobre o eventual apuramento de Angola: se Portugal ganhasse 3-1 ao México e se Angola ganhasse 1-0 ao Irão, passavam aos oitavos, Portugal e Angola. E, como o Brasil também já está apurado, teríamos um Mundial com três equipas a falar português!

Pena que Timor não tenha sido apurado…

Ridículo!

Por que raio não fazem como no futebol americano: os yankees jogam uns contra os outros e chamam aquilo “The World Series”. E a equipa que ganha é “the world champion”. Assim, têm a certeza que o campeão é sempre americano.

Nós podíamos organizar um campeonato só com selecções de países em que o português fosse a língua oficial, e estava o assunto resolvido.

Às tantas, Angola lá marcou o seu golito, e dizia o Fernando Santos: “podíamos dar uma ajuda a Angola” (marcando o terceiro golo…)

E por que carga de água devia a selecção portuguesa ajudar Angola?

E se fosse o Equador a dar uma mãozinha à Costa Rica, ou os EUA a dar uma ajuda à Austrália? Seria um escândalo, não?

Esta nacional-porreirismo é mesmo bacoco!

Um Presidente visionário

Tuesday, June 20th, 2006

Cavaco, talvez influenciado por algum assessor brasileiro, trocou as Presidências Abertas pelos Roteiros.

Depois do Roteiro contra a Exclusão, temos, agora, o Roteiro pela Ciência.

Paciência…

Mas lá que os óculos lhe ficam bem, lá isso ficam.

cavaco_capa1.jpg

Drogas livres

Tuesday, June 20th, 2006

Afinal, os medicamentos de venda livre estão mais caros desde que podem ser vendidos fora das farmácias.

Mas são livres!

E a liberdade não tem preço!