Archive for the ‘Coisas de Viagens’ Category

Parque Nacional Tortuguero

Tuesday, April 14th, 2009

O Parque Nacional  Tortuguero foi criado exactamente para proteger as praias onde as tartarugas vão desovar, entre Junho e Novembro.

De 1966 a 1974,  foi construído um sistema de canais que ligam, entre si, os rios Colorado, Parismina, Pacuaré, Rebentazon e Tortuguero. Forma-se, assim, uma estrada aquática com cerca de 100 km.

O Parque Tortuguero estende-se, ao longo da costa do Caribe, por 22 km.

Viaja-se de San José até Caño Blanco, já na costa do Mar das Caraíbas, ao longo de 150 km de estrada asfaltada, com muitas curvas e contra-curvas, atravessando o Parque Nacional Bráulio Carrillo, com vegetação luxuriante.

À beira da estrada, uma planta com folhas enormes, é conhecida como “chapéu de chuva dos pobres”, já que cada uma das folhas pode abrigar duas ou três pessoas.

Já perto da costa atlântica, começam as plantações de bananeiras, a perder de vista. Muita floresta tropical tem sido sacrificada para se plantarem bananais. A Costa Rica é o segundo maior exportador mundial de banana e todos nós já vimos o famoso sêlo da Chiquita banana.

Curiosa,  a forma como os trabalhadores transportam os cachos de bananas, desde a plantação até ao local onde são escolhidas e embaladas. Cada homem puxa uma série de cachos, que se deslocam ao longo de um cabo de aço.

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Em Caño Blanco, apanha-se uma lancha que, nos leva até ao Pachira Lodge, através do rio Parismina e dos canais. São 50 km e hora e meia de caminho, seguindo paralelamento ao Caribe, com crocodilos ao fundo.

Tortuguero é uma pequena vila, com cerca de mil habitantes, situada na estreita faixa de terra que fica entre o canal e o Caribe. Claro que não tem estradas, nem carros. Só lá se chega de barco.

Quando se chega a Tortuguero, vindos do canal, o embarcadouro é dominado por uma praça que exibe duas grandes estátuas de um pelicano e de um papagaio; em redor, estátuas mais pequenas de sapos e tartarugas. Mas não são estátuas realistas – são antes representações infantis daqueles animais, pintados com cores berrantes, assim como os bancos e as mesas, também existentes na praça.

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A aldeia de Tortuguero estende-se ao longo de uma única rua, ladeada de casas térreas, de madeira. No ar, um cheiro adocicado (das flores? de alguma erva que faz rir?). Ali à frente, um negro, com a barba bem desenhada (todos usam barbas bem desenhadas, muito cool), deitado numa rede, ouve rap, com o volume sonoro no máximo, acenando para os turistas. Tá-se bem no Caribe!

Muitas lojas de souvenirs, com os mesmos produtos desinteressantes. Dezenas de pássaros cruzam os ares, de árvore em árvore.

Os habitantes de Tortugero, ao fim da tarde, já não têm nada para fazer. Já pescaram, já passearem os turistas, por isso, agora, passeiam eles, ociosos, alguns de bicileta sem travões. Travar para quê? Tudo aqui anda devagar, menos os pássaros, que voam, velozes, por todo o lado.

Alia ao lado, a praia de areia cinzena, vulcânica, é onde as tartarugas desovam.

Agora, não há tartarugas à vista. Apenas o oceano, incessante.

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O café Doka, Grécia e Sarchi

Monday, April 13th, 2009

Na Costa Rica só se cultiva o café de melhor qualidade. A planta, chamada coffea arabica, originária da Etiópia, foi introduzida no país em 1779.

A partir de 1830 e durante cerca de um século, o café foi a principal exportação da Costa Rica e proporcionou o desenvolvimento do país, a construção de muitos edifícios e do caminho de ferro.

As terras montanhosas, quentes e húmidas, da Costa Rica são excelentes para o cultivo do café arábico.

Nas terras altas centrais do país, mais de mil km2 são dedicados ao café.

A Doka é uma quinta onde se cultiva café há mais de 70 anos. Situada em Alajuela, perto de S. José, oferece a possibilidade de conhecermos todos os passos da produção do café, desde a planta até à chávena, passando pela secagem dos grãos, ao sol.

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Depois de se visitar a quinta, ainda há tempo para ver o borboletário e espantamro-nos com dezenas de borboletas. A Costa Rica tem mais de 1250 espécies de borboletas.

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Grécia é uma pequena cidade fundada em 1864, nos arredores de San José e que se destaca por possuir uma igreja toda feita em chapas prefabricadas de aço, cor de ferrugem. A sua construção foi inspirada pela torre Eiffel.

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Sarchi é famosa pelo seu mobiliário de madeira e, sobretudo, pelas carroças profusamente decoradas. Hoje em dia, estas carroças já não são utilizadas no dia-a-dia, mas mantém-se a tradição e há desfiles todos os anos, com eleição da carroça mais bonita.

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Vale a pena visitar o Taller Eloy Alfaro, uma oficina muito antiga, onde estas carroças continuam a ser feitas como antigamente. Todas as máquinas da oficina (berbequins, serras, etc) são movidas pela força motriz da água, através de uma nora.

Costa Rica, pura vida

Sunday, April 12th, 2009

Entalada entre a Nicarágua e o Panamá, a Costa Rica é um pequeno país com 480 km, de norte a sul e apenas 280, de leste a oeste.

Apesar da sua pequenez, a Costa Rica é um mosaico de 12 zonas diferentes, com uma diversidade impressionante de plantas e animais, protegidos em mais de 190 parques nacionais, reservas biológicas e refúgios de vida selvagem.

De um lado, o mar das Caraíbas e, do outro, o Pacífico; Tortuguero, com os rios e os canais e as praias, onde desovam as tartarugas; o vulcão e o lago Arenal, as montanhas e a instabilidade do solo, com tremores de terra frequentes, mas com uma fertilidade que permite o cultivo de um dos melhores cafés do mundo; Monteverde e os bosques nebulosos, com a humidade vinda do Pacífico e o famoso quetzal; o Parque Nacional Manuel António, dos poucos sítios do mundo onde ainda há preguiças à solta.

Independente desde 1821, a Costa Rica não tem exército desde 1948, após uma breve guerra civil.

O slogan turístico é “pura vida”. No entanto, se continuarem a arrasar a floresta tropical, para plantar bananeiras e a destruir árvores nas colinas de Manuel António, para construir hotéis de luxo, a pureza da Costa Rica não durará muito mais.

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E Setúbal aqui tão perto…

Wednesday, March 18th, 2009

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Setúbal, vista da Fortaleza de S. Filipe, mandado edificar por Filipe I, em 1582. Tem a forma de uma estrela irregular, com seis pontas. Lé de cima, esplêndida vista sobre a cidade, o Sado, o Oceano e Tróia.

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Junto a uma das docas, um bando de gaivotas luta por despojos de peixe de um restaurante ribeirnho.

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A Casa das Quatro Cabeças (século XV), na antiga Rua Direita do Troino, no bairro dos pescadores, originários do Algarve.

De Évora a Mértola e voltar

Monday, January 19th, 2009

Évora nunca cansa.

Sabe sempre bem passear pelas ruas estreitas, de paralelepípedos, entrar no frio das igrejas, contornar as muralhas.

A Pousada dos Lóios, apesar do preço, pode ser uma boa base para explorar a cidade e ir mais ao sul.

Mas antes, passar por Mora para ver o excelente Fluviário, único da Península Ibérica e que é uma grande ideia da Câmara Municipal.

O Fluviário recria um rio, desde a nascente até à foz, com as várias espécies de peixes, batráquios e outros animais que não sabem viver sem a água de um rio.

Numa sala à parte, alguns aquários com espécies exóticas, do Amazonas e de África.

Na imagem, o esturjão – um peixe famoso pelas suas ovas e que nunca tinha visto ao vivo. E não é que o esturjão é branco?!

Já em Évora, rever o templo de Diana, que muda de cor conforme o sol, a Catedral, cuja visita é paga, a Praça do Giraldo, onde comemos castanhas assadas,  a Messe dos Oficiais, onde agonizei durante um ano, as Portas de Moura, as janelas com cortinas de rendinhas, os velhotes de boné a galarem as jovens estudantes e lojas do chinês por todo o lado.

Depois, rumar a Mértola.

Graças ao trabalho de Cláudio Torres e da sua equipa, as diversas camadas de Mértola estão bem preservadas, desde os tempos romanos de Myrtilis e islâmicos de Martulah.

A igreja, que foi mesquita. O castelo. A Torre do rio. O Guadiana, muito castanho, correndo lá em baixo.

Pena alguns edifícios mais modernaços, pintados de amarelo, a estragar o cenário branco das casas caiadas.

Comer migas numa tasca chamada assim mesmo: Migas.

Passar por Serpa, na margem esquerda do Guadiana.

Mais uma vila antiga, com uma cerca mandada construir por D. Dinis. A igreja matriz também tem dedo islâmico. A Torre do Relógio e mais um castelo.

E Moura que, como o nome indica, não esconde a influência árabe, nomeadamente, na igreja matriz.

O castelo está em mau estado, safando-se a Torre, por pouco.

De regresso a Évora, dar um pulo ao Cromeleque dos Almendres, apesar da chuva.

São 4 km de estrada de terra batida, mas vale a pena ver este conjunto de 95 menires, dispostos em círculo.

De regresso a casa

Thursday, October 23rd, 2008

Foram mais 420 km para regressar a casa.

Antes de nos metermos na auto estrada, demos um salto a Póvoa do Lanhoso, que tem um castelo bem preservado, no cimo de um penhasco granítico, no Monte do Pilar.

A construção é tão antiga como Dona Urraca e tem histórias curiosas como a de Rodrigo Gonçalves, um dos seus inquilinos que, ao descobrir que a sua mulher dormia com um frade do Bouro, fechou a malta toda dentro do castelo e pegou-lhe fogo.

Consta que o frade e a esposa do Gonçalves nunca mais pecaram.

Parámos, depois, em Braga que, tal como Viana, merece uma visita mais prolongada.

Demorámos um pouco até encontrar o Bom Jesus, graças aos letreiros enganadores e à minha teimosia em não aderir ao GPS, mas lá demos com ele.

O Bom Jesus é uma daquelas construções barrocas que nos espantam pela paciência dos seus autores.

Datado de 1874, o conjunto arquitectónico destaca-se pela profusão de estátuas, escadaria acima, sempre com fontes centrais, deitando água, sucessivamente, pelos ouvidos, pelo nariz, pelos olhos – e só não deita água pela traqueostomia, porque Carlos Amarante, o arquitecto, não se lembrou.

Lá de cima, o panorama não é tão bonito como em Viana, porque não há rio, muito menos Oceano – só prédios de uma cidade que está cada vez maior.

No centro de Braga – cheio de adeptos do Portsmouth que, nessa mesma noite, haveriam de levar 3-secos do Sporting de Braga – demos uma volta pela Praça do Município, o Largo do Paço e a Praça da República, só para abrir o apetite para futura visita.

Gerês

Wednesday, October 22nd, 2008

Todo o dia de hoje foi dedicado a percorrer parte do Parque Nacional do Gerês.

Foram 168 km de curvas e contra-curvas, em mais um dia de sol, embora frio. As estradinhas mostravam os sinais da intempérie de ontem, com muitos ramos de pinheiro, caruma e pinhas espalhadas no asfalto.

Na Pousada forneceram-nos um mapa e fizemos o percurso mais óbvio: São Bento da Porta Aberta, Covide, Campo do Gerês, Vilarinho das Furnas, mata da Albergaria, com os seus marcos milenares, Portela do Homem e a fronteira com a Galiza, a Vila do Gerês, onde almoçámos, a Pedra Bela e o seu miradouro, a Cascata do Arado, Ermida, Fafião, onde nos perdemos, indo parar à barragem de Salamonde. Daí, seguimos para Vieira do Minho e, depois, Cabeceiras de Basto, regressando à Pousada ao fim do dia.

O Gerês é um local único e as imagens falam por si…

Mata da Albergaria – são meia dúzia de quilómetros de terra batida, em estado aceitável, rodeados de vegetação luxuriante. Em dois ou três locais, os tais marcos milenares, que marcavam a estrada entre a Galiza e Braccara Augusta.

Vista do Miradouro de Pedra Bela – foi aqui em cima, a mais de 800 metros de altitude, que soubemos que o nosso sobrinho-neto, Martim, já nascera! Lá ao fundo, o Cávado e a albufeira da barragem da Caniçada. Na encosta, à direita, escondida pelo penedo, a Vila do Gerês.

Rio Arado – no inverno, este rio e a respectiva cascata devem ser mais espectaculares. Mesmo assim, o sítio é muito bonito e, do outro lado da ponte, as pedras são maiores e mais redondas, fazendo lembrar o vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, Brasil.

De Valença ao Gerês

Tuesday, October 21st, 2008

Domingo e segunda foram autênticos dias de verão, com direito a manga curta.

Hoje, choveu todo o dia, por vezes com muita intensidade, o que não deixou de ser uma vantagem para cenários tão românticos como os que percorremos hoje.

A primeira paragem foi em Arcos de Valdevez. Foi uma paragem rápida, que a chuva era muita, mas deu para ver alguns edifício feiosos, mas uma imagem bonita para compensar: a ribeira de Vez, passando sob a ponte do século XIX, árvores seculares em ambas as margens e, reflectida nas águas, a torre da igreja de S. Paio.

Tranquilamente, as águas da ribeira vão deslizando, com alguns desníveis que formam minúsculas cascatas. As grossas gotas da chuva quase não conseguem trespassar a folhagem densa das grandes árvores e o conjunto é, ao mesmo tempo, melancólico e tranquilizador.

Logo ali ao lado, fica Ponte da Barca, à beira do Lima. Esta localidade já existiria na Idade Média e o seu nome provém da barca que ligava as duas margens do rio. A ponte foi construída no século XV.

Na vila, destacam-se o Pelourinho e um Mercado, uma construção considerada monumento nacional. Ali perto, o designado Jardim dos Poetas, com árvores enormes e casas solarengas.

A chuva persistia, mas a humidade apenas tornava tudo mais verde e o cenário mais bucólico.

Apesar da chuva, ainda nos aventurámos até Lindoso, para ver o castelo.

Lindoso já fica no Parque Nacional da Peneda e o castelo está em recuperação. Uma enorme grua desfigura a cena toda.

Apesar disso, vale a pena o esticão de cerca de 30 quilómetros.

Perto do castelo, diversos espigueiros que, segundo julgo, formam o conjunto mais numeroso do país.

O almoço foi em Vila Verde. Pescada grelhada.

Debaixo de chuva, prosseguimos, em direcção à Caniçada.

Parámos, ainda, em Caldelas, para ver as termas e em Terras do Bouro.

A Pousada de S. Bento, na Caniçada, pode abordar-se vindo de baixo, do vale do Cávado, e são 5 km de curvas e contra-curvas.

Depois de 188 km à chuva, foi um alívio para o meu pescoço e ombros chegar a este antigo refúgio de caçadores, que já sofreu diversas adaptações e renovações, a última das quais muito recente.

O panorama da Pousada é soberbo, com as curvas do Cávado lá em baixo e as montanhas verdes, mas agrestes, do Gerês, de um lado e do outro.

Como é habitual nestes grandes cenários naturais, as cores e as formas parecem mudar, consoante estamos num dia de chuva, como de hoje, ou ao nascer de um dia de sol, ou ainda, com o sol poente.

De Valença a Viana do Castelo

Monday, October 20th, 2008

Percorrer a linha da fronteira e parar, primeiro, em Vila Nova da Cerveira. Mais uma agradável surpresa.

À boleia da bienal de artes, um curioso parque mostra-nos diversas variações de cervos, conforme a inspiração de cada artista plástico. Lá no cimo, do alto de um monte, um enorme cervo domina a vila – será que eles ainda andam por ali? Duvido…

Antes de o Minho chegar à Foz, Vila Nova da Cerveira oferece a Pousada de D. Diniz, construída dentro de um castelo do século XIV. Curiosidade: os quartos ficam em edificações isoladas, que comunicam entre si pelas ruas empedradas do castelo. Pode percorrer-se o recinto em volta do castelo e estamos ao nível dos telhados das casinhas circundantes. Ao fundo, o rio Minho e, do outro lado, Espanha.

Continuando, pela costa, paragem em Caminha, onde desaguam o Minho e o Coura. No centro da cidade, uma bonita praça circular, com uma fonte do século XVI ao centro. Em volta, a Torre do Relógio, os Paços do Concelho e restos da muralha do século XIV, bem como a igreja da Misericórdia. Gaivotas afoitas andavam por ali, tomando o lugar dos pombos, até porque, numa das pontas da praça, uma mulher vendia peixe.

Seguindo pela Rua Direita, chegamos à igreja Matriz e, do terreiro em frente, avistamos o estuário do Minho e o Atlântico, lá ao fundo.

Mas a foz do rio vê-se melhor, já depois de sairmos de Caminha. Encontramos uma mata densa e, logo a seguir, uma praia. No horizonte, numa ilhota, o forte da Ínsua.

Poucos quilómetros à frente, fica Vila Praia de Âncora.

Aí, sim, as gaivotas dominam a paisagem, espalhadas pelo chão, pelo telhado da lota e nos muros do forte da Lagarteira, situado junto a uma enseada, onde descansam os coloridos barcos de pesca.

Depois, a praia de areia branca, com o Atlântico em rebuliço.

Depois, Viana do Castelo, junto à foz do rio Lima, com o Atlântico mesmo à beira.

Começar pelo Monte de Santa Luzia, utilizando o modernizado ascensor.

Lá em cima, a vista é aérea e ainda mais aérea se torna quando subimos ao zimbório, coisa que se faz com alguma dificuldade, por uma escada de caracol claustrofóbica, mas com apenas duas dúzias de degraus. Para quem já subiu à abóbada da catedral de Florença, numa época em que ainda fumava 15 cigarros por dia, seria uma vergonha não subir ao modesto zimbório da Basílica de Santa Luzia.

A Basílica foi construída entre 1903 e 1943 e salta logo à vista que foi inspirada no Sacré-Coeur de Paris.

Viana do Castelo tem muito para ver e demos apenas um pequeno passeio pela Praça da República, deixando o resto para uma próxima oportunidade.

A última paragem do dia foi em Ponte de Lima, que se auto-intitula a “vila mais antiga de Portugal”.

Mais um exemplo de uma cidadezinha muito simpática, com o seu património bem preservado, apesar de um gigantesco parque de estacionamento, num terreiro, junto ao Lima, destoe o bocado a paisagem.

A ponte medieval sobre o rio Lima é o ex-libris de Ponte de Lima, mas a localidade tem mais uma série de motivos de interesse: a Praça de Camões, onde a ponte desemboca e uma dúzia de casas de estilo manuelino, para além da igreja matriz, do século XV.

Melgaço, Monção e Valença

Sunday, October 19th, 2008

Foram 515 km, sempre por boas acessibilidades, eufemismo para auto-estradas, IP, IC, via rápida e afins.

Partimos por volta das 9 da manhã e já almoçámos bacalhau à minhota, na Adega do Sabino, em Melgaço.

Longe vão os tempos em que demorávamos oito horas até Moimenta da Beira, a bordo de um R4 com mudanças ao volante (dá cá a bengala, toma lá a bengala), e os miúdos lá atrás, a vomitar. Ultrapassagens memoráveis a camiões a 10 à hora, curvas e contra-curvas sádicas, em estradas desenhadas por ingleses que se limitavam a dizer “yes” e os operários portugueses lá punham mais um “esse” na estrada…

Agora, é apontar ao eixo norte-sul e ir sempre em frente, entre os 120 e os 140 – e até se pode usar o “cruise control” e tirar o pé do acelerador.

Depois do competente almoço, demos uma volta por Melgaço, que está situada numa encosta junto ao rio Minho.

A cidadezinha conserva, ainda algumas velhas calçadas e preserva os restos de uma fortificação do século XII (muralhas e torre de menagem), do tempo em que andávamos sempre à trolha com os castelhanos.

Mesmo junto aos muros do que resta do castelo, pequenas casinhas fazem lembrar o Portugal dos Pequenitos.

E, como é típico de Portugal, roupa estendida por todo o lado, a secar e a corar ao sol, mesmo num estendal montado num dos muros do castelo.

Mais à frente, paragem em Monção, mesmo junto ao rio Minho.

Aqui, como em todas as vilas e cidades por onde passámos, a mesma sensação de que o chamado Poder Local (mais um eufemismo) tem feito muito por todas estas terras. Claro que vemos mamarrachos em todo o lado, prédios horripilantes, casas de banho ao contrário, cobertas por azulejos de pesadelo. Mas, regra geral, nota-se que as autarquias têm tentado preservar e embelezar. Todas as localidades têm um centro pedonal bem arranjado e nota-se que tem havido o cuidado de tentar não estragar e, pelo contrário, evidenciar o património.

Em Monção, é o passeio ribeirinho que chama a atenção, com uma praia de calhaus frente a um parque densamente arborizado. Foi nesta terra que nasceu uma das minhas heroínas infantis, Deuladeu Martins. Muitas vezes a imaginei, do alto do castelo, a atirar pão aos castelhanos, para dar a impressão de que os sitiados não estavam a morrer à fome. Lendas da História de Portugal… o mais certo, é Deuladeu ter sido uma megera, capaz de matar a sangue frio qualquer espanholito magricela e estropiado que clamasse por misericórdia…

O passeio de hoje terminou em Valença, na Pousada de S. Teotónio, com uma vista espectacular sobre o rio Minho e a cidade de Tuy, com a catedral em destaque.

A zona velha de Valença está dividida em dois bairros, cada um deles rodeado porum recinto defensivo e separados por um fosso, que se transpõe por pontes, que terão sido levadiças. Os dois muros defensivos têm a forma de estrela.

Aos domingos, a zona antiga parece uma feira. Quando chegámos, ao fim da tarde, as ruas estreitas estavam repletas de espanhóis, a comprar atoalhados e lençóis. Nas fachadas das casas, confundem-se as janelas manuelinas com toalhas de praia e roupões de cores berrantes, pendurados das varandas.

Com muita dificuldade, vamos avançando pelas ruas empedradas, tentando não atropelar nenhum espanhol. E pensar que, há uns séculos, quando esta fortaleza foi construída, teríamos recebido medalhas e louvores se tivéssemos esmagado uns quantos espanholitos!…

Depois, quando se chega a um dos portões das muralhas, há que parar no semáforo, porque só passa um carro de cada vez.

A Pousada de S. Teotónio tem uma localização privilegiada, no ponto mais alto de Valença. Inaugurada em 1962, foi desenhada pelo arquitecto João Andresen e é uma bonita casa de pedra que se integra muito bem na paisagem esplêndida.

Das janelas da Pousada, para além do Minho e Tuy, também se vislumbra a ponte velha, de ferro, à moda do Eiffel, onde antigamente passava o comboio da linha do Minho.

Na segunda-feira, praticamente sem castelhanos, já se pode andar pelas ruelas de Valença, admirando as frontarias quinhentistas, os pormenores manuelinos e, seguindo os muros da fortificação, olhar lá para baixo e ver a paisagem, diferente conforme está a amanhecer, com pequenos focos de neblina, ou ao pôr-do-sol, com a luz dourando os montes e as casas.